Uma nova pesquisa publicada na revista Nature revelou indícios de uma migração humana até então desconhecida para a América do Sul, ocorrida por volta de 720 d.C.
O estudo identificou traços genéticos associados a povos indígenas da Australásia — região que abrange a atual Austrália e ilhas do Pacífico — em amostras de DNA de comunidades indígenas sul-americanas. De acordo com o South China Morning Post, os cientistas concluíram que parte significativa da ancestralidade presente nesses povos não se originou exclusivamente dos primeiros grupos que cruzaram o estreito de Bering há cerca de 15 mil anos.
Essa descoberta sugere uma rede de migrações e contatos genéticos muito mais complexa do que o consenso científico admitia até agora. Os pesquisadores destacaram que o achado não implica uma migração direta da Australásia para o continente americano.
As evidências apontam para a existência de uma antiga “população fantasma” — um grupo intermediário que teria contribuído geneticamente para comunidades indígenas da Amazônia. Esse grupo não deixou registros arqueológicos claros de sua passagem.
Essa hipótese reforça a ideia de que as rotas migratórias humanas foram múltiplas e interconectadas, envolvendo populações de diferentes origens e períodos históricos. O modelo tradicional, que sustentava o povoamento das Américas por duas grandes ondas migratórias vindas da Ásia, passa a ser insuficiente para explicar toda a diversidade genética observada no continente.
Os dados analisados mostram semelhanças surpreendentes entre os novos migrantes identificados geneticamente e populações indígenas da Oceania. Isso levanta questões sobre possíveis rotas marítimas antigas ou interações indiretas mediadas por grupos asiáticos que teriam servido de elo entre os dois extremos do mundo.
Essa conexão genética sugere que povos ancestrais mantinham uma capacidade de deslocamento e adaptação muito maior do que se supunha. Para a comunidade científica, a descoberta representa um avanço significativo na compreensão da história humana global.
Os autores ressaltaram que o trabalho ainda está em andamento e que novas amostras de DNA poderão ajudar a identificar com mais precisão a origem e o percurso dessa população misteriosa. O objetivo central é compreender como esses fluxos genéticos moldaram a diversidade cultural e biológica dos povos sul-americanos contemporâneos.
Além de expandir o conhecimento sobre a ocupação das Américas, a pesquisa destaca o papel da Ásia e da Oceania nas trocas humanas antigas, reforçando a visão de um mundo interligado muito antes da globalização moderna. A descoberta abre caminho para uma revisão profunda dos modelos migratórios estabelecidos e promete alimentar debates científicos por anos.
Com informações de SCMP.
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