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Justiça condena a 18 anos de prisão terceiro acusado da morte de congolês Moïse Kabagambe

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Nesta quarta-feira (15 de abril de 2026), conforme sentença proferida pelo 1º Tribunal do Júri, Brendon Alexander Luz da Silva foi condenado a 18 anos e 8 meses de reclusão, em regime fechado, pela morte do congolês Moïse Mugenvi Kabagambe, ocorrida no dia 24 de janeiro de 2022. Brendon foi o terceiro acusado do crime condenado pela Justiça. Em março de 2025, os outros dois réus do caso, Fábio Pirineus da Silva e Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, foram condenados a penas que, somadas, chegam a 44 anos de prisão em regime fechado.

Imagens de câmeras de segurança mostram que Moïse foi espancado por quase 13 minutos, com golpes de taco de beisebol, além de socos, chutes e tapas. Segundo a investigação, as agressões começaram depois que a vítima cobrou o pagamento de diárias atrasadas ao dono do quiosque Tropicália, na praia da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio. O crime foi registrado por uma câmera de segurança do estabelecimento. De acordo com a denúncia do Ministério Público, as imagens mostram Brendon ao lado de outro acusado posando para uma foto enquanto Moïse já estava imobilizado no chão e aparentemente desacordado.

A decisão do Conselho de Sentença do 1º Tribunal do Júri reconheceu que o crime foi praticado com emprego de meio cruel, pois a vítima foi agredida “como se fosse um animal peçonhento”. A juíza Alessandra da Rocha Lima Roidis, que presidiu a sessão, destacou que a conduta praticada pelo acusado foi extremamente cruel, consistindo em imobilizar a vítima durante 12 minutos e 40 segundos para que os outros acusados pudessem agredi-lo por diversas vezes. Segundo a magistrada, Brendon, durante esse tempo, nada fez para cessar a desnecessária violência.

O julgamento começou por volta das 11h30. A primeira testemunha ouvida foi Viviane de Mattos Faria, responsável pelo quiosque vizinho, “Biruta”. Durante o depoimento, a testemunha afirmou inicialmente ter ouvido gritos na área externa no momento em que o congolês era agredido. Depois, relatou ter ouvido informações de que Moïse estaria descontrolado por questões pessoais. Ela declarou saber que Brendon era lutador de jiu-jitsu, mas afirmou ter tomado conhecimento do crime posteriormente por meio do gerente do Tropicália e da mídia.

Em seguida, foi ouvido Carlos Fábio da Silva Muse, dono do quiosque Tropicália. Durante o depoimento, ele negou que Moïse costumasse causar confusão, mas confirmou que ele parecia estar alterado no dia do assassinato. Por fim, afirmou que não tinha dívida com o congolês e que chegou ao local após ser informado por telefone sobre um desentendimento entre os funcionários.

Na sequência, o gerente do Tropicália, Jailton Pereira Campos, relatou que Moïse foi agredido e amarrado com uma corda. Ao ser questionado pelo Ministério Público sobre a dinâmica dos fatos e a ausência de um pedido de socorro imediato, o gerente justificou que estava sem telefone e não pensou em pedir ajuda no momento, descrevendo o episódio como traumático.

Durante o interrogatório, o réu Brendon Alexander Luz da Silva confirmou que amarrou a vítima, mas alegou não ter tido a intenção de matá-la e negou ter usado técnicas de jiu-jitsu para feri-la. Ele afirmou que sua intenção era imobilizar Moïse até a chegada da polícia e que tentou realizar massagem cardíaca ao perceber que ele havia desmaiado, pedindo perdão à sua mãe e à família da vítima.

Fonte: Agência Brasil

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