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Lavrov viaja à Índia para alinhar agenda do BRICS e aprofundar parceria estratégica com Nova Délhi

57 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Lavrov viaja à Índia para alinhar agenda do BRICS e aprofundar parceria estratégica com Nova Délhi. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, viajará à Índia para participar da reunião de chanceleres do BRICS e discutir a arquitetura de governança global que o […]

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Ilustração editorial sobre Lavrov viaja à Índia para alinhar agenda do BRICS e aprofundar parceria estratégica com Nova Délhi. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, viajará à Índia para participar da reunião de chanceleres do BRICS e discutir a arquitetura de governança global que o bloco pretende reformar.

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, confirmou a agenda. Ela destacou que o encontro servirá para os ajustes finais da cúpula de líderes do grupo, prevista para setembro na capital indiana, com expectativa de presença do presidente Vladimir Putin.

Conforme reportagem da RT, o formato do encontro de ministros deve espelhar a agenda da cúpula presidencial. Os debates incluirão reforma do Conselho de Segurança da ONU, expansão das rotas comerciais em moeda local e criação de plataformas de pagamento independentes de Washington.

Zakharova acrescentou que Lavrov terá uma rodada separada de conversas com o ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar. Os dois governos revisarão prazos de projetos estratégicos, intercâmbio tecnológico e visitas de alto nível ao longo do ano.

A visita ocorre num momento em que a Índia, sob a presidência rotativa do BRICS, tem defendido ampliar o bloco após a entrada de Arábia Saudita, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos e Irã. A estratégia central do grupo é diluir a dominância financeira do dólar e impulsionar investimentos cruzados em infraestrutura entre os países membros.

No campo bilateral, Moscou e Nova Délhi mantêm uma das parcerias de defesa mais densas do mundo, ancorada no contrato do sistema antiaéreo S-400 Triumf, assinado em outubro de 2018 por cerca de 5 bilhões de dólares. As negociações em curso também envolvem cooperação industrial no setor aeronáutico, com conversas sobre produção local de aeronaves de combate russas em território indiano.

Diplomatas indianos sustentam que o encontro de chanceleres também servirá para ajustar posições sobre crises regionais, da guerra na Palestina ao conflito na Ucrânia. O objetivo declarado é fortalecer a mediação coletiva do bloco e frear sanções extraterritoriais impostas pelos Estados Unidos e seus aliados europeus — instrumentos que Nova Délhi e Moscou rejeitam como violações à soberania de terceiros países.

Para analistas em Moscou e em Nova Délhi, o encontro pode destravar novos acordos na área de energia, sobretudo petróleo e gás. A Índia já se consolidou como uma das principais compradoras de barris russos no mercado asiático, relação que assegura a Moscou receitas estáveis diante das restrições impostas pelo Ocidente após 2022.

A visita de Lavrov reforça a cadência de intercâmbios de alto nível entre os dois países. O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, tem viagem prevista a Moscou ainda este ano, enquanto fontes do Kremlin indicam que Putin pretende marcar presença na cúpula do BRICS em setembro, consolidando Nova Délhi como palco central da diplomacia multilateral do bloco neste ciclo.

Leia mais sobre o assunto na rt.com.


Leia também: Rússia planeja ampliar exportações de petróleo à Índia e propõe contratos de longo prazo


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Paulo Gestor RJ

03/05/2026

Cíntia, você tocou no ponto central: pragmatismo. O BRICS é um movimento de rearrumação geopolítica, não uma cruzada ideológica. Mas fico com a pulga atrás da orelha sobre a capacidade de entregar resultados concretos para a população, que é o que realmente importa. Alinhamento diplomático é bonito no papel, mas cadê o retorno em infraestrutura e geração de emprego?

Cíntia Alves

03/05/2026

Sgt Bruno, calma lá, “eixo do mal” é roteiro de filme dos anos 2000. A real é que o mundo não gira mais só em torno de Washington, e o Brasil tentar surfar nessa onda multipolar é só pragmatismo, não traição. Agora, se vão conseguir construir algo que preste ou só virar um clube de troca de tapinhas, aí já são outros quinhentos.

