A Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) apresentou um plano ambicioso para consolidar a propulsão nuclear no espaço e estabelecer uma base permanente na Lua até 2036. O projeto inclui o lançamento da espaçonave SR-1 Freedom, movida por energia nuclear, com destino a Marte em dezembro de 2028, e a construção do primeiro reator lunar, o Lunar Reactor-1, previsto para 2030, segundo detalhou o portal Nuclear Newswire.
O administrador da NASA, Jared Isaacman, afirmou que as iniciativas respondem diretamente à ordem executiva assinada em dezembro de 2025 pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, que determinou o retorno de astronautas americanos à Lua até 2028 e a criação de uma economia espacial comercial robusta.
Isaacman classificou o SR-1 Freedom como uma “solução de 70%”, projetada para provar a viabilidade da propulsão nuclear elétrica no espaço profundo. Ele destacou que o programa marca o início de uma cadência contínua de missões interplanetárias, rompendo com o padrão de projetos isolados que caracterizou a NASA nas últimas décadas.
O engenheiro Steve Sinacore, executivo do programa de energia nuclear de superfície da NASA, explicou que o SR-1 Freedom representa a culminação de US$ 20 bilhões ao longo de 60 anos de pesquisa em tentativas frustradas de levar reatores ao espaço. O único precedente, o SNAP-10A, lançado em 1965, falhou após 43 dias devido a uma pane não nuclear.
Sinacore afirmou que a nova missão se diferencia por limitar seu escopo ao uso de tecnologias já dominadas, com o reator como o único sistema inédito, garantindo o cumprimento da janela de lançamento de 2028.
Com potência de 20 kWe, o reator utilizará combustível de urânio de baixo enriquecimento (HALEU), sistema de conversão de calor Brayton fechado e radiadores de titânio ultraleves para dissipação térmica.
A espaçonave terá propulsores elétricos de até 48 kW e levará um módulo denominado Skyfall, composto por três helicópteros autônomos projetados para explorar Marte.
Esses veículos, segundo Nicola Fox, administradora associada da diretoria científica da NASA, serão semelhantes ao Ingenuity, que realizou 72 voos bem-sucedidos no planeta vermelho entre 2021 e 2024. Ela explicou que os drones terão câmeras e radares de penetração no solo para mapear depósitos de gelo e avaliar locais seguros para futuras missões humanas.
O cronograma prevê a conclusão do design e início da fabricação em junho de 2026, com montagem e testes entre janeiro e outubro de 2028. A viagem até Marte levará cerca de um ano, e o reator será ativado 48 horas após o lançamento.
Sinacore afirmou que os dados coletados pelo SR-1 Freedom serão fundamentais para o desenvolvimento do Lunar Reactor-1, que servirá como fonte de energia e aquecimento para a futura base lunar. Ele estima que, na década de 2030, a NASA passará a produzir reatores de centenas de quilowatts a megawatts para missões de longa duração e uso comercial.
O vice-gerente do Programa Gateway, Carlos Garcia-Galan, revelou que o projeto da estação orbital lunar foi temporariamente suspenso para concentrar recursos na construção da base permanente. Agora como executivo do programa lunar, ele explicou que o foco será o polo sul da Lua, especialmente a cratera Shackleton, onde a luz solar é escassa e a energia nuclear é essencial para manter os sistemas durante a longa noite lunar.
Garcia-Galan afirmou que “cada ativo e cada quilograma de recursos de exploração lunar” será direcionado para essa meta, priorizando a autossuficiência energética e a sobrevivência em ambientes extremos.
A NASA estruturou o plano lunar em três fases. Fase 1 (2026-2028): cerca de 20 lançamentos, envio de 4 toneladas de carga e investimento de US$ 10 bilhões. Essa etapa testará veículos, sistemas de navegação e unidades de aquecimento radioisotópico.
A Fase 2 (2029-2032) ampliará a infraestrutura com 27 lançamentos, 60 toneladas de carga e dois voos tripulados por ano, também com aporte de US$ 10 bilhões. Já a Fase 3 (2033-2036) elevará a entrega a 150 toneladas de carga, consolidando uma presença humana contínua e reatores de maior potência na superfície lunar.
Garcia-Galan enfatizou que o programa de energia nuclear de superfície fornecerá sistemas adicionais na terceira fase, ampliando a capacidade de geração e permitindo a instalação de múltiplos habitats.
Ao ser questionado sobre cortes orçamentários, Isaacman admitiu que parte dos recursos virá da reestruturação do programa Gateway e da integração de tecnologias já desenvolvidas. Ele afirmou que a NASA está reorganizando suas diretorias para garantir que cada componente contribua para os objetivos estratégicos da política espacial nacional, centrada na base lunar e na propulsão nuclear.
Enquanto isso, o projeto Dragonfly, um helicóptero nuclear do tamanho de um carro destinado a explorar Titã, lua de Saturno, segue dentro do cronograma para lançamento em 2028. O veículo, que já passou pela revisão crítica de design em 2025, iniciará testes de integração ainda neste ano.
Nicola Fox explicou que o Dragonfly será o primeiro equipamento científico a explorar múltiplos locais em outro mundo, investigando as origens químicas da vida e a habitabilidade do satélite.
O avanço simultâneo de SR-1 Freedom, Lunar Reactor-1 e Dragonfly sinaliza que a NASA transformou propulsão nuclear e presença lunar permanente em prioridade estratégica central. Para quem acompanha a corrida espacial, o recado é claro: a próxima década será definida por quem dominar energia de alto rendimento fora da Terra.
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