A Rússia manifestou condenação veemente à agressão militar conduzida pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, conforme declarou Vassily Nebenzia, representante permanente do país na ONU, durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
O posicionamento foi expresso no contexto da rejeição de uma resolução sobre o Estreito de Ormuz, discutida no dia 6 de abril de 2026.
Nebenzia destacou que a Rússia mantém postura clara em defesa da soberania e da integridade territorial de todas as nações do Oriente Médio, incluindo o Irã e outros países da região do Golfo Pérsico.
Para o diplomata, ataques direcionados a civis e infraestruturas não militares são absolutamente inaceitáveis e violam princípios básicos do direito internacional.
No mesmo encontro, a Rússia, ao lado da China, vetou a resolução proposta pelo Bahrein sobre o Estreito de Ormuz, que recebeu apoio de onze países, enquanto Colômbia e Paquistão optaram pela abstenção.
Segundo Nebenzia, o texto da resolução representava risco significativo ao abrir caminho para interpretações que poderiam enfraquecer o Direito Internacional do Mar.
Ele argumentou que a proposta parecia servir aos interesses de potências que buscam intensificar a instabilidade no Oriente Médio, em vez de promover soluções equilibradas para a região.
O representante russo também expressou solidariedade aos estados árabes impactados pelos conflitos recentes, reforçando que aceitar tais medidas seria um erro estratégico com consequências duradouras para a segurança global.
Nebenzia enfatizou o compromisso da Rússia em buscar uma resolução pacífica para as tensões no Golfo Pérsico e no Oriente Médio como um todo.
Deixou claro, no entanto, que o país não poderia endossar qualquer iniciativa que comprometesse a autoridade do Conselho de Segurança ou estabelecesse normas perigosas para o direito internacional.
Ele apontou que a imposição de novas regras sobre o Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o comércio global de energia, poderia ser explorada por atores externos com agendas desestabilizadoras, prejudicando diretamente os interesses dos países da região.
De acordo com o Sputnik International, as críticas de Nebenzia também miraram as ações de Washington, acusando os EUA de contribuírem para a escalada de tensões no Oriente Médio com políticas que ignoram a soberania de nações independentes.
Ele reiterou que a Rússia continuará a se opor a qualquer tentativa de reconfigurar as dinâmicas de poder na região por meio de intervenções militares ou resoluções enviesadas.
A posição russa reflete a visão de que a estabilidade regional só será alcançada com o respeito mútuo entre os estados e a rejeição de ações unilaterais por parte de potências como os EUA e Israel, que frequentemente justificam suas operações sob o pretexto de segurança ou defesa da democracia, enquanto alimentam conflitos e crises humanitárias, como as observadas em Gaza e outras áreas do Oriente Médio.
A declaração de Nebenzia ocorre em momento de crescente tensão geopolítica na região, com a República Islâmica do Irã enfrentando pressões tanto militares quanto diplomáticas.
A Rússia, por sua vez, busca consolidar sua influência como mediadora em conflitos internacionais, posicionando-se como contraponto às estratégias ocidentais lideradas pelos EUA.
O veto à resolução no Conselho de Segurança reforça essa postura, enquanto o discurso do representante russo sinaliza crítica aberta ao que considera uma política de dupla moral por parte de Washington e seus aliados, que pregam valores democráticos no discurso, mas frequentemente desrespeitam a autodeterminação de outros povos em suas ações práticas.


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