Sgt Bruno 🇧🇷

03/05/2026

Selva! Mais uma viagenzinha do chanceler do Putin pra fortalecer o eixo do mal. Enquanto isso o Brasil abraça esses caras que querem destruir o Ocidente. Cadê o patriotismo? Esses BRICS são tudo melancia, verde por fora e vermelho por dentro.

    Carlos Henrique Silva

    03/05/2026

    Sgt Bruno, sua metáfora da melancia é criativa, mas revela uma compreensão superficial do que está em jogo. O BRICS não é um complô vermelho para destruir o Ocidente; é a expressão concreta de um mundo multipolar que já existe de fato. Enquanto você repete a cartilha da guerra fria 2.0, Rússia e Índia estão construindo mecanismos de cooperação que desafiam a hegemonia do dólar e das instituições de Bretton Woods — algo que, aliás, o próprio Brasil deveria fazer com muito mais ousadia. O patriotismo que você invoca não pode se resumir a alinhamento automático com Washington; patriotismo de verdade é defender a soberania nacional, e isso inclui diversificar parcerias, não se curvar a um bloco ocidental que nos trata como mero quintal extrativista.

    Você chama Lavrov de chanceler de um “eixo do mal”, mas esquece que o conceito de “eixo do mal” foi cunhado por George W. Bush para justificar invasões unilaterais que mataram centenas de milhares de civis no Oriente Médio. A Rússia tem seus problemas — e eu os critico, como crítico a autocracia de Putin e a repressão interna —, mas reduzir a geopolítica a um maniqueísmo de “nós, os bons do Ocidente, contra eles, os maus do Oriente” é um desserviço ao debate. A Índia, por exemplo, é a maior democracia do mundo e mantém uma política externa autônoma justamente porque não aceita esse enquadramento binário. O que Lavrov e Modi discutem é comércio, energia, defesa e uma arquitetura financeira alternativa — nada que um país soberano não deva buscar.

    Quanto ao Brasil “abraçar” esses países, sugiro que você olhe para os números. A China já é nosso maior parceiro comercial há mais de uma década, e a Rússia é fornecedora crucial de fertilizantes para o agronegócio que você provavelmente defende. O BRICS não é uma escolha ideológica; é uma necessidade pragmática num mundo onde o G7 já não dita mais as regras sozinho. Seu discurso de “patriotismo” soa mais como subserviência a um Ocidente em declínio relativo. O verdadeiro patriotismo brasileiro seria usar o BRICS para alavancar nossa indústria, nossa tecnologia e nossa autonomia — e não ficar repetindo slogans de youtuber que confundem defesa nacional com alinhamento automático aos interesses de Wall Street e do Pentágono.

João Carvalho

03/05/2026

Clarice, você foi precisa ao mencionar Bretton Woods. O que Lavrov e a Índia estão fazendo é justamente tentar construir uma alternativa à hegemonia do dólar e das instituições de Bretton Woods, que há décadas favorecem o Norte Global. Enquanto isso, a thread aqui parece mais preocupada em repetir maniqueísmos de guerra cultural do que em entender a geopolítica real de um mundo multipolar.

Clarice Historiadora

03/05/2026

Rodrigo RedPill, seu discurso de “guerra cultural” contra o globalismo é tão datado quanto a teoria da modernização dos anos 50. Enquanto você repete jargão de youtuber, a Rússia e a Índia estão montando uma arquitetura de governança que rivaliza com Bretton Woods — e isso não tem nada a ver com Bitcoin ou pauta identitária, mas com poder bruto e soberania nacional. O BRICS é justamente a prova de que o “globalismo” que você critica é na verdade a hegemonia ocidental que esses países querem quebrar, não um espantalho moral.

