O Irã ameaçou não manter o Estreito de Hormuz aberto caso os EUA persistam com o bloqueio imposto aos portos iranianos.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, acusou Donald Trump de proferir uma série de afirmações falsas sobre a situação. Ghalibaf advertiu que o tráfego marítimo será rigidamente controlado por rotas designadas e exigirá autorização expressa de Teerã.
As autoridades iranianas indicaram que o canal ficará disponível para navios comerciais apenas sob regras definidas pela Autoridade Portuária iraniana. As rotas deverão ser coordenadas e previamente anunciadas.
Trump assegurou que não restam pontos de atrito pendentes para selar um acordo com o Irã. Ele garantiu, no entanto, que o bloqueio aos portos iranianos continuará até a formalização completa de todos os termos negociados.
O presidente americano anunciou que as medidas entrariam em operação plena a partir de 13 de abril. Trump alegou que a passagem pelo Estreito de Hormuz permaneceria livre para navios que não partem nem têm destino no Irã.
As declarações opostas provocaram perplexidade no cenário internacional. O Irã classificou o discurso de Trump como repleto de mentiras e citou especificamente sete alegações incorretas feitas em curto espaço de tempo.
Bagher Ghalibaf enfatizou que o estado real do estreito será definido sobre o terreno e não por postagens em redes sociais. A posição iraniana reflete o repúdio ao uso do bloqueio como instrumento de pressão contra a soberania de Teerã.
Os EUA condicionam o fim das restrições à aceitação de compromissos sobre o estoque de urânio enriquecido iraniano. Washington exige ainda garantias de que a República Islâmica nunca buscará o desenvolvimento de armas nucleares.
O Estreito de Hormuz constitui uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Aproximadamente 20% de todo o petróleo global transita diariamente por suas águas.
Qualquer interrupção ou controle rigoroso no estreito pode gerar desordem imediata nos mercados energéticos mundiais. Os preços do petróleo tendem a disparar, com impactos diretos sobre combustíveis e inflação em países dependentes de importações.
Teerã denuncia o bloqueio como ferramenta de coerção econômica para forçar concessões no programa nuclear. A tensão atual expõe as contradições entre a retórica de negociação de Washington e a manutenção de medidas punitivas contra a soberania iraniana.
A situação permanece fluida, com ambas as partes reafirmando suas posições máximas. Trump descreveu as negociações como muito próximas de uma solução satisfatória, apesar das críticas iranianas.
Conforme apurou o Al Jazeera, as divergências revelam o alto grau de desconfiança acumulada entre os dois países. Analistas alertam que uma escalada efetiva afetaria rotas globais de abastecimento e a estabilidade econômica internacional.
O controle iraniano sobre o estreito representa carta estratégica relevante nas conversações em curso. O desfecho dessa disputa terá repercussões que vão muito além da região e alcançarão os mercados de energia em todo o mundo.
Com informações de aljazeera.com.
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