O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, criticou duramente o chefe de política externa da União Europeia, acusando o bloco de duplicidade por exigir que Teerã respeite o direito internacional sem citar as ações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o país.
Baghaei publicou a resposta na rede social X. Ele apontou que a Europa aplica o discurso jurídico de forma seletiva e ignora as violações cometidas contra o povo iraniano.
O representante iraniano rejeitou a noção de passagem incondicional pelo estreito de Ormuz. Segundo ele, essa ideia deixou de valer no momento em que forças norte-americanas e israelenses introduziram ativos militares na região.
Conforme detalhou o portal Mehr News, Baghaei reforçou que o Irã, como Estado costeiro, possui o direito de adotar medidas necessárias para impedir que a via marítima seja usada em operações de agressão. Nenhuma norma internacional proíbe tal postura.
Em comunicado separado, o quartel-general Khatam al-Anbiya informou que o controle do estreito retornou ao padrão anterior de vigilância militar. A medida responde a repetidas violações cometidas pelas forças dos Estados Unidos na área.
O comando militar iraniano acusou Washington de praticar pirataria sob pretexto de bloqueio. A nota destaca que Teerã havia permitido, de boa-fé, o trânsito gerenciado de número limitado de petroleiros e embarcações comerciais.
As Forças Armadas iranianas restabeleceram o controle integral da passagem diante das infrações persistentes. Essa posição permanecerá enquanto os Estados Unidos impedirem a livre movimentação de embarcações iranianas entre portos nacionais e destinos internacionais.
O estreito de Ormuz representa uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo. Cerca de um quinto do petróleo global transita pela via, o que torna sua segurança tema permanente de tensão entre Teerã e Washington.
A reação de Baghaei expõe o desgaste nas relações entre o Irã e o bloco europeu. Teerã considera que age em defesa de sua soberania marítima diante de sanções e operações militares que buscam limitar sua capacidade de exportação de energia.
O quartel-general Khatam al-Anbiya enfatizou que a soberania sobre a passagem marítima não está aberta a negociação. Qualquer tentativa de violação será tratada como ameaça direta à segurança nacional do Irã.
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