Os Estados Unidos têm feito progressos significativos na segurança de minerais críticos, mas apenas focar na oferta não é suficiente. O mercado desses minerais está em desequilíbrio, com a oferta superando a demanda, o que resulta em preços deprimidos e lentidão na materialização de capital privado. Segundo análise do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a demanda por minerais críticos é essencial para justificar novos investimentos em minas e instalações de processamento.
Os Estados Unidos representam uma pequena fração do consumo global de minerais como níquel, cobalto, terras raras e gálio, com percentuais de 4,5%, 3,6%, 1,7% e 3%, respectivamente. Isso reflete a dependência do país de cadeias de suprimento estrangeiras. O setor de defesa, frequentemente visto como um comprador âncora, não consegue preencher essa lacuna sozinho, pois representa apenas 10% das baterias produzidas e uma porcentagem ainda menor de outros minerais críticos.
Para fortalecer a demanda, políticas devem priorizar o apoio à indústria de veículos elétricos (EVs). Um carro elétrico requer aproximadamente 210 quilos de minerais críticos, em comparação com 32 quilos de um veículo de combustão interna. A adoção em larga escala dos EVs pode absorver o excesso de oferta, estabilizar preços e melhorar a viabilidade comercial de novos projetos de mineração e processamento.
A China, por meio de empresas como a BYD, já domina o mercado de minerais críticos, não apenas controlando a oferta, mas também a demanda através da fabricação de bens. Entre 2009 e 2023, a BYD recebeu pelo menos US$ 230,8 bilhões em apoio governamental. Isso permitiu à China moldar tanto a dinâmica de oferta quanto de demanda ao longo da cadeia de valor.
Para os Estados Unidos competirem, é crucial adotar políticas que incentivem a demanda e ampliem a elegibilidade para créditos tributários, como o 45X, que atualmente oferece um crédito de 10% para custos de produção de minerais críticos. A expansão desse crédito pode ser um diferencial. Além disso, a criação de um mercado diferenciado baseado em padrões de conformidade, e não apenas em critérios ambientais, sociais e de governança, pode oferecer vantagens de preços para produtores responsáveis.
A harmonização das exigências de fornecimento para defesa e a formação de uma coalizão de demanda aliada, como o Fórum de Engajamento Geoestratégico de Recursos (FORGE), são passos importantes. Essa aliança poderia aumentar significativamente a base de consumidores, tornando viáveis projetos de produção e processamento que não seriam comercialmente justificáveis apenas com a demanda dos EUA.
O desafio não é apenas garantir a oferta de minerais críticos, mas também criar uma arquitetura de demanda que sustente a competitividade industrial e assegure o fornecimento de recursos a montante. A abordagem integrada da China, que une políticas industriais e controle de demanda, serve como um modelo a ser rivalizado pelos EUA e seus aliados.
Sem uma estratégia de demanda robusta, os Estados Unidos correm o risco de ficar para trás na corrida global por minerais críticos, essenciais para tecnologias emergentes e a transição energética. Desenvolver uma política que equilibre oferta e demanda é crucial para a segurança econômica e geopolítica do país.


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