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Golfo repensa dependência dos EUA e defende união árabe para estabilidade

8 Comentários🗣️🔥 Líderes árabes e o ex-presidente dos EUA Donald Trump em uma cúpula. (Foto: aljazeera.com) A longa parceria entre as monarquias do Golfo e os Estados Unidos entrou em choque aberto depois que Washington avançou em políticas alinhadas com Israel, ignorando pedidos de moderação feitos por Riad, Doha, Manama e Abu Dhabi. O gesto […]

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Líderes árabes e o ex-presidente dos EUA Donald Trump em uma cúpula. (Foto: aljazeera.com)

A longa parceria entre as monarquias do Golfo e os Estados Unidos entrou em choque aberto depois que Washington avançou em políticas alinhadas com Israel, ignorando pedidos de moderação feitos por Riad, Doha, Manama e Abu Dhabi.

O gesto revelou que a Casa Branca tende a colocar a agenda de Tel Aviv acima dos compromissos assumidos com os árabes, mesmo após décadas de cooperação em segurança, energia e finanças.

Dados compilados pelas chancelarias mostram que o comércio bilateral superou US$ 120 bilhões em 2024. Fundos soberanos do Golfo injetaram quase US$ 70 bilhões em ativos norte-americanos apenas no ano passado.

A interdependência ficou ainda mais evidente na cúpula de Riad em 2025, quando foram anunciados acordos de investimento que somados ultrapassaram US$ 2 trilhões. Esses acordos sustentaram milhares de empregos nos setores de defesa e tecnologia dos EUA.

Em troca dessa contribuição maciça, as capitais árabes esperavam que três prioridades fossem respeitadas: diversificação econômica, estabilidade regional e segurança energética. Esses pilares foram descritos como inegociáveis pelos ministros de Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo.

As tensões regionais, no entanto, transformaram o Estreito de Ormuz e Bab al-Mandeb em gargalos inseguros. Os mercados globais de petróleo e gás passaram a sofrer oscilações de preços que ameaçam os programas de modernização industrial do Golfo.

O descompasso ficou explícito quando o presidente Donald Trump avançou para negociações diretas com Teerã, colocando mais uma vez os interesses de Israel no topo da pauta. As garantias solicitadas pelos parceiros árabes foram relegadas a segundo plano.

Nesse contexto, o articulista Abdulla Baabood argumenta no portal Al Jazeera que insistir em ampliar investimentos na aliança com Washington deixou de fazer sentido estratégico e financeiro para a região.

Ele relembra que a presença militar norte-americana ocupa solo árabe de forma quase irrestrita desde 1991, convertendo bases aéreas e portos em plataformas de projeção de poder. Essas estruturas muitas vezes servem a agendas alheias às demandas locais.

Ao mesmo tempo, países como a Arábia Saudita vêm acumulando gestos de distensão com vizinhos históricos, encerrando a guerra no Iêmen e abrindo canais de diálogo com o Irã. O aprofundamento de relações com a Turquia e o Paquistão aponta para uma rede de cooperação menos dependente de potências externas.

Especialistas lembram que, sem uma frente coerente, a estratégia de dividir para controlar usada historicamente por potências extrarregionais ganha força. Os desequilíbrios de poder resultantes podem perdurar por gerações.

Para reverter o quadro, Baabood sustenta que os países do Golfo deveriam concentrar recursos em inovação doméstica, cadeias de suprimento compartilhadas e capacidade de defesa integrada. O modelo de autossuficiência perseguido pela Turquia e pelo Irã serve de referência.

Isso implicaria retomar plataformas de coordenação existentes, como o Conselho de Cooperação do Golfo, e criar instrumentos financeiros para projetos conjuntos em inteligência artificial, energias renováveis e manufatura de alta precisão.

O articulista conclui que a reconstrução de um sistema de segurança regional sob liderança árabe não exige o rompimento total com Washington. Mas demanda reconhecer que nenhuma potência distante defenderá os interesses do Golfo com o mesmo empenho que os próprios árabes.

Enquanto a volatilidade se mantém, autoridades monetárias do Golfo estudam equilibrar portfólios reduzindo exposição a bônus do Tesouro norte-americano. A medida pode, a médio prazo, minar a dominância do dólar e elevar o custo de endividamento dos EUA.

A mensagem enviada a Washington é clara: se a política externa dos EUA continuar subordinada aos planos expansionistas de Tel Aviv, as capitais árabes redirecionarão capital, tecnologia e diplomacia para dentro de casa, inaugurando uma nova fase de autonomia que pode redesenhar o cenário energético global.


Leia também: O Golfo troca petróleo por chips na corrida da IA


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Rick Ancap

03/05/2026

Clarice, para de lacrar e vai estudar economia. Enquanto você defende “direitos civis” bancados por imposto, os árabes tão é fazendo o que qualquer adulto faria: diversificar parceiro comercial e parar de pagar pau pra império falido. Mercado resolve, estado atrapalha.