Rodrigo RedPill

03/05/2026

Carlos Oliveira, falou bonito mas errou feio. Interesse nacional é papo de quem perdeu a guerra cultural pro globalismo. Enquanto a esquerda chora com “aliança geopolítica”, a Rússia e a Índia tão fortalecendo laços comerciais reais, sem essa frescura de pauta identitária. O Brasil precisa é de menos mimimi e mais gente que entende de Bitcoin, liberdade econômica e soberania nacional, não desses diplomatas de araque que só sabem pedir esmola pro Brics.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Rodrigo, falar que interesse nacional é “papo de quem perdeu guerra cultural” é ignorar que Rússia e Índia usam o Estado justamente para blindar seus setores estratégicos — agricultura, energia, defesa — enquanto o seu “Bitcoin e liberdade econômica” vira dependência de commodity e moeda estrangeira. Soberania nacional de verdade exige política industrial e diplomacia ativa, não carteira de criptomoeda.

Marina Costa

03/05/2026

Essa turma do Paulo e do Lucas fica perdendo tempo com ideologia enquanto o Brasil se afunda na corrupção e na inversão de valores. Rússia e Índia sabem que aliança forte se faz com Deus e com família, não com essa agenda globalista que quer destruir a moral cristã. Enquanto isso, o PT e a esquerda aplaudem qualquer encontro que enfraqueça os valores tradicionais.

    Carlos Oliveira

    03/05/2026

    Marina, a senhora toca num ponto que merece reflexão: quando a Índia e a Rússia negociam, elas não estão defendendo Deus ou família, estão defendendo seus interesses nacionais e seu povo. O Brasil poderia aprender isso, mas enquanto confundirmos aliança geopolítica com pauta moral, vamos continuar sendo o quintal do mundo, exportando soja e importando valores que nem são nossos.

Paulo Rocha

03/05/2026

Essa Cecília e a Mariana tão aí discutindo teoria política enquanto o Brasil afunda na mão desse bando de estatistas. Rússia e Índia são potências porque sabem que Estado inchado é sinônimo de atraso. Aqui é o contrário: mais impostos, menos liberdade e um monte de gente fazendo o L. Vai pra Cuba, socialistas de araque! Brasil pra brasileiros de verdade.

    Lucas Pinto

    03/05/2026

    Paulo, seu comentário é um prato cheio pra quem estuda como o discurso liberal-conservador opera no Brasil: você reduz o debate a uma dicotomia rasa entre “Estado inchado” e “liberdade”, como se esses fossem conceitos autoexplicativos e não construções históricas. Quando você diz que Rússia e Índia são potências porque têm Estado enxuto, você está ignorando que a Rússia de Putin é um Estado profundamente centralizado, com controle sobre setores estratégicos como energia e defesa, e que a Índia de Modi combina intervencionismo estatal em infraestrutura com um projeto nacionalista hindu que nada tem a ver com o “Estado mínimo” que você defende. O que você chama de “pragmatismo” é, na verdade, uma reconfiguração do capitalismo de Estado em aliança com oligarquias locais — algo que Gramsci chamaria de hegemonia burguesa travestida de eficiência técnica.

    Seu grito de “Vai pra Cuba, socialistas de araque” revela um desconhecimento total do que é o marxismo. Nenhum marxista sério defende o Estado como fim em si mesmo — a crítica é justamente ao Estado burguês como instrumento de classe. O que a Cecília e a Mariana estavam discutindo é que o Estado não é uma entidade abstrata que “incha” ou “encolhe” por vontade própria; ele é um campo de disputa. Quando você diz que “Brasil pra brasileiros de verdade”, você está reproduzindo o discurso de exclusão que sempre serviu pra justificar a concentração de renda e o aparelhamento do Estado pelas elites. O “estatismo” que você critica é, na prática, o mesmo Estado que subsidia agronegócio, isenta grandes fortunas e criminaliza movimentos sociais. O problema não é o tamanho do Estado, é de que lado ele opera.

