Alexandre Ramagem, ex-deputado federal pelo Partido Liberal do Rio de Janeiro, foi preso pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos, o ICE, em Orlando, na Flórida. A detenção decorreu de irregularidades migratórias detectadas pelos agentes americanos, especialmente o uso de passaporte diplomático cancelado pela Câmara dos Deputados após a cassação de seu mandato.
A Polícia Federal confirmou a prisão. Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por participação em trama que incluiu tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Ele havia fugido do Brasil em setembro de 2025, cruzando clandestinamente a fronteira entre Roraima e a Guiana sem passar por controle migratório oficial, de onde seguiu em voo comercial para os Estados Unidos.
O ex-parlamentar ocupou o cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência durante o governo Jair Bolsonaro e exerceu mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro até dezembro de 2025. Seu mandato foi cassado em 18 de dezembro de 2025 em razão da condenação. O passaporte diplomático que utilizava foi invalidado logo em seguida.
O governo brasileiro enviou pedido formal de extradição aos Estados Unidos em 30 de dezembro de 2025 por meio da Embaixada em Washington e incluiu o nome de Ramagem na lista de foragidos da Interpol.
Conforme detalhou o portal Midia Max, agentes do ICE identificaram a invalidade do documento durante verificação migratória, o que tornou irregular sua permanência em solo americano. A Polícia Federal aguarda os trâmites legais nos Estados Unidos para o retorno do ex-deputado ao Brasil, processo que envolve tanto a questão migratória quanto o pedido de extradição já protocolado.
Antes da detenção, Ramagem publicou mensagens nas redes sociais nas quais afirmava estar seguro nos Estados Unidos com anuência do governo americano. Ele justificou a saída do país alegando proteger as filhas de uma prisão sem crime e descreveu o ambiente político brasileiro como uma ditadura. Essas declarações foram feitas cerca de cinco meses antes da prisão efetiva.
A condenação pelo Supremo Tribunal Federal teve como base investigações sobre atos de desinformação acerca das urnas eletrônicas nas eleições de 2022, monitoramento de autoridades e ações destinadas a subverter o Estado Democrático de Direito.
O caso avança agora para nova etapa no campo da cooperação jurídica internacional entre Brasil e Estados Unidos. A distinção entre deportação por violação migratória e o processo formal de extradição deve definir os próximos passos das autoridades dos dois países.
Ramagem permanece detido enquanto as autoridades americanas analisam sua situação migratória e o pedido brasileiro. A Polícia Federal segue acompanhando o caso de perto e mantém contato com as contrapartes nos Estados Unidos para garantir o cumprimento dos procedimentos legais cabíveis.
O episódio marca ponto relevante na trajetória do ex-diretor da Abin, que passou de ocupante de altos cargos públicos a foragido internacional e agora se encontra detido em território estrangeiro.
Com informações de cartacapital.com.br.
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