    Samara Oliveira

    03/05/2026

    Rick, o mercado não distribui pão nem dignidade pra quem vive com um salário mínimo aqui no Pará. Se os árabes tão se unindo, que seja pra fortalecer o pobre, não só os barrís de petróleo.

    João Silva

    03/05/2026

    Rick, seu discurso de “mercado resolve” ignora que os petrodólares que bancam essa diversificação vêm de um Estado que controla a extração do petróleo e mantém uma monarquia absolutista. Se o mercado realmente resolvesse, por que os próprios árabes não privatizaram a Aramco e deixaram o povo decidir?

    Márcio Torres

    03/05/2026

    Rick, seu comentário é um primor de contradição interna. Você diz que “mercado resolve, estado atrapalha”, mas o objeto da sua admiração — os petromonarquias do Golfo — são a própria encarnação do estado gordo e centralizador. A Arábia Saudita controla 90% da economia via fundos soberanos e subsídios estatais; a diversificação de parceiros comerciais que você celebra (China, Índia, Rússia) não é fruto de livre iniciativa, e sim de uma decisão geopolítica tomada por príncipes que herdaram o poder. O “mercado” que você invoca não existe ali: não há separação entre negócio e governo, não há concorrência real nos setores estratégicos, não há estado de direito que proteja contratos de investidores estrangeiros contra um decreto real. Se o mercado realmente resolvesse, por que os sauditas não privatizaram a Aramco de verdade, em vez de fazer um IPO simbólico com 1,5% das ações e manter o resto na mão da família real? Porque o “mercado” deles é uma fachada para o que sempre foi: capitalismo de Estado com verniz de modernização.

    Você também comete um erro clássico de quem confunde liberdade econômica com liberdade política. Os árabes do Golfo estão “fazendo o que qualquer adulto faria” — sim, diversificar riscos. Mas um adulto de verdade, num ambiente de mercado real, não precisa de permissão do chefe de Estado para abrir um negócio, não é executado por blasfêmia, não tem a esposa submetida a um tutor masculino para viajar. O “mercado” que você idealiza pressupõe agentes racionais e autônomos; no Golfo, a maioria dos agentes econômicos são súditos de monarcas absolutos que controlam o subsolo, a mídia, o judiciário e a polícia. Se você acha que isso é liberdade, sugiro reler Adam Smith: ele não defendia que o estado fosse capturado por uma elite hereditária, e sim que houvesse instituições que impedissem a concentração de poder. O que temos ali é o oposto: o estado não atrapalha o mercado — ele é o mercado.

    Por fim, sua tese de que “direitos civis são bancados por imposto” é uma falsa dicotomia. Direitos civis não são custo; são infraestrutura para que o mercado funcione. Sem regras claras de propriedade, sem contratos executáveis, sem liberdade de associação, o que você tem é um cassino onde o dono da casa sempre ganha. O Golfo está diversificando não porque o estado atrapalha menos, mas porque o estado percebeu que o petróleo não dura para sempre e que precisa de novos negócios para manter a própria legitimidade. Isso não é vitória do mercado — é planejamento estatal de longo prazo, exatamente o tipo de intervenção que você diz odiar. Se você quer um exemplo real de mercado resolvendo, olhe para o setor de tecnologia em Bangalore ou Shenzhen, onde o estado fornece educação e infraestrutura, mas não dita quem pode empreender. No Golfo, o empreendedorismo é um privilégio concedido por decreto. Aplaudir isso como “adultice” é, no mínimo, desonestidade intelectual.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

É mais um sinal dos tempos: o mundo ocidental, que se afunda no relativismo moral e no secularismo, perde a credibilidade até entre nações que antes eram aliadas. Os países árabes, ao menos, preservam a família e a fé como alicerces, algo que o Ocidente já abandonou. Que essa união sirva para fortalecer os valores tradicionais contra a agenda progressista que corrói as nações.

    Renato Professor

    03/05/2026

    Padre Antônio, com todo respeito, seu diagnóstico é um anacronismo sociológico. Preservar fé e família não é exclusividade árabe, e o secularismo ocidental não é um “afundamento”, mas sim a conquista de direitos civis que separam o Estado da moral religiosa. A união geopolítica do Golfo é movida por interesses econômicos e de segurança, não por uma cruzada contra o progressismo.

    Célia Carmo

    03/05/2026

    Padre, família e fé não pagam conta de luz nem distribuem terra pra quem planta, #menosmoralismomaisjustiça!

    Clarice Historiadora

    03/05/2026

    Padre Antônio, sua nostalgia por uma “pureza moral” árabe ignora que os petromonarquias do Golfo financiaram o wahabismo que produziu o Estado Islâmico e que a “família tradicional” deles inclui casamento infantil e apedrejamento de mulheres. Se o senhor quer importar esse modelo, sugiro ler “Orientalismo” do Edward Said antes de romantizar teocracia.


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