    E sobre “fazer o L”: você reduz a política a um meme, o que é sintomático de um empobrecimento do debate público que interessa justamente a quem lucra com a despolitização. Enquanto você repete slogans de think tanks financiados pelo capital financeiro, a Índia e a Rússia usam o Estado como plataforma de acumulação — e não como “ferramenta neutra”, como a Mariana Alves bem apontou. Se você lesse Foucault em vez de posts de Instagram, entenderia que o poder não se mede pelo tamanho do Estado, mas pelas relações de força que o constituem. O Brasil não afunda porque tem “estatistas”; ele afunda porque a nossa burguesia nunca teve projeto de nação, só de lucro. E isso, meu caro, não se resolve com menos Estado, mas com um Estado que sirva à maioria, não a meia dúzia de rentistas.

Cecília Ramos

03/05/2026

Mariana Alves, adorei seu comentário porque ele toca num ponto que a galera liberal insiste em ignorar: o Estado nunca foi neutro, ele sempre serviu a alguém. A questão não é ter Estado ou não ter Estado, mas sim de que lado ele está. Enquanto a Índia usa o Estado pra negociar acordos que beneficiam seu povo, aqui no Brasil a máquina pública muitas vezes só aprofunda a desigualdade. O BRICS pode ser uma chance de discutir uma governança global que priorize justiça social e direitos humanos, não apenas lucro de corporações.

Cecília Alves

03/05/2026

Mariana Lopes, o pragmatismo indiano funciona justamente porque eles não tratam Estado como vilão ou salvador — tratam como ferramenta. Enquanto isso, o Brasil insiste em engordar a máquina pública com impostos e o contribuinte que se vire. Mais reunião de chanceleres, menos liberdade econômica.

    Mariana Alves

    03/05/2026

    Cecília, seu ponto sobre o Estado como ferramenta é interessante, mas revela uma armadilha conceitual que a teoria crítica há muito tempo denuncia. Quando você diz que a Índia trata o Estado como ferramenta e o Brasil como vilão ou salvador, está pressupondo que o Estado é um instrumento neutro, que pode ser usado para o bem ou para o mal dependendo da vontade dos gestores. Isso é um equívoco. O Estado não é uma ferramenta técnica descolada das relações de classe; ele é, como Poulantzas demonstrou, uma condensação material de forças sociais em conflito. A política externa indiana não é pragmática por acaso — ela reflete os interesses de uma burguesia nacional que busca autonomia relativa no sistema mundial, enquanto o Estado brasileiro, capturado pelo capital financeiro desde o governo Temer, opera para desmontar direitos e transferir renda para o mercado.

    O discurso do “pragmatismo indiano” como alternativa ao “Estado vilão ou salvador” é uma falsa simetria. A questão não é o tamanho do Estado, mas a quem ele serve. A Índia tem um Estado que intervém pesadamente em setores estratégicos — defesa, tecnologia, energia — enquanto mantém uma massa de trabalhadores precarizados e uma desigualdade brutal. Isso não é pragmatismo; é a face contemporânea do capitalismo de Estado, que usa a máquina pública para competir no mercado global sem enfrentar as contradições internas. O Brasil, por sua vez, viveu um processo inverso: desindustrialização, abertura financeira e captura do Estado pelo rentismo. Comparar os dois sem analisar a correlação de forças específica de cada formação social é reduzir a política a uma escolha de cardápio.

    Sua crítica à “engorda da máquina pública com impostos” ecoa um mantra liberal que ignora que o problema brasileiro não é o tamanho do Estado, mas sua natureza. O Estado brasileiro gasta mal porque é refém de uma elite que drena recursos via juros da dívida pública, subsídios fiscais e obras superfaturadas. Enquanto isso, a Índia gasta em capacidade produtiva e projeção geopolítica. A diferença não está no “pragmatismo” indiano, mas no fato de que a burguesia indiana construiu um projeto de nação — algo que a nossa burguesia, compradora e associada ao capital externo, nunca fez. Reduzir o debate a “menos Estado” ou “mais Estado” é não querer enfrentar a pergunta central: Estado para quem, contra quem e com que finalidade? Enquanto não respondermos isso, qualquer reunião de chanceleres, seja em Brasília ou em Nova Délhi, será apenas a coreografia de uma ordem que nos empurra para baixo.

