Um mapa-múndi impresso em Pequim em 1602 listava mais de 850 topônimos — incluindo Canadá, Guatemala, Yucatán e Chile — já traduzidos para caracteres chineses, mostrando como a China incorporava conhecimentos geográficos então recentes do Ocidente antes ou nos primeiros momentos da Era das Descobertas europeia. A historiadora Sheng-Wei Wang afirma que essas evidências desafiam narrativas eurocêntricas que tendem a ofuscar o papel da China na exploração global desde o período pré-colombiano.
O Kunyu Wanguo Quantu, criado por Matteo Ricci em colaboração com o mandarim Zhong Wentao e o tradutor Li Zhizao, foi encomendado pelo imperador Wanli. Ele combina informações cartográficas europeias recém-descobertas — como os continentes americanos — com dados chineses pouco conhecidos fora da China, além de introduzir conceitos técnicos como esfericidade da Terra, meridianos, paralelos e zonas climáticas. Ele mostra os oceanos interligados e representa a localização da Europa em relação à China de forma inédita para o público chinês. ([en.wikipedia.org](https://en.wikipedia.org/wiki/Kunyu_Wanguo_Quantu?utm_source=openai))
O mapa inclui descrições de locais e culturas: nomes como Canadá (加拿大), Guatemala (哇的麻剌), Yucatán (宇革堂) e Chile (智里) aparecem em caracteres chineses. Essas identificações forçam a revisão interna — dentro da China — da ideia de mundo vigente, ampliando horizontes mentais sobre o que se sabia geograficamente. ([en.wikipedia.org](https://en.wikipedia.org/wiki/Kunyu_Wanguo_Quantu?utm_source=openai))
Sheng-Wei Wang defende em seu livro Chinese Global Exploration in the Pre-Columbian Era: Evidence from an Ancient World Map (publicado em 2023) que esses indícios cartográficos pressupõem que a China podia ter realizado explorações marítimas até ou além das Américas antes de 1492, ou ao menos ter tido acesso a rotas indiretas de informação mapográfica. ([scmp.com](https://www.scmp.com/news/china/science/article/3249097/did-chinese-explorers-ming-dynasty-travel-americas-decades-columbus?utm_source=openai))
No entanto, entre historiadores existe consenso de que não há documentação chinesa inequívoca que comprove expedições chinesas além do Oceano Índico até as Américas antes do fim do século XV. Parte da controvérsia centra-se na escassez de fontes arqueológicas datadas de forma conclusiva. Ainda assim, o mapa de Ricci é amplamente reconhecido como uma obra de intercâmbio intelectual entre Oriente e Ocidente, importante tanto por sua alta precisão relativa quanto pela difusão de conceitos científicos ocidentais na China. ([en.wikipedia.org](https://en.wikipedia.org/wiki/Kunyu_Wanguo_Quantu?utm_source=openai))
A revisitação crítica dessas narrativas históricas tem implicações práticas hoje: reconhecer que civilizações como a chinesa participavam ativamente da exploração global antes ou paralelamente aos europeus pode fortalecer movimentos por justiça cultural, alterar currículos escolares, promover maior representatividade museológica e desafiar percepções raciais ou coloniais sobre quem detém o direito simbólico de “descobridor”. ([scmp.com](https://www.scmp.com/news/china/science/article/3249097/did-chinese-explorers-ming-dynasty-travel-americas-decades-columbus?utm_source=openai))
Com informações de www.scmp.com.


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