No dia 12 de abril de 2026, o PT intensifica uma estratégia para atrair o apoio do PSD de Gilberto Kassab à candidatura de Fernando Haddad ao governo de São Paulo.
O objetivo central consiste em explorar tensões existentes na relação entre Kassab e o governador Tarcísio de Freitas de modo a fragilizar a base de sustentação do atual mandatário. Conforme detalhou o Diário do Centro do Mundo, a articulação petista parte da avaliação de que, apesar do apoio público de Kassab à reeleição de Tarcísio, existem rachaduras provocadas pela decisão de não incluir o presidente do PSD como vice na chapa.
Essa exclusão gerou desgaste interno significativo no PSD. O PT identifica nessa insatisfação uma janela de oportunidade para reposicionar Kassab no campo de centro e ampliar o leque de alianças de Haddad.
Jilmar Tatto, coordenador da campanha de Haddad, defende a inclusão de Alda Marco Antônio como vice na chapa. A indicação busca sinalizar disposição de diálogo com setores moderados e criar condições para que lideranças do centro político vejam espaço real em uma eventual gestão de Haddad.
O PSD também ficou fora da composição da chapa ao Senado, o que reforçou percepções de descaso entre seus quadros. Nomeações relevantes no governo estadual destinadas ao PSD e aos Republicanos foram interpretadas como sinais de menor valorização da legenda.
Esses elementos alimentam a leitura petista de que Kassab poderia encontrar maior projeção e influência ao lado de Haddad do que na aliança atual. A estratégia visa simultaneamente incorporar peso político do centro e reduzir o espaço de Tarcísio entre eleitores moderados, especialmente em municípios onde o PSD mantém forte capilaridade.
Kassab reafirmou publicamente seu compromisso com Tarcísio ao classificá-lo como «bom governador» e ao afirmar que o PSD permanece «muito firme» na aliança. Ele descartou formalmente qualquer apoio a Haddad em declarações recentes.
Ainda assim, o PT sustenta que as fricções internas criam margem para reversão caso o presidente do PSD avalie que sua legenda obteria melhor posicionamento em outro arranjo. A campanha de Haddad trabalha para demonstrar que oferece influência concreta na formulação da chapa, visibilidade compartilhada e compromisso com pautas que interessam ao centro.
A disputa pelo governo de São Paulo mantém contornos competitivos. Levantamentos eleitorais indicam que Tarcísio conserva liderança sobre Haddad, mas as diferenças oscilam em margens estreitas em diversos cenários simulados.
Nesse contexto, o apoio do PSD e de Kassab poderia se tornar fator decisivo ao ampliar o alcance de Haddad para além do eleitorado tradicional de esquerda. A eleição para governador ocorrerá no dia 4 de outubro de 2026 e, até lá, o PT pretende construir narrativa consistente sobre a insatisfação de Kassab com o espaço que lhe foi reservado na aliança governista.
Desafios práticos persistem na execução dessa linha. Kassab mantém diálogo aberto como prática habitual de quem busca centralidade, mas reafirma que produtividade política e alinhamento estratégico definem suas decisões.
O PT precisa evitar que a aproximação pareça mero oportunismo e demonstrar oferta tangível de poder. A capacidade de Haddad de consolidar uma frente pragmática que dialogue com o centro pode alterar o equilíbrio de forças no maior colégio eleitoral do país.
Essa movimentação revela cálculo frio do PT sobre o tabuleiro paulista. Ao mirar o desgaste entre Kassab e Tarcísio, a legenda busca não apenas somar um aliado de peso, mas também corroer a amplitude centrista construída pelo governador desde 2022.
O sucesso da operação dependerá da habilidade de Haddad em transmitir confiabilidade a setores que historicamente oscilam entre esquerda e direita moderada. Por ora, a articulação avança nos bastidores com foco em transformar fissuras pontuais em realinhamento estratégico de maior envergadura.


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