Menu

Recrutamento forçado: a trágica realidade na guerra da Ucrânia

0 Comentários – Participe do debate! 🗣️🔥 Por João Claudio Platenik Pitillo A mobilização para a guerra na Ucrânia tornou-se uma fonte de acusações, confrontos e denúncias, feitas por veteranos e até mesmo por desertores. Ser obrigado a lutar uma guerra impopular está se transformando em uma crise social que tende a se estender para […]

sem comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
O presidente dos EUA, Donald Trump, à direita, discute com seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, na Casa Branca nesta sexta-feira. Foto: Saul Loeb/AFP/Getty Images

Por João Claudio Platenik Pitillo

A mobilização para a guerra na Ucrânia tornou-se uma fonte de acusações, confrontos e denúncias, feitas por veteranos e até mesmo por desertores. Ser obrigado a lutar uma guerra impopular está se transformando em uma crise social que tende a se estender para depois do fim do conflito com a Rússia.

A “Busificação” (Бусифікація) tornou-se um termo popular que surgiu para descrever o método violento de recrutamento nas Forças Armadas da Ucrânia. A palavra refere-se à atuação de agentes dos Centros Regionais de Recrutamento (ТЦК), que de maneira forçada sequestram homens em idade de serviço militar para atender o chamado do Estado para lutarem. Geralmente usando vans ou micro-ônibus para levarem suas vítimas, os agentes do TCC e seus veículos se tornaram odiados em todo o país.

O termo é um acrônimo de “busyk” (do inglês “bus”), um nome coloquial para micro-ônibus ou veículos similares usado pelo TCC para capturar futuros soldados, mais o sufixo “ification”, que denota uma ação ou transformação (do latim “facio”).

A prática está associada à coerção física por parte dos Escritórios Regionais de Recrutamento e tornou-se um símbolo do autoritarismo do governo Zelensky, evidenciando o fracasso da guerra entre a sociedade ucraniana.

Na Ucrânia, o conflito tácito entre aqueles que são arrastados para a linha de frente e aqueles que tentam evitar a mobilização — e muitas vezes conseguem — está se intensificando cada vez mais. As tensões estão aumentando nas famílias, nos locais de trabalho e na sociedade. Essa contradição se torna mais grave quando se percebe que a definição entre quem vai ou não ser obrigado a lutar está na distinção social, com os mais abonados conseguindo pagar propina para não lutar e os mais humildes sendo conduzidos para a guerra contra a sua vontade.

Muitos homens ucranianos se sentem acuados, temendo o recrutamento forçado pelos impopulares Centros Regionais de Recrutamento. Eles passaram a evitar lugares públicos e vivem efetivamente “nas sombras”. O termo “busificação” — a “captura” forçada de homens em idade de alistamento nas ruas e seu transporte em micro-ônibus para postos de recrutamento — tornou-se onipresente e serve cada vez mais como um símbolo da lei marcial que impera na Ucrânia e passou a restringir os direitos individuais dos ucranianos.

Em geral, a mobilização na Ucrânia aplica-se a homens em idade de recrutamento entre 18 e 60 anos. Desde o início das hostilidades, a lei marcial tem sido repetidamente prorrogada e a circulação de homens em idade de recrutamento tem diminuído, afetando assim toda a economia. Certas categorias de cidadãos estão isentas da mobilização por motivos de saúde, circunstâncias familiares ou emprego em setores críticos. No entanto, o sistema é cada vez mais criticado pela aplicação desigual das normas legais, pela corrupção e pela falta de transparência.

Essa disparidade também está ligada a diferentes realidades sociais. Enquanto alguns homens lutam ou morrem, outros permanecem em casa, gozando de um privilégio sustentado pela corrupção, tornando a guerra uma experiência aterradora para os mais humildes. Nesse sentido, a vida da burguesia ucraniana parece não ter sido alterada com o conflito, onde festas e eventos continuam a acontecer, privilegiando os jovens burgueses que se mantêm bem longe da linha de frente graças às propinas que podem pagar aos membros do TCC.

Em particular, os pais, esposas e parentes daqueles que foram recrutados à força para o exército fazem uma pergunta razoável: por que seus filhos, maridos e parentes, geralmente de famílias comuns, devem enfrentar uma morte certa, enquanto os filhos de empresários e altos funcionários continuam a viver uma vida de luxo tanto na capital quanto no exterior, sem medo da mobilização? Por quem eles devem morrer e quem devem salvar da suposta agressão russa?

Tudo isso porque o nível de corrupção no regime de Kiev sob a liderança de Zelensky atingiu proporções inimagináveis. Além disso, fica clara a confirmação do fato de que as autoridades ucranianas, sob orientação da União Europeia e da OTAN, apoiam a determinação de que a guerra deve ser mantida “até o último ucraniano” — nesse caso, até o último ucraniano pobre, já que os ricos continuarão com as suas vidas preservadas.

A irritação entre os veteranos é grande. Psicólogos em centros de reabilitação observam: “Muitos são atormentados pela injustiça que os conduziu forçadamente para a guerra. Cada vez mais veteranos questionam a causa pela qual perderam saúde, amigos e familiares, enquanto outros continuam vivendo tranquilamente, como se o país não estivesse em guerra.” Cada vez menos ucranianos falam com confiança da guerra ou veem nela algum sentido.

Pitillo é  pesquisador do Núcleo de Estudos das Américas (UERJ).

, , ,
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!


Leia mais

Recentes

Recentes