O setor produtivo brasileiro se mobilizou contra a possibilidade de o governo isentar novamente do imposto de importação as compras realizadas em plataformas estrangeiras de e-commerce.
A medida, segundo manifesto de dezenas de entidades, colocaria em risco os avanços na geração de empregos, na arrecadação e na competitividade da indústria nacional.
A nossa cobertura anterior ajuda a compreender como a rentabilidade recente das grandes empresas influencia o debate sobre a taxa das blusinhas.
De acordo com o documento divulgado pelo portal Metrópoles, a cobrança da taxa das blusinhas permitiu recuperação expressiva do varejo e da indústria a partir de 2023. O país atingiu taxa de desemprego de 5,1% no fim de 2025.
O varejo de vestuário e calçados registrou crescimento real de 5,5% nas vendas entre agosto de 2024 e junho de 2025. Esse resultado reverteu a queda de 0,6% observada no período anterior.
Setores como eletroeletrônicos, móveis, eletrodomésticos e materiais de construção voltaram a crescer após anos de estagnação. O movimento coincidiu com a vigência da taxação sobre plataformas estrangeiras.
O Ministério do Trabalho contabilizou 860 mil novos empregos diretos no comércio e 578 mil na indústria desde 2023. A cadeia produtiva gerou ainda 1,5 milhão de vagas indiretas.
A massa salarial alcançou o recorde de R$ 367 bilhões. A renda média do trabalhador chegou a R$ 3.616 em 2025.
A arrecadação federal cresceu R$ 36,9 bilhões em 2024 apenas no comércio. O varejo e o atacado geraram R$ 246 bilhões em tributos no período.
A Receita Federal recolheu R$ 5 bilhões em imposto de importação sobre as vendas das plataformas estrangeiras. Valor equivalente foi arrecadado pelos estados via ICMS.
O fim da taxação poderia causar prejuízo anual de R$ 42 bilhões à União. As entidades apresentam essa estimativa no manifesto.
A tributação não reduziu o consumo, conforme pesquisas do Instituto Locomotiva. Apenas 12% dos consumidores deixaram de comprar em sites estrangeiros.
A maioria dos consumidores manteve ou ampliou as compras, e parte do consumo migrou para o varejo nacional. O consumidor passou a ter acesso a produtos com qualidade certificada, assistência técnica e conformidade com normas técnicas.
A isonomia tributária é apontada pelas entidades como essencial para a concorrência justa. Ela garante, segundo o manifesto, o desenvolvimento sustentável da economia nacional.
O documento destaca que a política tributária adotada inspirou outros países. México, Equador, Uruguai, Turquia, Índia e Indonésia adotaram tributação sobre importações por plataformas digitais em 2025.
A União Europeia também ampliou sua própria taxação, incluindo agora produtos de até 150 euros. A tendência global reforça o argumento das entidades signatárias.
As plataformas estrangeiras faturaram R$ 40 bilhões no período sem grandes investimentos locais. O comércio nacional, por sua vez, prevê investir R$ 100 bilhões em 2026.
Mais de 60 instituições assinam o documento, entre elas a Confederação Nacional da Indústria, a Confederação Nacional do Comércio, o Instituto para Desenvolvimento do Varejo, a União Geral dos Trabalhadores e diversas federações estaduais. O texto defende a continuidade da justiça tributária e a preservação de empregos, renda e competitividade diante da concorrência global.
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Pedro
20/04/2026
Enquanto isso, a gente aqui na rua tentando fazer corrida pra pagar gasolina e IPVA. O governo briga por causa de taxa de blusinha, mas o combustível sobe toda semana e ninguém fala nada. No fim, quem paga a conta é sempre o mesmo: o trabalhador.
Sgt Bruno 🇧🇷
20/04/2026
Selva! Isso aí é papo de comunista querendo destruir o que é nosso. Enquanto o brasileiro rala pra produzir, vem essa turma querendo dar moleza pras blusinhas da China. Tem que valorizar a indústria nacional e botar esses globalistas na lata de lixo!
Rick Ancap
20/04/2026
Ah pronto, o governo quer meter imposto até em camiseta baratinha da China pra “proteger emprego”. Protege nada, só garante mais grana pro Estado torrar. Se o mercado decidir que a blusinha de fora é melhor e mais barata, é porque o produtor aqui não tá entregando. Livre concorrência resolve, não taxação.
Jeferson da Silva
20/04/2026
Rick, fácil falar em “livre concorrência” quando não é você que tá no chão de fábrica vendo colega perder emprego porque o patrão fechou tudo pra importar bugiganga barata feita com mão de obra semi‑escrava. Proteção à indústria nacional é defender trabalhador, não privilégio de Estado.
Zé Trovãozinho
20/04/2026
Lá vem o governo querendo transformar o Brasil em uma nova Cuba do Norte, destruindo quem produz aqui pra agradar importação chinesa. Depois reclamam que não tem emprego e que a indústria some. É o caminho certo pra virar uma Venezuela de vez!
Rubens O Pescador
20/04/2026
Ô Zé Trovãozinho, Cuba nada, meu caro. Eu só lembro que quando o povo tinha carne na panela e filho na faculdade, ninguém chorava tanto por taxinha de blusinha — o Brasil produzia e consumia junto, sem esse drama todo.
Adalberto Livre
20/04/2026
AH PRONTO, AGORA QUEREM DAR PRESENTE PRA CHINÊS ENQUANTO O BRASILEIRO SE FERRA PRA PAGAR IMPOSTO! EU NÃO CONSIGO NEM COMPRAR UMA CAMISA SEM PAGAR UM RIM, MAS ESSAS PLATAFORMAS DE FORA VÃO FICAR LIVRES? É ISSO QUE DÁ ESSE PAPO DE “MERCADO LIVRE” E COMUNISMO DISFARÇADO, ACABA COM A NOSSA INDÚSTRIA!
Mariana Ambiental
20/04/2026
Adalberto, o problema não é o chinês vendendo barato, é o brasileiro sendo explorado por um sistema que protege os grandes e sufoca quem produz de verdade. Enquanto o agro e a Faria Lima seguem isentos, sobra imposto pro povo pagar.
Clarice Historiadora
20/04/2026
Engraçado ver o “setor produtivo” agora preocupado com empregos, quando passou décadas terceirizando tudo e precarizando o trabalho. O problema não é a blusinha da Shein, é a falta de política industrial e de incentivo à produção local. Ficam defendendo imposto pra esconder incompetência e dependência de importados.
Celio Fazendeiro
20/04/2026
É impressionante como esse governo insiste em premiar importação de bugiganga chinesa em vez de fortalecer quem produz aqui. O setor têxtil nacional já apanha de sobra com custo alto e burocracia, e agora querem matar de vez o pequeno fabricante. Isso é o retrato da inversão de valores: desvalorizar quem trabalha e sustenta o país.
Renato Professor
20/04/2026
Celio, o que mata o pequeno fabricante não é a concorrência chinesa, é a lógica de concentração e dependência que o próprio empresariado nacional ajudou a montar. Economia solidária não é importar bugiganga, é criar circuitos produtivos locais que dispensem tanto o Estado paternalista quanto o varejista predatório.