Mariana Lopes

03/05/2026

Acho interessante que enquanto uns aqui veem conspiração estatista e outros um novo mundo, a Índia está colhendo os frutos de uma política externa pragmática: senta com todo mundo, negocia acordos concretos e não se prende a discursos ideológicos. O BRICS pode não ser a salvação da pátria, mas ignorar que Rússia e Índia têm interesses reais em jogo – energia, defesa, rotas comerciais – é fazer de conta que geopolítica não existe.

Rick Ancap

03/05/2026

Só mais um circo de estatistas trocando tapinhas enquanto o contribuinte paga a conta.

    João Carlos da Silva

    03/05/2026

    Rick, seu comentário é tão raso que nem arranha a superfície do que está em jogo. Reduzir a articulação entre Rússia e Índia a um “circo de estatistas” é ignorar que o próprio capitalismo global sempre se valeu do Estado para garantir seus lucros — a diferença é que agora quem senta à mesa não são só os velhos senhores do Norte.

Silvia D.

03/05/2026

A Cristina Rocha tem toda razão. Ficar repetindo esse mantra neoliberal de que o problema é o “tamanho do Estado” enquanto a Rússia e a Índia discutem uma nova arquitetura global é não querer enxergar o óbvio: a pandemia escancarou que sem coordenação estatal forte, como no SUS, a gente não segura uma crise sanitária. Enquanto isso, os mesmos que criticam o BRICS são os que bateram panela contra vacina.

Maria Antonia

03/05/2026

Carlos Rocha, acertou na mosca. BRICS é só mais um clube de burocratas querendo controlar o fluxo de dinheiro enquanto a conta vai para o contribuinte. Enquanto isso, a Índia faz o dever de casa com reformas e atrai investimento, e o Brasil fica nessa dança de interesses estatais. Menos Estado e mais mercado livre, sempre.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Maria Antonia, querida, seu comentário é um primor de repetição acrítica do receituário neoliberal que já deveria ter sido enterrado junto com o Consenso de Washington. Você diz que a Índia “faz o dever de casa com reformas e atrai investimento” e que o Brasil fica “nessa dança de interesses estatais”. Mas vamos com calma: que “dever de casa” é esse? O mesmo que aprofundou a desigualdade na Índia, onde 10% da população concentra 57% da riqueza nacional, enquanto milhões de camponeses foram expulsos da terra para dar lugar a zonas econômicas especiais? O “livre mercado” que você defende é o mesmo que transformou Mumbai numa cidade onde coabitam arranha-céus de vidro e favelas sem saneamento. Não é coincidência: é a lógica do capital financeiro global, que o BRICS tenta, ainda que de forma contraditória, contrapor.

    Você chama o BRICS de “clube de burocratas”, mas ignora que o “mercado livre” que você idealiza é, na prática, um sistema de regras desenhado por burocratas de Davos, do FMI e do Banco Mundial para garantir a reprodução do capital do Norte global. O Estado nunca some: ele apenas muda de mãos. Quando a Índia faz “reformas”, ela está usando o Estado para desregulamentar o trabalho, privatizar estatais e abrir seu mercado para corporações estrangeiras. Isso não é “menos Estado”, é um Estado a serviço do capital internacional. O BRICS, com todos os seus defeitos e contradições internas, ao menos tenta criar instituições como o Novo Banco de Desenvolvimento, que financia infraestrutura sem as amarras de condicionalidades que empobrecem países como o Brasil há décadas.

