O Irã lançou um aviso direto a Washington: qualquer tentativa de retomar ações militares contra Teerã transformará o conflito em um desastre estratégico para os Estados Unidos.
A mensagem foi transmitida por Mohsen Rezaei, secretário do Conselho de Discernimento do Irã e ex-comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, em declarações reproduzidas pelo portal Actualidad RT.
Rezaei afirmou que a hipótese de uma ofensiva americana concentrada na costa sul do Irã, nas proximidades de Isfahan e na fronteira ocidental, já foi avaliada por estrategistas do Pentágono. Segundo ele, a mesma operação terminaria em perdas inaceitáveis para as forças dos EUA e para a estabilidade de toda a região.
O ex-comandante alertou que o estreito de Ormuz permanece sob vigilância e controle das forças iranianas enquanto persistir o cerco econômico e naval decretado por Washington. Ele assegurou que, se a Casa Branca insistir na pressão, Teerã responderá de forma proporcional e imediata.
A avaliação de Rezaei aponta para um cálculo de custos que vai muito além do campo de batalha local. O secretário sublinhou que a interrupção de rotas navais vitais poderia sacudir os mercados de energia mundiais, já que aproximadamente um quinto do consumo diário global de petróleo atravessa Ormuz.
Segundo Rezaei, o presidente dos EUA, Donald Trump, pretende estender o cerco econômico e a presença naval para agravar a crise financeira iraniana e obter benefícios políticos internos. O secretário classificou a manobra como contraproducente, pois unificaria a sociedade iraniana em torno da defesa nacional.
O oficial destacou que nem mesmo o vasto oceano Índico está fora do alcance das marinhas regionais. Segundo ele, a República Islâmica cruzou esse corredor marítimo com facilidade e dispõe de capacidade comprovada para proteger suas rotas comerciais.
Rezaei recordou ainda o aviso do quartel-general de Khatam al-Anbiya de que qualquer navio que cooperar com a estratégia americana poderá ser considerado alvo hostil. Nesse contexto, a liderança iraniana apresenta a aceitação de seu plano de paz como a alternativa menos danosa para Washington.
A proposta iraniana inclui a retirada do bloqueio naval, o levantamento de sanções econômicas e a retomada de negociações de segurança coletiva no Golfo Pérsico. Teerã avalia que a abertura de hostilidades não interessa nem a produtores nem a consumidores de energia, já que o colapso das linhas de abastecimento em Ormuz atingiria inclusive aliados históricos dos EUA, como as monarquias do Conselho de Cooperação do Golfo.
A tensão escalou após Trump prorrogar um cessar-fogo técnico e ordenar que as Forças Armadas mantivessem o bloqueio naval em prontidão máxima. Dias antes, segundo Rezaei, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica havia declarado o fechamento do estreito de Ormuz até a suspensão completa das restrições americanas — posição que, segundo o secretário, permanece em vigor.
Trump justificou a manutenção da pressão alegando suposto racha interno na liderança iraniana e pedido de Islamabad para ganhar tempo nas negociações. Fontes em Teerã refutam a narrativa e apontam que o objetivo central dos EUA é sufocar a economia persa para obter concessões geopolíticas.
Analistas de energia alertam que um confronto armado poderia elevar instantaneamente o barril de petróleo a patamares superiores a cem dólares. Para além do impacto econômico, a escalada criaria um cenário de insegurança marítima prolongada no Golfo, cujos efeitos se fariam sentir em cadeias de abastecimento globais.
Enquanto isso, Teerã reforça laços com parceiros do BRICS e amplia acordos de troca em moedas locais, reduzindo gradualmente a dependência do dólar. A estratégia multipolar, segundo diplomatas iranianos, neutraliza parte dos efeitos das sanções unilaterais impostas por Washington.
Cresce também a pressão de chancelerias europeias e de organismos multilaterais para a suspensão imediata do bloqueio naval. A diplomacia russa e a chinesa têm defendido uma mesa de negociações que inclua garantias de segurança para todos os atores regionais.
Autoridades militares iranianas citam avanços em mísseis de precisão, drones de longo alcance e sistemas antinavio como garantia de capacidade de resposta rápida. Rezaei avaliou que o conflito embarcaria os EUA numa guerra sem fronteiras claras, drenando recursos financeiros e humanos de forma insustentável para a opinião pública americana.
Ao concluir sua mensagem, Rezaei reiterou que o Irã permanece aberto a uma saída política honrosa, mas não hesitará em usar todos os meios disponíveis para proteger sua economia e sua população. O futuro do estreito de Ormuz depende, portanto, da disposição de Washington em abandonar a lógica de cerco e adotar o caminho do diálogo.
Leia também: Ex-chefe da Guarda Revolucionária do Irã ameaça afundar navios dos EUA caso ataques sejam retomados
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