O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reagiu com ironia ao anúncio do Irã sobre o fechamento do estreito de Ormuz, classificando a medida de “estranha”. Em publicação na sua rede Truth Social, Trump afirmou que o bloqueio naval imposto por Washington já havia, na prática, interrompido o tráfego na rota — tornando o gesto de Teerã, segundo ele, redundante.
Trump declarou ainda que o Irã estaria prejudicando a si mesmo com a decisão. O presidente americano afirmou que a República Islâmica perderia cerca de 500 milhões de dólares por dia com a medida — uma estimativa do próprio Trump — e sustentou que os Estados Unidos não sofreriam impacto econômico relevante.
O portal RT cobriu a declaração do presidente americano e registrou que Trump respondeu ao anúncio iraniano, não a um bloqueio já em operação. A distinção entre uma ameaça formal e um fechamento efetivo da via marítima é central para compreender o episódio.
O estreito de Ormuz, situado entre o Irã e Omã, é o principal corredor de exportação de petróleo do Golfo Pérsico. Pela rota passa aproximadamente um quinto do petróleo comercializado no mundo, e qualquer interrupção real em seu funcionamento eleva imediatamente a volatilidade dos preços internacionais.
O contexto da declaração iraniana é o de escalada nas tensões com Washington, marcada por sanções americanas e movimentações militares dos EUA na região. O governo de Teerã tem reiterado que suas ações visam proteger a segurança nacional diante do que descreve como guerra econômica conduzida por Washington por meio de sanções unilaterais.
A resposta de Trump, ao minimizar publicamente o anúncio iraniano, segue o padrão de sua política externa de confronto retórico direto. Ao afirmar que o bloqueio dos EUA já havia “fechado” Ormuz antes mesmo de qualquer ação de Teerã, o presidente americano buscou reafirmar a narrativa de que Washington mantém controle sobre as rotas estratégicas do petróleo.
O estreito tem sido palco de disputas geopolíticas desde a década de 1980, e cada nova crise envolvendo sua operação repercute nos mercados globais de energia. A declaração iraniana, independentemente de sua efetivação, já foi suficiente para reacender o debate sobre o equilíbrio de forças no Golfo Pérsico e a capacidade de Teerã de usar sua posição geográfica como instrumento de pressão diplomática.
A troca de declarações entre Washington e Teerã em torno de Ormuz ilustra a dinâmica de uma crise que combina retórica de alto impacto com movimentos militares e econômicos reais. A confirmação — ou não — do fechamento efetivo do estreito determinará a gravidade concreta do impacto sobre o mercado global de energia.
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