Israel determinou a evacuação imediata de moradores de sete cidades no sul do Líbano, em nova escalada do conflito com o Hezbollah.
A medida atinge áreas situadas além da chamada “zona de segurança” de 10 quilômetros ao norte da fronteira, criada unilateralmente pelo governo israelense. Isso ocorre apesar do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos que entrou em vigor em 16 de abril.
Segundo o portal Al Jazeera, o porta-voz militar israelense afirmou que o Hezbollah estaria violando o cessar-fogo. Ele advertiu que as forças israelenses continuarão a agir contra o grupo.
O comunicado orientou os civis libaneses a se deslocarem para o norte e o oeste. Aviões e artilharia intensificaram ataques em localidades próximas ao rio Litani.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu declarou em reunião de gabinete que as ações do Hezbollah estariam “desmantelando o cessar-fogo”. Ele reiterou que a prioridade de seu governo é “a segurança de Israel, de seus soldados e comunidades”, justificando as operações em território libanês.
O Hezbollah rejeitou as acusações e afirmou que suas ofensivas são uma resposta legítima às mais de 500 violações cometidas por Israel desde o início da trégua. Em comunicado divulgado no Telegram, o grupo ressaltou que não participou das negociações do cessar-fogo e que não apostará “em uma diplomacia fracassada que já demonstrou sua ineficácia”.
A correspondente da Al Jazeera em Tiro, Heidi Pett, relatou que “múltiplos ataques aéreos” atingiram a região, provocando nova onda de deslocamentos. Milhares de pessoas fugiram para as cidades de Sidon e Tiro, ampliando o número de civis desabrigados, que já ultrapassa centenas de milhares desde 2 de março, data em que os combates foram retomados.
O Hezbollah informou ter atacado posições israelenses no interior do Líbano, incluindo uma base de artilharia recém-instalada na cidade de Biyyada, atingida por um enxame de drones. O grupo também reivindicou ataques com drones contra soldados israelenses em Taybeh, alegando haver baixas entre as tropas adversárias.
O Exército israelense confirmou a morte do sargento Idan Fooks, de 19 anos, durante combates no sul do Líbano, além de cinco feridos. Em nota, as Forças de Defesa de Israel afirmaram ter atingido “infraestruturas militares do Hezbollah usadas para planejar ataques”.
O cessar-fogo mediado por Washington entrou em vigor em 16 de abril e foi prorrogado até meados de maio, mas as trocas de fogo entre os dois lados continuaram esporadicamente. Desde 2 de março, o Ministério da Saúde do Líbano contabiliza mais de 2.500 mortos e cerca de 7.700 feridos em consequência dos ataques israelenses.
Com informações de Al Jazeera.
Leia também: Israel bombardeia Beirute e sul do Líbano enquanto Hezbollah anuncia ofensiva contra o país
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