    E tem mais: essa sua dicotomia entre “Estado ineficiente” e “mercado virtuoso” é uma armadilha teórica que a filosofia política já desmontou há muito tempo. Desde Marx, passando por Polanyi e chegando às teóricas pós-coloniais, sabemos que o mercado nunca é “livre” — ele é sempre uma construção política, sustentada por violência simbólica e material. O que o BRICS representa, mesmo com todos os seus limites, é a tentativa de países periféricos de terem alguma margem de manobra num sistema que os condena ao papel de exportadores de commodities e importadores de capital volátil. A Índia de Modi, que você elogia, é a mesma que reprime minorias, persegue jornalistas e aprofunda o patriarcado com políticas nacionalistas hindus. O “dever de casa” dela é o mesmo que o Brasil de Temer tentou fazer: entregar o patrimônio público ao capital estrangeiro e chamar isso de modernização. Não caia nessa, Maria Antonia. O BRICS é imperfeito, mas é uma trincheira. O “mercado livre” que você defende é o cavalo de Troia do imperialismo.

Julia Andrade

03/05/2026

Ana, você levantou um ponto crucial que me parece passar batido nessa euforia geopolítica: a Rússia não está fazendo caridade para o Sul Global. A visita de Lavrov à Índia precisa ser lida com lentes pós-coloniais, sim, mas também com a desconfiança de quem sabe que impérios mudam de nome, não de lógica. Moscou quer desesperadamente quebrar o isolamento desde a invasão da Ucrânia, e Nova Délhi – com sua histórica não-alinhamento pragmático – é a peça ideal para legitimar uma nova narrativa. A questão é: até que ponto a Índia, que ao mesmo tempo compra petróleo russo com desconto e mantém parcerias de defesa com os EUA, está disposta a ser instrumentalizada? O BRICS pode até ensaiar um contraponto à hegemonia ocidental, mas se for só mais um clube de potências médias disputando espólio, a tal “governança global alternativa” vira apenas um remake do Concerto Europeu com sotaque asiático.

O Carlos Rocha tem um ponto quando critica o estatismo do bloco, mas acho que ele reduz a complexidade a uma dicotomia rasa de “mercado vs. Estado”. A questão não é o tamanho do Estado, mas a quem ele serve. O BRICS, da forma como está sendo desenhado, carrega as mesmas contradições do capitalismo dependente: Índia e Brasil seguem exportadores de commodities, a Rússia vive de gás e petróleo, e a China, embora industrializada, reproduz relações de trabalho que lembram o período vitoriano. Enquanto não houver uma discussão séria sobre justiça distributiva dentro do bloco – e não apenas sobre redistribuição de poder entre elites nacionais –, o BRICS corre o risco de ser um FMI com rosto moreno. A soberania que Lavrov vende para a Índia é a mesma que permite a Modi perseguir minorias muçulmanas em nome do nacionalismo hindu; não dá para aplaudir de forma acrítica.

Sobre o que o João Batista e a Carmem Souza trouxeram, acho que a espiritualidade entra nessa equação de um jeito que muitos analistas ignoram. A Índia carrega um peso simbólico imenso para o Sul Global – é o país que inspirou Gandhi, que liderou o movimento não-alinhado, que tem uma diversidade religiosa que desafia qualquer essencialismo. Mas quando Modi recebe Lavrov de braços abertos, ele está traindo essa herança? Ou está apenas sendo pragmático em um mundo onde até a moralidade virou moeda de troca? A Carmem tem razão em nos lembrar que o Reino não é dessa terra, mas acho perigoso quando o discurso religioso serve para despolitizar escolhas concretas. A Índia que compra armas russas e persegue ativistas em casa não é a Índia dos Vedas ou do diálogo inter-religioso; é um Estado-nação moderno operando na lógica do realismo político.

No fim, fico com a sensação de que a visita de Lavrov é um termômetro de algo maior: a falência do multilateralismo ocidental e a ascensão de um mundo onde as alianças são líquidas. A Índia está fazendo o que sempre fez – jogar com todos os lados para maximizar sua autonomia. O problema é que, nesse jogo, quem perde são sempre as maiorias vulneráveis: trabalhadores, minorias étnicas, mulheres. O BRICS poderia ser uma oportunidade para repensar desenvolvimento a partir de uma perspectiva feminista e decolonial, mas enquanto a agenda for definida por chanceleres em salas fechadas, continuaremos vendo o mesmo teatro de sempre. Fico na expectativa de que, ao menos, os movimentos sociais dos países-membros consigam pautar algo além da geopolítica de gabinete.

