A trégua entre os Estados Unidos e o Irã chegou ao fim sem que novas negociações fossem confirmadas. A expectativa de um encontro entre as delegações em Islamabad, no Paquistão, não se concretizou.
Trump havia afirmado que o vice-presidente JD Vance já estaria a caminho do Paquistão. Correspondentes da emissora ARD em Islamabad desmentiram essa informação, conforme reportagem do portal alemão Tagesschau.
A viagem de aproximadamente 18 horas tornava improvável qualquer reunião imediata. Isso elevou o risco de retomada dos combates entre as duas nações.
A agência AP informou que tanto Washington quanto Teerã indicaram que suas delegações seguiriam para o Paquistão. JD Vance e o presidente do Parlamento iraniano Mohammed Bagher Ghalibaf liderariam as respectivas equipes.
Ghalibaf declarou que a República Islâmica não aceitaria negociações sob ameaças. Ele acusou os Estados Unidos de buscarem uma capitulação iraniana e advertiu que Teerã está preparado para responder no campo militar.
O correspondente Markus Spieker, da ARD, caracterizou a situação como um confronto simbólico. Os dois lados estariam testando os limites um do outro antes de qualquer diálogo substantivo.
O principal ponto de discórdia envolve a presença da marinha americana na rota estratégica do Estreito de Ormuz. O Irã considera a interdição ao seu tráfego naval por ali um ato de guerra.
Trump disse à Bloomberg que considera altamente improvável a prorrogação da trégua. Ele ameaçou o Irã com ataques em grande escala caso o cessar-fogo expirasse sem acordo.
Em entrevista à CNBC, Trump afirmou que os Estados Unidos ocupam uma posição vantajosa nas conversações. O presidente americano ainda acusou o Irã de violar repetidamente a pausa militar por meio de sua plataforma Truth Social.
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu a participação do Irã nas conversas de Islamabad. Wadephul afirmou que Teerã deveria buscar uma solução negociada para o conflito, que já dura quase dois meses.
As tentativas iniciais de diálogo entre os dois países ocorreram no Paquistão há pouco mais de uma semana. Aquelas discussões terminaram sem qualquer progresso concreto.
O conflito teve início em 28 de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra alvos iranianos. A República Islâmica revidou com mísseis e drones direcionados a instalações israelenses, bases americanas e nações do Golfo Pérsico.
Com o término da trégua e a ausência de garantias diplomáticas, o temor de uma escalada direta entre Washington e Teerã se intensifica. O impasse no Estreito de Ormuz, essencial para o fluxo global de petróleo, amplia os riscos para a estabilidade de todo o Oriente Médio.
Leia também: Irã intercepta navios no Estreito de Ormuz e acusa EUA de violar trégua
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