A ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, foi presa nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, em Porto Alegre, sob acusações de maus-tratos, estelionato, associação criminosa e quebra de sigilo funcional. A prisão, que integra a Operação Carrasco da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, revela que Lopes ordenava a eutanásia de animais enquanto promovia campanhas de arrecadação de fundos para seus supostos tratamentos.
A investigação aprofundou as denúncias de que Paula Lopes instruía veterinários a sacrificar cães e gatos resgatados, muitas vezes sem diagnóstico comprovado ou avaliação de outras possibilidades de tratamento. Mensagens de texto encontradas no celular da ex-secretária indicam, por exemplo, que ela sugeriu a eutanásia da cadela Pedrita, que tinha suspeita de cinomose, uma doença grave e tratável, mas sem a realização de exames preliminares. Isso ocorria enquanto seu instituto pedia doações para custear a recuperação do animal.
Em sua defesa, Paula Lopes negou as acusações ao chegar à delegacia. A Polícia Civil contrapõe que novos elementos de prova, inclusive um laudo recente do IGP, demonstram que muitos dos animais eutanasiados possuíam doenças tratáveis, evidenciando a prática fraudulenta.
A Operação Carrasco, que teve sua primeira fase deflagrada em setembro do ano passado, identificou inicialmente 239 mortes de animais entre janeiro e agosto daquele ano. No entanto, um caderno entregue à polícia por uma testemunha revelou um número alarmante de 478 eutanásias registradas em apenas sete meses, entre janeiro e julho, com uma média de 68 procedimentos mensais sob a responsabilidade da pasta.
As eutanásias, conforme a apuração policial, teriam sido motivadas pela intenção de ‘baratear custos’ e artificialmente aumentar os números de atendimentos da secretaria e do Instituto Paula Lopes. Os investigadores apontam que, através de redes sociais, a ex-secretária lançava campanhas de ajuda e solicitação de dinheiro para tratamentos que, na realidade, nunca ocorriam, enganando os doadores com falsas promessas de recuperação.
Além de Paula Lopes, dois veterinários foram presos nesta segunda-feira, 15 de junho de 2026, por envolvimento no esquema; um deles, Tainara Harth, médica veterinária e responsável técnica pela pasta, já havia sido indiciada por falsidade ideológica, maus-tratos e associação criminosa. A Operação Carrasco realizou o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão em uma ampla gama de locais. Isso incluiu diversas clínicas veterinárias em Canoas e Porto Alegre, um crematório de animais e, notavelmente, um sítio em Arroio dos Ratos, pertencente a um familiar da ex-secretária, onde foram encontrados milhares de medicamentos vencidos cuja procedência é investigada.
Um dos casos mais recentes que ilustra o padrão de conduta envolve o cachorro Dudu, resgatado da casa de Paula no momento de sua prisão. O animal, que não possui as duas patas dianteiras, apresentava sinais de maus-tratos, e Lopes havia recentemente promovido campanhas de arrecadação para seu tratamento, replicando o padrão de conduta investigado. O Ministério Público informou que a denúncia contra os envolvidos deve ser entregue à Justiça nos próximos cinco dias, formalizando as acusações.
A amplitude das acusações e a constatação de centenas de animais supostamente sacrificados sem justificativa técnica robusta levantam sérias preocupações sobre a fiscalização de organizações de bem-estar animal e a credibilidade das campanhas de arrecadação de fundos. Este escândalo não apenas abala a confiança pública, mas também destaca a urgência de mecanismos mais rigorosos de controle para proteger animais vulneráveis e garantir a transparência de entidades que atuam nesse setor crucial.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!