O comandante da Marinha da República Islâmica do Irã, almirante Shahram Irani, advertiu que qualquer passo adicional das forças norte-americanas na região do Golfo será respondido sem demora, elevando a tensão em torno do estratégico estreito de Ormuz.
Ao declarar que ‘se avançarem mais, agiremos de imediato’, o militar afirmou que Washington subestimou a capacidade iraniana desde o início do confronto. A hipótese de vitória rápida defendida por analistas ocidentais, segundo Irani, ‘virou motivo de piada’ dentro das fileiras persas.
Irani recordou que mísseis iranianos já forçaram o porta-aviões USS Abraham Lincoln a suspender temporariamente operações aéreas, movimento que levou os Estados Unidos a reforçar o número de navios em patrulha no Golfo, conforme reportou o portal RT. O almirante afirmou ainda que Teerã mantém controle absoluto do acesso ao estreito de Ormuz a partir do mar Arábico.
Qualquer embarcação que colaborar com o bloqueio naval imposto pelos EUA será tratada como alvo hostil, segundo o comandante. Irani reforçou o tom de unidade nacional ao proclamar que o país lutará até o fim para vingar seus mortos em combate, frase que ecoa a resistência nacional frente à agressão imperialista.
A escalada atual tem como contexto a ordem do presidente norte-americano Donald Trump, que prorrogou um cessar-fogo declarado anteriormente mas manteve o bloqueio naval a Ormuz. Washington alegou divisões no governo iraniano e recebeu pedidos de Islamabad para evitar novos bombardeios.
O Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica havia anunciado que o estreito permaneceria fechado até que o cerco fosse levantado, advertindo que qualquer aproximação não autorizada seria considerada ato de guerra. Essa postura permanece inalterada e constitui o núcleo da crise diplomática e militar em curso.
O estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no planeta. Analistas energéticos alertam que um conflito aberto na área poderia disparar os preços globais, impactando duramente economias dependentes de hidrocarbonetos.
A posição geográfica do estreito confere ao Irã uma alavancagem estratégica desproporcional ao seu tamanho econômico, fator que Teerã tem explorado sistematicamente nas negociações com potências ocidentais. Trata-se de um trunfo estrutural que nenhuma pressão militar americana foi capaz de neutralizar.
Em paralelo às ameaças de resposta imediata, Irani revelou que o país apresentará em breve uma arma naval descrita como ‘aterradora’ pelos próprios oficiais, insinuando que os rivais a verão ‘bem de perto’. O almirante declarou esperar que os adversários ‘não sofram um infarto’ ao constatar o alcance da tecnologia iraniana.
Especialistas em defesa observam que a República Islâmica desenvolveu nas últimas décadas mísseis balísticos, drones de longo alcance e torpedos supercavitantes. O anúncio pode envolver plataformas combinadas capazes de saturar sistemas antimísseis norte-americanos baseados no Golfo.
O discurso do comandante também serve como recado político direto ao governo Trump, que manteve o embargo econômico e reforçou a presença de destróieres na Quinta Frota, instalada no Bahrein. Com a postura iraniana cada vez mais assertiva e a moderação de Washington condicionada a exigências de difícil atendimento, diplomatas de diversas nações alertam que um incidente menor pode desencadear um enfrentamento direto, cenário que reconfiguraria não apenas o mercado global de energia, mas também o equilíbrio de forças em todo o Oriente Médio.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Irã fecha novamente o estreito de Ormuz após EUA manterem bloqueio naval
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