Apesar da pressão militar e econômica imposta por Washington, embarcações vinculadas ao Irã continuam atravessando o Estreito de Ormuz, expondo as limitações práticas do bloqueio naval decretado pelos Estados Unidos.
Segundo dados da firma de inteligência marítima Kpler, citados pela agência Tasnim, ao menos dois navios ligados à República Islâmica cruzaram o estreito após o início oficial das restrições americanas, às 14h GMT.
O graneleiro Christianna, com bandeira da Libéria, atravessou Ormuz depois de descarregar 74.000 toneladas de milho no porto iraniano de Bandar Imam Khomeini.
Já o petroleiro Elpis, sob bandeira das Comores, partiu do porto de Bushehr carregado com 31.000 toneladas de metanol e deixou o estreito por volta das 16h GMT do mesmo dia.
Ambos os movimentos ocorreram horas depois de o presidente Donald Trump anunciar o bloqueio total do tráfego marítimo com destino aos portos iranianos e prometer interceptar qualquer embarcação que tenha pago tarifas ao Irã pelo direito de passagem, classificando esses pagamentos como ilegais.
As autoridades americanas acrescentaram que o bloqueio “não impedirá o trânsito neutro em direção a portos não iranianos”, uma ressalva que, na prática, abre brechas consideráveis para a continuidade do comércio regional.
Conforme reportou o HuffPost Espanha com base nos dados de rastreamento marítimo, outros navios sancionados por Washington também desafiaram as restrições.
Entre eles estão o petroleiro Murlikishan, com bandeira de Madagascar, que navegou rumo ao oeste em direção ao porto iraquiano de Khor al-Zubair, e o navio Peace Gulf, de bandeira panamenha, transportando nafta iraniana.
Do lado iraniano, o porta-voz do Quartel-General Central de Khatam al-Anbiya, Ebrahim Zolfaghari, emitiu um aviso direto: nenhum porto iraniano, seja no Golfo Pérsico ou no Mar de Omã, estará “a salvo” caso as forças da República Islâmica se sintam ameaçadas.
As Forças Armadas iranianas classificaram as restrições decretadas pelos EUA como “ilegais” e um “ato de pirataria”, afirmando que a segurança dos portos é “para todos ou para ninguém”.
Teerã insiste que o estreito permanece aberto ao trânsito “inocente” de navios civis, desde que submetidos às regulamentações que o próprio Irã impõe sobre a via.
Os dados de rastreamento indicam que o fluxo de embarcações pelo estreito recuou de forma expressiva desde o acirramento das tensões militares na região.
Ainda assim, cerca de 100 navios conseguiram cruzar Ormuz desde o início de março, incluindo aqueles cujas cargas ou destinos não eram iranianos, o que demonstra que o controle absoluto da rota permanece fora do alcance imediato de Washington.
Trump reiterou que qualquer navio que pague “pedágio” ao Irã ou carregue produtos iranianos estará sujeito a ações que vão desde a captura até a destruição.
A retórica agressiva, no entanto, contrasta com a realidade operacional: embarcações sancionadas continuam em movimento, exportações essenciais seguem saindo dos portos iranianos e Teerã demonstra capacidade de manter fluxos comerciais mesmo sob pressão máxima.
O episódio evidencia que o Estreito de Ormuz — por onde passa aproximadamente 20% do petróleo consumido no mundo — permanece um ponto de tensão geopolítica de primeira ordem.
O controle iraniano sobre essa via marítima crítica tem implicações diretas para os preços internacionais de energia e para as rotas comerciais globais, transformando cada navio que cruza o estreito em um ato político tanto quanto logístico.
Com informações de actualidad.rt.com.
📬 Assine a Newsletter do O Cafezinho
Receba a Manchete do Dia diretamente no seu e-mail, de graça e sem enrolação, todo dia pela manhã. É só colocar o seu e-mail abaixo:
[mailchimp_subscribe_form]