Pesquisadores do John Innes Center, no Reino Unido, desenvolveram um método inédito que acelera drasticamente a germinação de sementes de freixo europeu, árvore símbolo das florestas do continente.
O processo que na natureza pode levar até seis anos passou a ser concluído em cerca de uma semana em laboratório. A descoberta abre uma nova frente na luta contra o declínio da espécie, causado pela doença conhecida como ash dieback.
De acordo com o portal Phys.org, a técnica consiste em extrair cuidadosamente o embrião da semente e cultivá-lo em um meio nutritivo de ágar, eliminando a longa dormência natural do freixo. A pesquisadora Elizabeth Orton, primeira autora do estudo publicado na revista Scandinavian Journal of Forest Research, explicou que centenas de mudas já foram produzidas para experimentos e para o plantio em áreas de recuperação ambiental.
Segundo Orton, o objetivo é multiplicar rapidamente árvores resistentes ao fungo Hymenoscyphus fraxineus, responsável pela epidemia que vem devastando populações de freixos em toda a Europa. Ela destacou que o método, além de acelerar a germinação, preserva a diversidade genética das árvores, fundamental para garantir resistência a pragas e adaptação às mudanças climáticas.
O avanço já resultou em mais de duas mil mudas destinadas a testes de campo e à formação de pomares de sementes. Um dos primeiros locais beneficiados é o projeto de recuperação ambiental Wendling Beck, próximo a Dereham, em Norfolk, onde as árvores selecionadas estão sendo cultivadas para gerar novas gerações naturalmente resistentes à doença.
O estudo propõe ainda a adaptação do processo para uso doméstico, permitindo que voluntários e jardineiros contribuam com a restauração da espécie. A equipe pretende desenvolver uma versão simplificada do método, utilizando produtos acessíveis como água sanitária e ágar culinário disponíveis em lojas online.
O freixo europeu (Fraxinus excelsior) é considerado uma espécie-chave dos ecossistemas florestais, abrigando centenas de outras formas de vida. A doença do freixo foi detectada pela primeira vez no Reino Unido em 2012, também por uma pesquisadora do John Innes Center, Anne Edwards, e desde então já matou centenas de milhares de árvores, alterando profundamente a paisagem rural britânica.
Estima-se que apenas entre 5% e 10% dos freixos apresentem resistência natural ao fungo, o que torna a propagação seletiva dessas árvores uma estratégia essencial para a sobrevivência da espécie. Além da ameaça fúngica, o freixo enfrenta o risco adicional do besouro invasor Emerald Ash Borer, que já devastou populações inteiras nos Estados Unidos e pode chegar à Europa.
Os cientistas acreditam que a nova técnica poderá ser aplicada também a outras espécies arbóreas ameaçadas, como o olmo, igualmente afetado por doenças e pragas. Orton ressaltou que a combinação entre biotecnologia e engajamento comunitário pode acelerar a regeneração natural das florestas, fortalecendo a resiliência ecológica frente às pressões do aquecimento global.
Para os pesquisadores, a descoberta representa um marco na conservação florestal europeia e um modelo de inovação científica com impacto ambiental direto. A perspectiva é que em poucos anos a paisagem do continente volte a ser pontuada por freixos saudáveis, resultado de uma combinação entre ciência, colaboração internacional e restauração ecológica.
Leia também: Cientistas da UNESP comprovam que sementes de moringa removem microplásticos da água potável
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Vanessa Silva
21/04/2026
Achei incrível ver a ciência ajudando a natureza de forma concreta. Se conseguirem restaurar áreas degradadas com mais rapidez, isso muda o jogo para o manejo sustentável das florestas. É esse tipo de inovação que mostra como pesquisa e planejamento ambiental andam juntos.
Evelyn Olavo
21/04/2026
Incrível ver a ciência ajudando a natureza de forma tão direta. Se conseguirem restaurar as florestas de freixos, é um passo enorme contra os danos causados por pragas e mudanças climáticas. Boa notícia em meio a tanto desmatamento e descuido ambiental.
Alice T.
21/04/2026
Enquanto isso, os mesmos bilionários que dizem “amar a natureza” seguem lucrando com desmatamento e greenwashing em cima de projetos assim. A ciência corre pra restaurar o que o capitalismo destrói em décadas. Bonito ver avanço, mas seria ótimo ver também responsabilidade real de quem causa o estrago.
Silvia D.
21/04/2026
Que notícia inspiradora! A ciência mostrando, mais uma vez, que é possível restaurar ecossistemas com pesquisa séria e inovação. É esse tipo de avanço que precisamos valorizar — ciência aplicada para cuidar da vida e do planeta.
Rick Ancap
21/04/2026
Legal ver a ciência resolvendo o que o Estado nunca consegue: eficiência. Se deixassem o mercado cuidar das florestas, já teríamos reflorestamento em larga escala há décadas. Impressionante como a iniciativa privada sempre chega primeiro.
Zizi
21/04/2026
Ah, meu caro Rick, se o mercado cuidasse das florestas, já teríamos vendido cada árvore em suaves prestações. Foi o Estado e a ciência pública que salvaram o que sobrou — os meninos do lucro só aparecem pra posar de salvadores depois.
Mariana Ambiental
21/04/2026
Que bom ver a ciência trabalhando para restaurar florestas, em vez de só inventar formas de explorar mais rápido. Recuperar freixos é devolver vida a ecossistemas inteiros que o agronegócio e a urbanização destruíram. Agora falta vontade política pra aplicar isso em larga escala, não só em laboratório.
Tadeu
21/04/2026
Legal ver avanço na área ambiental, mas sinceramente isso não muda nada no bolso de ninguém. Enquanto não resolverem inflação e juros altos, floresta europeia pode florescer à vontade que aqui o investidor continua penando.
Francisco de Assis
21/04/2026
Rapaz, que notícia boa de ver! A ciência trabalhando pela vida e pelo verde é o tipo de avanço que inspira. Enquanto uns ainda negam a importância do meio ambiente, outros estão reconstruindo o futuro com pesquisa e solidariedade com a natureza. É esse espírito soberano de cuidar da Terra que o Brasil também precisa cultivar cada vez mais.
Carlos A. Mendes
21/04/2026
Legal ver a ciência ajudando a natureza de forma prática. Se conseguirem mesmo restaurar as florestas, já é um baita avanço. Pena que por aqui a gente ainda brigue pra não derrubar o que resta.
Clarice Historiadora
21/04/2026
Enquanto isso, tem gente por aqui achando que ciência é “ideologia”. Olha aí o resultado do investimento em pesquisa séria: tecnologia capaz de restaurar ecossistemas inteiros! Se o Brasil valorizasse minimamente seus institutos florestais, já estaríamos recuperando a Mata Atlântica com o mesmo fôlego.
Marcos Conservador
21/04/2026
Daqui a pouco vão dizer que até plantar árvore é ato revolucionário. Tudo é “ciência salvadora”, mas ninguém fala do custo disso nem do risco de brincar de Deus com a criação. Floresta se restaura com trabalho e respeito à natureza, não com laboratório cheio de ideologia verde.
Renato Professor
21/04/2026
Marcos, o problema é que esse “respeito à natureza” que você menciona virou desculpa para não entender como a natureza realmente funciona. A ciência não brinca de Deus — ela apenas revela que o Criador, se existir, trabalha com dados, não com achismos.