O Irã critica duramente o bloqueio imposto pelos EUA ao Estreito de Ormuz e alerta que a medida pode levar ao colapso da trégua anunciada recentemente.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, classificou a ação como provocativa e ilegal sob o direito internacional, enquanto afirmou que as forças armadas iranianas permanecem em prontidão total para responder.
O bloqueio restringe o tráfego marítimo que busca entrar ou sair dos portos iranianos situados em ambos os lados do estreito estratégico. Essa via responde por cerca de 20% de todo o petróleo mundial transportado por mar, e sua interrupção teria impacto imediato nos mercados globais.
Os EUA afirmam que embarcações não iranianas podem transitar livremente desde que não paguem qualquer pedágio a Teerã. As autoridades iranianas ainda não implementaram a cobrança, embora o assunto esteja em discussão interna avançada e possa ser ativado a qualquer momento.
Essa nova tensão surge após os ataques coordenados dos EUA e Israel contra alvos no Irã em fevereiro, que causaram danos significativos e vítimas civis. O Irã respondeu com ataques a alvos em Israel e a instalações militares americanas no Oriente Médio, o que levou diversos países da região a fechar parcial ou totalmente seu espaço aéreo.
Negociações diretas ocorreram em Islamabad no dia 11 de abril, após o presidente Donald Trump anunciar um cessar-fogo de duas semanas com Teerã. As conversas não produziram acordo, conforme reconheceu o vice-presidente dos EUA JD Vance no dia seguinte.
De acordo com o portal Sputnik, a manutenção do bloqueio americano aumenta o risco concreto de ruptura completa da trégua e expõe a fragilidade dos entendimentos temporários na região.
O Irã reafirma disposição ao diálogo, mas adverte que não tolerará violações de sua soberania ou do direito internacional marítimo.
A ação unilateral dos EUA ocorre em uma rota historicamente sensível, onde qualquer escalada afeta diretamente o suprimento energético da Ásia e da Europa. Analistas observam que a imposição de restrições sem amparo multilateral contrasta com os discursos de Washington sobre estabilidade regional e pode elevar os preços do petróleo a patamares recordes em poucos dias.
O porta-voz Baghaei enfatizou que Teerã considera o bloqueio uma provocação direta contra sua capacidade de proteger suas águas e rotas comerciais. A comunidade internacional monitora os desdobramentos com atenção especial aos possíveis reflexos sobre o comércio global de energia e o equilíbrio de forças no Oriente Médio.
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