Arqueólogos divulgaram em fevereiro de 2026 que o sistema hidráulico da antiga cidade de Petra, na Jordânia, exibia um grau de sofisticação antes não documentado, incluindo uma tubulação de chumbo rara usada em trechos críticos do aqueduto de Ain Barq.
O achado, publicado no periódico Levant e noticiado em portal especializado, demonstra a capacidade de engenharia sofisticada do povo nabateu.
A estrutura metálica de cerca de 116 metros indicava que essa condução suportava pressão — uma solução para vencer obstáculos geográficos complexos.
O sistema detinha três condutos principais alimentados por nascentes como Ain Mousa, Ain Braq e Wadi Mataha, que distribuíam água por toda a cidade.
Em partes do trajeto predominavam canais abertos ou de terracota, enquanto em pontos de relevo acentuado se fazia uso de tubos metálicos, inclusive de chumbo, seguindo padrões de dimensionamento que mais tarde os romanos viriam a padronizar.
O uso do chumbo permitia curvas e transições de pressão e relevo mais controladas, conservando integridade e fluxo do líquido.
As escavações no aqueduto exibem reservatórios, cisternas e tanques de vários tamanhos. Canais esculpidos na rocha captavam águas de chuva ou das nascentes, enquanto represas continham enchentes — recursos essenciais numa região árida com chuva escassa.
Essa infraestrutura supria jardins ornamentais, piscinas, fontes e talvez até áreas agrícolas dentro da cidade, realçando não só sua função utilitária, mas também o aspecto simbólico como forma de exibir poder e domínio ambiental.
O sistema é datado entre cerca de 100 a.C. e 300 d.C., abrangendo fases nabateia e romana. A tubulação de chumbo integra o sistema nabateu anterior à incorporação de Petra pelo Império Romano em 106 d.C.
Após essa data, ocorreram modificações com adição de canalizações padronizadas para atender exigências de uma cidade integrada ao mundo romano, com praças, ruas principais e estruturas públicas que dependiam ainda mais de água canalizada.
Essa descoberta altera a compreensão da tecnologia urbana antiga. Os nabateus dominavam princípios de hidráulica aplicada muito antes do que se supunha.
O uso de chumbo revelava-se não apenas símbolo de opulência, mas solução prática para transportar água em relevo irregular, controlando pressão e evitando vazamentos. A engenharia nabateia, frequentemente associada a construções esculpidas na rocha, agora se reconhece também na gestão hídrica de alta complexidade.
Do ponto de vista arqueológico, os achados permitem reconstruir como grandes cidades prosperavam em ambientes naturalmente hostis, manejando escassez de água com inovação técnica e planejamento territorial.
O estudo contribui para debates sobre urbanismo antigo, sustentabilidade histórica e adaptação a condições de aridez — temas relevantes à medida que regiões áridas do mundo enfrentam limitações de recursos hídricos.
Os vestígios desses sistemas hidráulicos permanecem visíveis em Petra, com canais abertos, restos de tubulações de terracota e exemplares de tubos de chumbo preservados no Museu de Petra. As estruturas foram descobertas e estudadas por meio de escavações, levantamentos geofísicos não invasivos e análise de materiais.
A descoberta amplia o conhecimento sobre civilizações antigas em desertos. Em vez de sistemas limitados, existia expertise técnica elevada e qualidade de vida urbana mantida por séculos em contextos de aridez.
Com informações de olhardigital.com.br.


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