Pesquisa genética redefine origem da espécie humana: Homo sapiens nasceu de várias populações africanas interligadas

Imagem conceitual de figuras humanas em sequência, representando a evolução da espécie. (Foto: sciencedaily.com)

Uma ampla análise genética conduzida por cientistas da Universidade da Califórnia em Davis revelou um novo cenário para a origem dos humanos modernos. O estudo indica que o Homo sapiens não surgiu de uma única população ancestral, mas de várias comunidades interconectadas espalhadas pela África que trocaram genes ao longo de centenas de milhares de anos.

A pesquisa foi publicada na revista Nature e repercutida pelo ScienceDaily. O estudo comparou dados genéticos de populações africanas atuais com fósseis de antigos Homo sapiens.

O resultado substitui a ideia de uma árvore genealógica simples por uma rede complexa de ramificações conectadas. As diferenças genéticas surgiram gradualmente, sem isolamento total entre os grupos.

A professora de antropologia e pesquisadora do Centro de Genoma da Universidade da Califórnia em Davis, Brenna Henn, explicou que a incerteza sobre as origens humanas decorre da escassez de fósseis e de genomas antigos. Ela destacou que o novo modelo altera profundamente a compreensão sobre o surgimento da espécie, mostrando que a evolução humana foi um processo de mistura contínua entre populações africanas.

O trabalho foi co-liderado por Simon Gravel, da Universidade McGill, e incluiu dados genéticos de regiões do sul, leste e oeste da África. O estudo testou diferentes hipóteses sobre a evolução e a migração de grupos humanos, buscando conciliar modelos genéticos e achados fósseis.

Um dos elementos centrais da pesquisa foi o sequenciamento de 44 genomas inéditos de indivíduos Nama, uma população indígena do sul da África conhecida por sua alta diversidade genética. As amostras de saliva foram coletadas entre 2012 e 2015, permitindo aos cientistas avaliar se a origem humana se ajustava melhor a um modelo de fonte única ou a um sistema mais interligado.

Os resultados indicaram que a primeira divisão detectável entre populações humanas ocorreu há cerca de 120 mil a 135 mil anos. Antes dessa separação, duas ou mais populações de Homo sapiens já trocavam genes de forma contínua — o que os pesquisadores denominaram “tronco fracamente estruturado” — e, mesmo após a divergência, a mobilidade e o cruzamento entre grupos continuaram moldando a diversidade genética moderna.

Esse modelo em rede ajuda a explicar melhor a variação genética atual sem recorrer à hipótese de cruzamentos extensos com espécies arcaicas desconhecidas. Para Henn, a pesquisa representa um avanço significativo na antropologia, pois testa ideias que nunca haviam sido verificadas empiricamente.

O professor de antropologia da Universidade da Califórnia em Davis, Tim Weaver, colaborou com a análise de fósseis e afirmou que o estudo muda a forma como os cientistas devem interpretar modelos anteriores. Ele observou que fósseis de aparência distinta, como o Homo naledi, provavelmente não contribuíram diretamente para a linhagem do Homo sapiens moderno.

Os autores calcularam que apenas entre 1% e 4% das diferenças genéticas entre populações atuais podem ser atribuídas à variação entre esses antigos troncos populacionais. Isso sugere que os primeiros humanos eram fisicamente semelhantes entre si, reforçando a hipótese de uma origem compartilhada e distribuída por todo o continente africano.

Pesquisas posteriores ampliaram essas conclusões: um estudo publicado na Nature Ecology & Evolution identificou 9 mil anos de continuidade genética no extremo sul da África. Outro artigo na Nature analisou genomas de 28 indivíduos antigos da região, revelando variantes únicas do Homo sapiens relacionadas à adaptação local.

O estudo principal contou ainda com a participação de Aaron Ragsdale, da Universidade de Wisconsin-Madison, Elizabeth Atkinson, do Baylor College of Medicine, e das pesquisadoras Eileen Hoal e Marlo Möller, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul. A pesquisa consolida uma visão mais complexa da nossa origem, demonstrando que a humanidade emergiu de múltiplas populações africanas mantidas em contato permanente por séculos de intercâmbio genético.


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.

if(!email) { responses.innerHTML = "Por favor, insira um e-mail válido."; return; }

button.innerText = "Enviando..."; button.style.opacity = "0.7"; button.disabled = true; responses.innerHTML = "";

// Transforma a action nativa em endpoint JSONP e anexa os dados var formAction = this.action.replace('/post?', '/post-json?'); var formData = new FormData(this); var url = formAction;

for (var pair of formData.entries()) { url += "&" + encodeURIComponent(pair[0]) + "=" + encodeURIComponent(pair[1]); }

var script = document.createElement('script'); var callbackName = 'mailchimpCallback' + new Date().getTime(); window[callbackName] = function(data) { button.innerText = "ASSINAR"; button.style.opacity = "1"; button.disabled = false;

if (data.result === 'success') { responses.innerHTML = "✅ Inscrição confirmada com sucesso! Bem-vindo(a) ao O Cafezinho."; document.getElementById('mce-EMAIL-ajax').value = ''; } else { var msg = data.msg || ""; if(msg.includes('is already subscribed')) { msg = "⚠️ Este e-mail já está assinado na nossa newsletter."; } else if(msg.includes('too many')) { msg = "⚠️ Muitas tentativas. Tente novamente mais tarde."; } else if(msg.includes('domain')) { msg = "⚠️ O domínio do e-mail é inválido."; } else { msg = "⚠️ Erro: " + msg; } msg = msg.replace(/^[0-9]+\s-\s/, ''); responses.innerHTML = "" + msg + ""; } delete window[callbackName]; document.body.removeChild(script); };

url = url + '&c=' + callbackName; script.src = url; document.body.appendChild(script); });

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.