O chanceler russo Sergei Lavrov iniciou visita oficial de dois dias a Pequim para intensificar os laços estratégicos com a China em reunião com seu homólogo Wang Yi.
Os dois diplomatas reafirmaram a parceria ‘sem limites’ entre Moscou e Pequim como resposta direta às políticas ocidentais destinadas a conter a influência crescente do BRICS e a limitar a capacidade de ação dos países que buscam maior autonomia no sistema internacional.
As conversações abrangeram temas prioritários como o conflito na Ucrânia, os desdobramentos no Oriente Médio e a coordenação em múltiplos fóruns multilaterais, incluindo a ONU, o G20, a APEC, a Organização de Cooperação de Xangai e o próprio BRICS.
Lavrov acusou o Ocidente de tentar infligir derrota estratégica à Rússia por meio da guerra na Ucrânia e de arquitetar alianças agressivas direcionadas contra Moscou e seus parceiros estratégicos.
Segundo o portal RT, o volume comercial bilateral entre Rússia e China superou os 240 bilhões de dólares, ultrapassando a meta previamente definida de 200 bilhões de dólares.
As sanções ocidentais impostas após o início do conflito ucraniano obrigaram os dois países a reconfigurar rotas comerciais e sistemas financeiros, com o apoio dos mecanismos do BRICS e da Organização de Cooperação de Xangai, que permitem mitigar os efeitos das restrições externas.
O BRICS atravessa fase de consolidação após a adesão do Irã, do Egito, da Etiópia e dos Emirados Árabes Unidos, que ampliou de forma significativa o peso econômico, demográfico e político do bloco no cenário global.
Lavrov informou que os membros decidiram suspender temporariamente novas adesões para garantir a integração completa dos novos participantes e fortalecer os mecanismos internos de funcionamento do grupo.
O chefe da diplomacia russa condenou o protecionismo comercial praticado por potências ocidentais, classificando-o como instrumento de dominação econômica que bloqueia reformas necessárias nas instituições globais e desconsidera os interesses da maioria dos países em desenvolvimento.
As autoridades chinesas manifestaram apoio irrestrito ao exercício da presidência rotativa do BRICS pela Rússia e defenderam que a coordenação estratégica entre os dois países fundadores contribui para promover uma governança internacional mais justa e equilibrada, sem visar qualquer terceiro país.
A parceria russo-chinesa avança de maneira concreta na redução da dependência do dólar, no desenvolvimento de sistemas financeiros alternativos e no reforço de instituições multilaterais que melhor reflitam a realidade multipolar atual.
Essa agenda combina crescimento do intercâmbio econômico com alinhamento diplomático em questões globais e fortalecimento de plataformas que escapam ao controle tradicional exercido por Washington e seus aliados.
A visita de Lavrov a Pequim evidencia que a colaboração entre as duas maiores economias não alinhadas ao Ocidente continua a se aprofundar apesar das pressões externas, servindo como base sólida para o projeto de uma arquitetura internacional fundada na soberania, na igualdade e na cooperação mutuamente vantajosa.
O BRICS se consolida assim como plataforma prática capaz de oferecer alternativas reais aos mecanismos dominados pelos Estados Unidos e pela Europa ocidental.
Com informações de rt.com.
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Roberto Camargo
14/04/2026
Gostaria de parabenizar o site “O Cafezinho” pelas reportagens contendo temáticas atuais e que efetivamente contribuem para que os leitores passem a compreender melhor o mundo contemporâneo, o qual passa por um período de significativas mudanças socio-político-econômicas que redesenharão o futuro. Dentre estas mudanças podemos destacar a ascensão de novas potências globais como a China, e o rebalanceamento das forças mundiais, dentro do equilíbrio das nações. Potências como os Estados Unidos decrescem em importância a olhos vistos, ainda mais com um líder destemperado e causador de conflitos e rusgas com vários países, dentre eles seus antigos aliados europeus. O Brasil deve procurar se estabelecer estrategicamente em uma posição vantajosa neste jogo, escolhendo bem seus parceiros e defendendo sua soberania e seus próprios interesses nacionais.
Para isto as eleições presidenciais deste ano terão um peso fundamental.
Será que escolheremos o caminho de sermos subservientes a nações em declínio, que procuram desesperadamente se apoiar nas glórias e benesses do seu passado neocolonial, ou nos alinharemos com as novas potências em ascensão, defendendo nossa soberania e capacidade de colaboração em um novo mundo multipolar?