Ataques ucranianos a refinarias russas levam Moscou a ameaçar diretamente a Europa

Imagem de satélite mostra fumaça preta e chamas em uma instalação de petróleo na Rússia após ataques de drones. (Foto: aljazeera.com)

Uma onda de ataques de longo alcance da Ucrânia contra refinarias e terminais de petróleo russos gerou nova escalada diplomática, com Moscou alertando que a Europa se tornou retaguarda estratégica de Kiev nessa ofensiva.

A advertência surgiu após a assinatura de acordos entre o governo ucraniano e empresas de defesa europeias para ampliar a produção de drones e mísseis de precisão. O ex-presidente russo Dmitry Medvedev classificou as empresas europeias envolvidas como potenciais alvos das forças armadas da Rússia.

Conforme detalhou o Al Jazeera, a Alemanha destinou 300 milhões de euros para fortalecer a capacidade de ataque de longo alcance de Kiev e adquirir 5 mil drones de médio alcance. Noruega, Holanda e Bélgica contribuíram com quase 900 milhões de euros para a produção e o fornecimento de drones ao front ucraniano.

Os ataques intensificados no final de março e no início de abril atingiram plataformas de perfuração, oleodutos, terminais e refinarias em Volgogrado, Krasnodar e Bashkortostan. Instalações como os terminais de Primorsk e Ust-Luga no Báltico, o porto de Tuapse no Mar Negro e Feodosia na Crimeia foram diretamente impactadas.

Essas ações reduziram drasticamente a capacidade de exportação de petróleo da Rússia. Segundo a Reuters, os ataques provocaram a perda de cerca de 40 por cento dos lucros extraordinários estimados em 23 bilhões de dólares registrados em março.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que os ataques de longo alcance se tornaram rotina nas operações militares de seu país. Ele defendeu que apenas perdas financeiras expressivas poderiam obrigar Moscou a repensar a continuação do conflito.

A indústria de defesa ucraniana multiplicou sua capacidade de produção em mais de 50 vezes desde o início da invasão em larga escala. O ministro da Defesa da Ucrânia, Rustem Umerov, ressaltou que o país fabrica agora dezenas de modelos diferentes de drones e mísseis.

O analista militar ucraniano Serhiy Beskrestnov, conhecido como Flash, apontou as dificuldades russas para proteger seu extenso território. Ele divulgou imagens de sistemas antiaéreos improvisados instalados sobre caminhões.

Analistas do Instituto para o Estudo da Guerra, sediado em Washington, observaram que a Rússia ainda não conta com defesas móveis ou interceptores de baixo custo contra ataques em massa de drones. Essa vulnerabilidade permite que a Ucrânia atinja alvos a mais de mil quilômetros de distância.

Os danos mais graves ocorreram nos terminais de Primorsk e Ust-Luga. Imagens de satélite revelaram redução de 40 por cento e 30 por cento na capacidade de armazenamento nesses locais, respectivamente.

Fontes do setor marítimo relataram forte queda no fluxo de navios, que passou de dezenas por semana para embarcações isoladas. Mesmo tentativas de retomada das operações foram frustradas por novos bombardeios.

A estratégia de Kiev busca enfraquecer a máquina de guerra russa ao cortar suas receitas de exportação de energia. Essa abordagem altera o equilíbrio estratégico do conflito em favor das forças ucranianas.

O alerta russo coloca a Europa diante de um sério dilema sobre seu apoio contínuo a Kiev. A menção a empresas europeias como alvos potenciais indica que o conflito pode se expandir para além das fronteiras ucranianas.


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