Guerra contra o Irã expõe divisões profundas na União Europeia

Ilustração editorial sobre Guerra contra o Irã expõe divisões profundas na União Europeia. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

A ofensiva militar lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã revelou divisões profundas na União Europeia, demonstrando a enorme dificuldade do bloco para definir uma posição comum diante do conflito.

O presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, evocou o histórico não à guerra. Ele afirmou que não se pode responder a uma ilegalidade com outra ilegalidade.

A França, a Alemanha e o Reino Unido evitaram condenar os bombardeios iniciais. Esses países pediram que o Irã buscasse uma solução negociada para o impasse.

Como registrou o portal RT em sua análise da crise, a fragmentação diplomática ficou evidente desde os primeiros dias. A divisão não ficou apenas no campo retórico e logo se traduziu em medidas concretas.

A Espanha recusou-se a colaborar com a ofensiva e limitou o uso de suas bases militares pelos Estados Unidos. A Alemanha e o Reino Unido permitiram o emprego de suas infraestruturas nas operações contra o território iraniano.

A França e a Itália se engajaram em missões navais no estreito de Ormuz. O fechamento parcial dessa rota elevou os preços do petróleo e do gás natural.

Essa alta pressionou os custos energéticos em todo o continente europeu, com impactos assimétricos. Os Estados com maior dependência de importações enfrentaram choques mais severos, enquanto outros amorteceram o efeito com reservas ou matrizes diversificadas.

A Espanha, a Alemanha, a Itália, a Áustria e Portugal propuseram à Comissão Europeia a criação de um imposto comunitário sobre lucros extraordinários das empresas energéticas. A presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, rejeitou a ideia e defendeu que cada Estado agisse de forma autônoma.

A Comissão Europeia advertiu o governo espanhol que a redução do IVA sobre combustíveis violava as normas comunitárias. Madri considerou a medida uma resposta legítima à crise provocada pela guerra.

O pacote de medidas apresentado pela Comissão foi avaliado como tímido e genérico. As propostas careciam de instrumentos eficazes para enfrentar a crise energética e suas ramificações políticas.

A sugestão de um dia obrigatório de teletrabalho para reduzir o consumo energético foi rapidamente abandonada. A falta de consenso e as dúvidas jurídicas impediram a implementação da iniciativa.

O Parlamento Europeu questionou a capacidade do bloco de reagir com agilidade a crises externas. As divergências em política externa e as desigualdades econômicas ficaram evidentes mais uma vez.

A agressão contra o Irã não promoveu a unidade europeia esperada por alguns líderes. O conflito destacou a fragilidade estrutural do projeto de integração do continente.

Essas tensões abrangem desde a diplomacia até a regulação fiscal e energética. A União Europeia enfrenta um dilema entre lealdade a aliados históricos e a defesa do direito internacional.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Conflito no Irã dispara preço do querosene e ameaça voos na Europa


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