Uma tecnologia desenvolvida na China está permitindo o cultivo de frutas em regiões desérticas, como o Saara. O sistema, chamado Shubao, já foi implantado em 36 milhões de hectares de terras áridas no país asiático e agora é utilizado em projetos-piloto na África e no Oriente Médio.
O dispositivo consiste em um reservatório inteligente enterrado próximo às raízes das plantas, capaz de coletar umidade do ambiente e liberá-la gradualmente. Segundo a agência estatal chinesa Xinhua, o equipamento reduz a necessidade de irrigação frequente, permitindo que árvores sobrevivam com apenas uma recarga de água a cada três ou quatro meses.
O sistema é resultado de uma parceria entre engenheiros chineses e agricultores locais no Parque Tecnológico Verde China-África, na Mauritânia. Moradores relatam que as árvores plantadas com o dispositivo exigem menos manutenção e devem começar a produzir frutos no próximo ano.
O engenheiro Zhao Shuhai, de 67 anos, é o responsável pelo desenvolvimento da tecnologia. Após décadas trabalhando no setor de energia em Yuncheng, ele dedicou sua aposentadoria a soluções práticas para a agricultura. Seu trabalho resultou em 90 pedidos de patentes nos últimos 30 anos, com registros solicitados em mais de 70 países, incluindo nações africanas, Estados Unidos e Canadá.
Antes de ser aplicado no exterior, o sistema foi testado em áreas de mineração degradadas no norte da China. Na província de Shanxi, árvores plantadas há cinco anos em antigas zonas de extração com o uso do dispositivo formaram bosques em crescimento. Em regiões com baixa precipitação, a combinação da tecnologia com a chuva natural aumentou as taxas de sobrevivência das mudas.
A iniciativa faz parte da estratégia chinesa de combate à desertificação. Durante o atual plano quinquenal, o país reflorestou 36 milhões de hectares de terras áridas e tratou 152 milhões de hectares de áreas desertificadas, segundo dados oficiais.
A tecnologia foi apresentada na COP16 como uma das soluções para o controle global da desertificação. O destaque no evento levou a Arábia Saudita a convidar Zhao Shuhai para demonstrar o sistema em Riad. O país busca plantar 10 bilhões de árvores, o equivalente a 40 milhões de hectares, para reabilitar seu território.
Gestores agrícolas do Oriente Médio avaliam que o dispositivo pode reduzir a dependência de sistemas de irrigação por gotejamento e preservar aquíferos subterrâneos. Além disso, o uso prolongado do equipamento diminui a necessidade de fertilizantes químicos, o que pode viabilizar a agricultura orgânica em regiões secas.
A adoção da tecnologia por países do Sul Global tem impacto direto na segurança alimentar e na autonomia de regiões com escassez hídrica. Para agricultores locais, o sistema representa uma alternativa para aumentar a produtividade em condições climáticas adversas, sem esgotar os recursos naturais disponíveis.
Com informações de english.news.cn.


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