Carmem Souza

03/05/2026

João Batista, você tocou num ponto que me faz pensar: será que a gente não está trocando o Evangelho por narrativas políticas? O BRICS pode até ser um contraponto à velha ordem, mas se esquecermos que o Reino de Deus não é dessa terra, viramos apenas mais um time torcendo por poder terreno. Parceria estratégica é bom, mas com os olhos fixos no que é eterno.

Carlos Rocha

03/05/2026

Mais um show de pirotecnia geopolítica pra encobrir o elefante na sala: nenhum desses países tem livre mercado de verdade. BRICS virou clube de estatistas querendo dividir o butim global enquanto a conta chega pro contribuinte. Enquanto isso, o Brasil do Lula paga o pato com impostos recordes e nenhuma reforma estrutural.

    João Batista

    03/05/2026

    Carlos, o problema não é o tamanho do Estado, mas pra quem ele serve — Jesus expulsou os vendilhões do templo, não porque o templo tinha regras demais, mas porque os ricos usavam a religião pra explorar os pobres. O livre mercado que você defende é o mesmo que crucifica o trabalhador todos os dias enquanto os fariseus de terno lavam as mãos.

Ana Souza

03/05/2026

Acho interessante como o BRICS tá se consolidando como um contraponto real à velha ordem, mas fico com um pé atrás quando vejo certa euforia. Parceria com a Índia faz sentido, mas a Rússia também tem seus interesses bem claros na guerra da Ucrânia – não é só idealismo geopolítico. Tomara que o Brasil participe dessas discussões com olhos abertos, pensando no que é bom pra nossa população, não só pra alianças simbólicas.

Lucas Gomes

03/05/2026

A visita de Lavrov à Índia para alinhar a agenda do BRICS é, sem dúvida, um movimento geopolítico relevante, mas precisamos ir além da euforia superficial sobre “soberania nacional” que vejo em alguns comentários aqui. Helton, quando você invoca “Deus, Pátria e Família” para celebrar essa parceria, está cometendo o mesmo erro dos liberais que você critica: reduzir a política externa a um fetiche identitário. A Rússia de Putin e a Índia de Modi são potências que, sim, desafiam a hegemonia ocidental, mas fazem isso à custa de um modelo de desenvolvimento predatório, baseado em exploração mineral intensiva, desmatamento em larga escala e repressão a movimentos sociais. O BRICS pode ser uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, mas se não internalizar pautas ecológicas e de justiça social, será apenas um clube de exploradores com bandeiras diferentes.

A crítica que Ana Karine Xavante fez ao liberalismo de mercado é precisa, mas falta um passo adiante. O problema não é apenas o “Estado inchado” ou o “livre mercado” – essa dicotomia é uma falsa escolha. O verdadeiro motor da crise global é o capitalismo extrativista, que opera tanto via Estados nacionais quanto via corporações transnacionais. Quando a Índia compra petróleo russo com descontos, está financiando indiretamente a guerra na Ucrânia e a destruição do Ártico. Quando a Rússia vende tecnologia nuclear para a Índia, está ignorando o histórico de acidentes e a falta de transparência na gestão de resíduos. O BRICS precisa, urgentemente, de uma carta de princípios ambientais vinculantes, algo que vá além dos acordos vagos de “cooperação energética”.

E para o Caio Vieira, que fez uma intervenção lúcida sobre a ideologia de classe por trás do discurso de “Deus, Pátria e Família”, acrescento: a mesma lógica se aplica ao nacionalismo terceiro-mundista acrítico. Não basta ser contra o Ocidente; é preciso perguntar quem paga o preço desse alinhamento. Os povos indígenas da Sibéria, os camponeses de Maharashtra, os seringueiros da Amazônia – todos são sacrificados no altar do “desenvolvimento” que essas potências vendem como soberano. O BRICS de Lavrov e Jaishankar não é o bloco dos povos, é o bloco das elites estatais que querem uma fatia maior do bolo, sem mudar a receita.

