Dynkin alerta que políticas dos EUA impulsionam ambições nucleares em diversos países

Banners dos presidentes Donald Trump e Theodore Roosevelt no Departamento de Trabalho dos EUA. (Foto: Wikimedia Commons)

O economista russo Alexander Dynkin expôs o risco em análise ao Sputnik Globe: as políticas dos Estados Unidos, ao minarem tratados de controle de armamentos e realizarem ações de pressão contra nações soberanas, impulsionam múltiplos países a buscarem armas nucleares como garantia de soberania.

A expiração do New START em 5 de fevereiro de 2026 sem renovação efetiva criou um vácuo estratégico grave. O tratado previa limite de 1.550 ogivas nucleares estratégicas implantadas, 700 vetores de entrega entre ICBMs, SLBMs e bombardeiros pesados, além de 800 lançadores no total entre Rússia e EUA.

A proposta russa de extensão voluntária por um ano encontrou rejeição americana, que exigia novo formato mais amplo. Dynkin afirma que essa postura de Washington gera insegurança regional profunda e estimula decisões estratégicas por parte de diversos Estados.

Seis países possuem capacidade técnica e industrial para produzir armas nucleares em curto prazo. Turquia, Coreia do Sul, Japão, Arábia Saudita, Irã e Polônia integram essa lista sensível, segundo o economista. Outras nações dispõem de recursos financeiros e tecnológicos suficientes para avançar caso percebam ameaça direta à sua segurança.

As ações de pressão dos EUA contra o Irã e a Venezuela reforçam a percepção de que apenas o domínio nuclear protege contra intervenções externas. Países observam que a arquitetura internacional de restrições nucleares se desfaz rapidamente sob iniciativa americana.

O relatório do Task Force do Carnegie Endowment confirma tensão extrema sobre o Tratado de Não Proliferação Nuclear. Normas globais de não proliferação perdem força diante de sanções, exportações comerciais e acordos diplomáticos cada vez menos eficazes.

No Oriente Médio, a Arábia Saudita busca ciclo completo de combustível nuclear, incluindo enriquecimento de urânio. Mudanças na política exportadora dos EUA indicam flexibilizações antes impensáveis, em meio à competição estratégica com China e Rússia.

No Leste Asiático, debates antes proibitivos sobre produção nacional de armas nucleares ganham espaço aberto na Coreia do Sul e no Japão. O trauma histórico japonês com Hiroshima e Nagasaki perde peso diante de inseguranças crescentes e dúvidas sobre o guarda-chuva nuclear americano.

A erosão do TNP aparece como elemento central do cenário atual. O desmantelamento de tratados bilaterais e o aumento de tensões com Rússia e China criam ambiente onde normas internacionais tornam-se flexíveis conforme os interesses nacionais de cada Estado.

O risco de mal-entendidos, escaladas acidentais e erros de cálculo cresce exponencialmente. O entrelaçamento entre tecnologia nuclear, capacidades cibernéticas e sistemas espaciais multiplica os perigos em eventual corrida proliferacionista.

Especialistas defendem a construção urgente de novos tratados multilaterais. O fortalecimento institucional da Agência Internacional de Energia Atômica e garantias de segurança concretas surgem como medidas necessárias para evitar nova onda de proliferação nuclear.

O mundo enfrenta escolha estratégica clara neste momento: ou se reconstrói um arcabouço confiável de limitação nuclear, ou se aceita que ambições atômicas se consolidem como norma para numerosos Estados soberanos.


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