No dia 5 de abril, o governo sérvio anunciou a descoberta de explosivos de alto poder destrutivo nas imediações de um gasoduto que transporta gás russo para a Hungria.
O flagrante ocorreu no município de Kanjiža, na província autônoma de Vojvodina, ao norte da Sérvia, bem próximo à fronteira com a Hungria. Dois pacotes grandes contendo explosivos plásticos — quatro quilos no total — junto com detonadores foram localizados dentro de mochilas a poucas centenas de metros do gasoduto TurkStream, também conhecido como Balkan Stream.
O presidente sérvio Aleksandar Vučić informou que forças militares e policiais foram mobilizadas com apoio aéreo e que bloqueios foram instalados nas estradas rurais entre as aldeias de Velebit, Tresnjevac e Vojvoda Zimonjic.
A Procuradoria Pública de Subotica supervisiona as investigações em curso. Vučić declarou que eventual dano ao gasoduto deixaria o norte da Sérvia e a Hungria sem suprimento de gás, destacando que os serviços de inteligência do país agiram com eficácia ao impedir uma ação contra os interesses vitais do país.
O primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán foi comunicado pessoalmente por Vučić e convocou, no mesmo dia, uma reunião extraordinária do Conselho de Defesa para avaliar as ameaças à infraestrutura energética.
Bloqueios e reforço da defesa foram anunciados na seção húngara do gasoduto. Budapeste indicou que o episódio se encaixa em um padrão de ações contra infraestruturas energéticas vinculadas à Rússia.
O governo de Kiev rejeitou qualquer envolvimento e classificou a narrativa como uma operação de bandeira falsa montada para interferir na campanha eleitoral húngara, marcada para o dia 12 de abril.
O chefe da Agência de Segurança Militar da Sérvia, Duro Jovanic, afirmou que os explosivos eram de fabricação estadunidense, com inscrições que tornam essa origem inequívoca. Ele ponderou que identificar o fabricante não significa atribuir autoria do ato e acrescentou que o planejamento parece ter sido feito por estrangeiros com treinamento militar.
Analistas como Mykola Zentsev avaliaram que os quatro quilos de explosivos plásticos detectados não seriam suficientes para provocar ruptura grave no gasoduto, embora pudessem gerar danos localizados de reparação relativamente rápida.
Essa quantidade, segundo o especialista, não condiz com uma sabotagem destinada a interromper o fluxo por longos períodos. O incidente ganha contornos políticos sensíveis por surgir às vésperas das eleições parlamentares na Hungria, agendadas para o dia 12 de abril.
Viktor Orbán ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2010 e enfrenta forte contestação da oposição. Autoridades húngaras tratam o caso como ameaça real à soberania e à segurança energética, enquanto setores da oposição acusam o governo de explorar o episódio para gerar temor entre os eleitores.
As investigações sérvias prosseguem com buscas terrestres e aéreas, além da análise de vestígios no local. Não há indicação de que uma confirmação pública sobre autores ou origens exatas seja divulgada antes do pleito húngaro.
O caso expõe a vulnerabilidade persistente dos gasodutos que dependem de gás russo na Eurásia, em meio ao conflito na Ucrânia e à dependência energética de países como Sérvia e Hungria.
Conforme detalhou o portal RT, o episódio reforça como a infraestrutura energética se tornou ponto estratégico no confronto indireto entre as potências envolvidas. A investigação continua aberta e as autoridades de ambos os países mantêm cooperação para mapear possíveis responsáveis pelo planejamento do ato.
Com informações de Agência Internacional.


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