No dia 11 de abril, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou que as conversações diretas mantidas em Islamabad com os Estados Unidos fracassaram em razão de diferenças irreconciliáveis em dois ou três assuntos centrais.
Embora as partes tenham registrado entendimento em pontos de menor importância, as posições mantidas nos temas estratégicos revelaram-se demasiado distantes para permitir a assinatura de qualquer acordo concreto.
Conforme detalhou o portal RT, Baghaei classificou os assuntos negociados como complexos e dotados de condições muito específicas.
Entre os principais obstáculos figuraram o programa de enriquecimento de urânio, a capacidade nuclear do país, o programa de mísseis balísticos e a questão do Estreito de Ormuz.
O diplomata iraniano registrou que a introdução de novos elementos durante as discussões — especialmente o status do estreito estratégico — aumentou substancialmente a complexidade do processo e reduziu drasticamente as possibilidades de consenso em uma única rodada.
As conversas ocorreram após quarenta dias do que o Irã classifica como guerra imposta, período marcado por profunda desconfiança mútua que tornava irrealista a expectativa de um pacto imediato.
Baghaei foi categórico ao declarar que o enriquecimento de urânio a zero por cento jamais será aceito por Teerã, por constituir direito soberano inalienável, parte da capacidade científica nacional e interesse vital do Estado.
Da mesma forma, o programa de mísseis balísticos foi definido como instrumento exclusivamente defensivo e dissuasório, portanto situado fora de qualquer possibilidade de negociação ou concessão.
O porta-voz insistiu que todo entendimento deve preservar de forma absoluta a soberania e a integridade territorial do Irã, sem admitir ameaças ou ultimatos militares por parte de Washington.
Ele destacou ainda que os ataques israelenses no Líbano configuram frente que precisa ser plenamente incorporada a qualquer discussão sobre cessar-fogo, sob risco de qualquer solução revelar-se incompleta e incapaz de gerar estabilidade duradoura na região.
Mesmo em cenário de trégua temporária, o Irã rejeita condições que violem suas prerrogativas fundamentais de segurança.
O objetivo iraniano, segundo Baghaei, consiste na obtenção de uma cessação definitiva das hostilidades, na construção de garantias sólidas contra novas agressões, no respeito integral à integridade territorial e no reconhecimento explícito de sua autoridade legítima em áreas estratégicas sensíveis como o Estreito de Ormuz, via marítima essencial para o fluxo global de energia.
Os termos apresentados pela delegação americana foram avaliados como excessivos e incompatíveis com as exigências mínimas de soberania e segurança nacional do Irã.
Baghaei reforçou que o país permanece disposto a seguir a via diplomática na defesa dos direitos de seu povo e de seu Estado, desde que o resultado preserve equilíbrio justo entre demandas externas e preservação de capacidades estratégicas inegociáveis.
A declaração indica que o canal de diálogo não foi interrompido, mas que qualquer avanço futuro exigirá dos Estados Unidos o reconhecimento das posições fundamentais defendidas por Teerã.
Essa postura reflete a determinação iraniana de não realizar concessões em matérias existenciais após prolongado período de confrontos diretos e pressões externas intensas.
Baghaei concluiu transmitindo a mensagem de que o Irã busca solução pacífica com dignidade preservada e soberania intacta, rejeitando qualquer imposição externa que comprometa sua segurança nacional ou seu direito ao avanço tecnológico autônomo.


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