Uma pesquisa publicada na revista Cell sugere que o transplante de mitocôndrias saudáveis poderia diminuir os sintomas de algumas patologias. As mitocôndrias são as organelas responsáveis pela produção de energia das células. Uma disfunção mitocondrial pode ser uma das causas de doenças neurodegenerativas, diabetes, doenças hepáticas, doenças oftálmicas e envelhecimento.
O estudo foi feito em camundongos modelos da doença de Parkinson. A novidade do trabalho veio de uma nova técnica: para que as mitocôndrias transplantadas não fossem destruídas, elas foram encapsuladas em uma membrana de eritrócito (as células vermelhas do sangue) e depois injetadas nos camundongos com a doença de Parkinson. Os resultados foram animadores, de acordo com Mayana Zatz, diretora do Centro de Estudos sobre o Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL) da USP.
As mitocôndrias, as “fábricas de energia das células”, são transmitidas apenas pelo óvulo, ou seja, obedecem a uma herança materna. Elas possuem um DNA próprio – o DNA mitocondrial – diferente do DNA do resto do corpo, o chamado DNA genômico. Embora o DNA mitocondrial corresponda a uma fração muito pequena do DNA genômico e contribua muito pouco para as características herdadas, mutações nas mitocôndrias podem causar distúrbios genéticos que afetam a produção de energia nas células, comprometendo órgãos de alto consumo energético como cérebro, músculos e coração.
O estudo demonstra o potencial dessa cápsula como tratamento para distúrbios mitocondriais e propõe uma estratégia de “terapia com organelas” na medicina regenerativa.
A coluna Decodificando o DNA, com a professora Mayana Zatz, vai ao ar quinzenalmente, quarta-feira às 9h, na Rádio USP (São Paulo 93,7; Ribeirão Preto 107,9) e também no Youtube, com produção da Rádio USP, Jornal da USP e TV USP.
Fonte: Jornal da USP.


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