Lavrov coordena com chanceler iraniano plano diplomático para frear ataques de EUA e Israel

Ilustração editorial sobre Lavrov coordena com chanceler iraniano plano diplomático para frear ataques de EUA e Israel. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, manteve uma longa conversa telefônica com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, para debater passos concretos capazes de pôr fim às agressões permanentes dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica. Os chanceleres trocaram impressões sobre propostas iranianas que buscam deter a escalada militar promovida por Washington e Tel Aviv.

Araghchi descreveu a Lavrov um pacote que inclui apelos formais ao Conselho de Segurança da ONU, mobilização de países do Sul Global e iniciativas humanitárias destinadas a proteger infraestrutura civil. Conforme detalhou o portal Actualidad RT, Lavrov qualificou as ideias como «passos pragmáticos», reiterou o reconhecimento russo ao direito iraniano de autodefesa e sinalizou que Moscou utilizará seu assento permanente na ONU para travar resoluções que legitimem novas ações militares dos EUA ou de Israel.

Na leitura das duas capitais, a política de «pressão máxima» reativada por Washington, somada aos recentes ataques seletivos israelenses, viola a Carta das Nações Unidas e ameaça a estabilidade das rotas estratégicas como o Golfo Pérsico, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Moscou lembrou ainda que a multiplicação de sanções unilaterais norte-americanas contra Teerã já impacta os mercados de energia e eleva custos para economias em desenvolvimento, argumento que deve ser explorado para ampliar o bloco de países críticos às medidas coercitivas.

O diálogo também abordou a entrada do Irã no BRICS, movimento que, segundo Araghchi, amplia a capacidade de Teerã de buscar soluções multilaterais fora da órbita do dólar e de redesenhar cadeias comerciais menos vulneráveis ao controle financeiro dos EUA. Analistas em Moscou apontam que a convergência russo-iraniana se fortalece no eixo defesa-energia, mas agora assume contornos abertamente diplomáticos, com a intenção de construir barreiras políticas que evitem um conflito aberto de grandes proporções.

Fontes do Ministério das Relações Exteriores da Rússia indicam que Lavrov avalia levar as denúncias iranianas de agressão a fóruns ampliados do G20, colocando em xeque a narrativa ocidental que costuma restringir o tema a um suposto desafio nuclear, enquanto ignora violações de soberania praticadas por Israel. Do lado iraniano, as autoridades reforçam que os bombardeios de infraestrutura civil e a pressão econômica já causam milhares de vítimas indiretas, tema que ganhará destaque em novo relatório que Teerã prepara para organismos humanitários internacionais.

Especialistas em energia lembram que qualquer choque no Estreito de Ormuz, rota vizinha às fronteiras iranianas, poderia adicionar dezenas de dólares ao barril de petróleo, afetando duramente economias europeias que dependem de importações, o que adiciona peso às advertências feitas por Lavrov. Israel, por sua vez, mantém operações que justificam como preventivas, mas o governo russo alerta que ataques extraterritoriais sem autorização da ONU configuram grave precedente e alimentam a instabilidade regional em um momento de realinhamento do mercado global de segurança.

As duas chancelarias concordaram em convocar nas próximas semanas uma rodada ampliada de consultas com China e parceiros do BRICS, na expectativa de apresentar uma frente diplomática que pressione por cessar-fogo e pelo respeito pleno à soberania iraniana. Ao final da ligação, Lavrov reiterou que a multipolaridade será consolidada com mecanismos que desmontem a lógica de «ataque primeiro e explique depois» adotada pelos EUA, sinalizando que Moscou e Teerã apostarão na arena política antes de recorrer a respostas militares, mas sem abdicar do princípio de defesa legítima.


Leia também: Lavrov e Araghchi criticam bloqueio dos EUA e defendem trégua no Golfo Pérsico


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