Uma equipe da Universidade da Califórnia em Berkeley venceu a segunda fase do desafio CO₂ Conversion Challenge da NASA ao demonstrar tecnologia capaz de transformar dióxido de carbono e água em sacarose cristalina pura.
A conquista, anunciada no dia 24 de agosto de 2021, integra os esforços para garantir suprimento de alimento, energia metabólica e substratos biotecnológicos em missões de longa duração, inclusive aquelas direcionadas a Marte.
Conforme detalhado pelo portal de notícias da UC Berkeley, o projeto liderado pelo químico Peidong Yang emprega processo eletroquímico que utiliza nanopartículas de cobre como catalisadoras para converter CO₂ dissolvido em água em gliceraldeído, precursor fundamental da sacarose por meio da reação de formose.
O método simula artificialmente o que as plantas realizam na fotossíntese, porém em escala industrial compatível com demandas espaciais e terrestres.
A iniciativa começou com subsídio de 50 mil dólares na fase um, em 2019, e evoluiu até a apresentação de resultados práticos. A UC Berkeley dividiu o prêmio máximo de 650 mil dólares com a Air Company, de Brooklyn, em Nova York, e com a Hago Energetics Inc., da Califórnia.
Cada organização recebeu cerca de 216 mil dólares, complementados por bônus adicionais de 50 mil dólares para a Air Company e 25 mil dólares para cada uma das outras equipes.
A sacarose sintetizada pode ser consumida diretamente ou atuar como substrato para microrganismos que produzem fármacos, biocompostos ou biocombustíveis em ambientes extraplanetários.
Com CO₂ abundante na atmosfera marciana, a tecnologia sugere modelo viável para ecossistemas de suporte de vida autossustentáveis que reduzem a dependência de suprimentos enviados da Terra.
O processo ainda enfrenta obstáculos para aplicação plena. A produção não se encontra totalmente escalonada para volumes industriais, sistemas robustos precisam ser desenvolvidos para operação em gravidade reduzida e condições extremas, e os módulos eletroquímicos exigem adaptação específica para uso em locais remotos ou hostis.
Além do contexto espacial, a inovação carrega impacto climático relevante. Ao capturar CO₂ atmosférico e convertê-lo em sólidos de alto valor como o açúcar, a abordagem oferece rota promissora de remoção de carbono com potencial para auxiliar no combate ao aquecimento global.
Pesquisadores enfatizam que a conversão eletroquímica pode se integrar a estratégias mais amplas de mitigação ambiental.
Avanços dessa natureza devem se consolidar como componentes centrais nos testes de suporte de vida das missões lunares do programa Artemis, preparando as tecnologias para operação eficiente em Marte com produção local de alimentos, medicamentos e insumos químicos.
A vitória no desafio da NASA reforça o papel da biotecnologia sintética no futuro da exploração espacial de longo prazo e na transição para uma economia de carbono circular na Terra.
Com informações de olhardigital.com.br.


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