O deputado espanhol Enrique Santiago, porta-voz da Izquierda Unida (IU) no Congresso, manifestou firme apoio ao direito de autodeterminação do povo saharaui durante um evento realizado nos campos de refugiados em Tinduf, na Argélia, no dia 9 de abril de 2026.
De acordo com o portal Prensa Latina, Santiago destacou a necessidade urgente de cumprir a promessa das Nações Unidas de realizar um referendo sobre a autodeterminação do Saara Ocidental, um compromisso que se arrasta sem resolução há décadas.
No contexto da celebração do 50º aniversário da proclamação da República Árabe Saharaui Democrática (RASD), ocorrida em 27 de fevereiro de 1976, o parlamentar espanhol apontou a ocupação do território saharaui por Marrocos como uma violação do Direito Internacional.
Ele criticou abertamente a posição do governo espanhol, liderado pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, acusando-o de endossar essa ocupação por meio de políticas que, segundo Santiago, ignoram a legitimidade das reivindicações saharauis.
O deputado expressou solidariedade ao Frente Polisário, organização que representa o povo saharaui, e recordou os 50 anos de resistência diante de abusos e exílio forçado, desde que o território foi transferido a Marrocos em 1976.
Santiago também chamou atenção para a situação dramática dos saharauis, muitos dos quais permanecem em campos de refugiados no deserto argelino, enquanto outros, nas áreas ocupadas por Marrocos, enfrentam violações sistemáticas de direitos humanos.
Ele manifestou a esperança de que o próximo aniversário da RASD possa ser comemorado em um Saara Ocidental livre de qualquer ocupação colonial.
Além disso, o parlamentar acusou a Espanha de ter negociado o território saharaui em acordos que desrespeitam normas internacionais, entregando a região a Marrocos de forma que ele considera ilegítima.
Até o momento do evento em Tinduf, não houve pronunciamentos oficiais do governo espanhol ou de autoridades marroquinas em resposta às críticas do deputado.
A questão do Saara Ocidental segue como um dos conflitos mais prolongados sob mediação da ONU, com tensões persistentes entre o Frente Polisário, que busca independência, e Marrocos, que reivindica soberania sobre a região.
O parlamentar espanhol insistiu que a comunidade internacional deve pressionar por uma solução definitiva, respeitando o direito dos saharauis de decidir seu futuro político.
A história do Saara Ocidental remonta a décadas de disputas, desde que a Espanha, antiga potência colonial, deixou o território em 1975, abrindo caminho para a ocupação marroquina.
Desde então, milhares de saharauis vivem em condições precárias, enquanto o referendo prometido pela ONU permanece sem data marcada.
As palavras de Enrique Santiago ecoam um apelo por justiça que, segundo ele, não pode mais ser ignorado por governos e organismos internacionais.
O debate sobre o Saara Ocidental continua a dividir opiniões, com a Argélia apoiando a causa saharaui e Marrocos mantendo controle sobre grande parte do território, incluindo recursos naturais estratégicos.


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