Por fim, acho curioso como Francisco de Assis celebra a “soberania nacional” russa e indiana enquanto ignora que o Brasil, sob Lula, está tentando exatamente o mesmo caminho – mas com a diferença de que temos um presidente que, ao menos no discurso, reconhece a emergência climática. Se o BRICS quiser ser algo além de um clube de países que se ressentem do Ocidente, precisa colocar a ecologia no centro da agenda. Do contrário, estaremos apenas trocando seis por meia dúzia: em vez de sermos explorados por Wall Street, seremos explorados por Moscou e Pequim, com a mesma devastação socioambiental. A verdadeira soberania é a que garante terra, água e ar limpos para as futuras gerações, não a que vende recursos naturais para manter oligarquias no poder.

Helton Barros

03/05/2026

Ótima notícia! Enquanto o Brasil se afunda na pauta identitária e na submissão aos globalistas, Rússia e Índia mostram o caminho da verdadeira soberania nacional. Parceria estratégica entre nações que ainda respeitam Deus, Pátria e Família é o que o mundo precisa.

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Helton, seu entusiasmo pela soberania nacional é louvável, mas preciso lembrá-lo que a tríade Deus, Pátria e Família, quando acionada sem mediação crítica, frequentemente opera como dispositivo ideológico de ocultação das contradições de classe — vide o uso que o bolsonarismo fez dela para justificar a entrega do pré-sal e a subordinação ao FMI. A Rússia de Putin, por sua vez, não é exatamente um paradigma de respeito à autodeterminação dos povos, como a Ucrânia e a Chechênia testemunham.

Francisco de Assis

03/05/2026

Ana Karine, cê tocou num ponto que esses liberais ai não enxergam: soberania nacional é coisa seria, não é “frescura ideológica” não. Enquanto o Brasil tava se curvando pros EUA no governo passado, a Rússia e a Índia tão construindo um mundo multipolar de verdade. Isso sim é diplomacia que defende os interesses do povo, não é papo de “livre mercado” que só beneficia banqueiro.

Carlos Mendes

03/05/2026

João Augusto, seu comentário é o único que acertou o diagnóstico: o Ocidente perdeu a liderança não por falta de deus ou de moral, mas porque o Estado inchado e a dívida pública quebram qualquer hegemonia. Enquanto isso, Lavrov vai à Índia fechar acordos comerciais sem frescura ideológica — é o que acontece quando se deixa o livre mercado e a soberania nacional guiarem a política externa, em vez de ONGs e burocracia globalista.

    Ana Karine Xavante

    03/05/2026

    Carlos, você toca num ponto que merece um aprofundamento que vai além da dicotomia entre Estado inchado versus livre mercado. Quando você celebra a ida de Lavrov à Índia como um exemplo de soberania nacional guiando a política externa, sem “frescura ideológica”, eu preciso perguntar: soberania para quem? O livre mercado que você defende nunca operou no vácuo — ele sempre foi sustentado por uma estrutura de poder colonial que definiu quem podia explorar recursos, quem podia acumular capital e quem ficava com os restos. A Índia e a Rússia estão sim jogando xadrez geopolítico, mas esse jogo acontece sobre um tabuleiro que ainda carrega as marcas do colonialismo estrutural. O BRICS pode ser uma alternativa ao dólar e à hegemonia ocidental, mas isso não significa automaticamente que seja uma alternativa para os povos originários, para os camponeses sem terra ou para as comunidades tradicionais que continuam sendo expulsas de seus territórios em nome do “desenvolvimento” e dos “acordos comerciais sem frescura”.

    O problema do seu raciocínio, Carlos, é que ele trata o Estado como um ente abstrato que ou é “inchado” ou é “enxuto”, sem perguntar a que interesses ele serve. Um Estado pode ser mínimo para garantir direitos trabalhistas e ambientais, mas enorme para subsidiar agronegócio e mineração. A dívida pública que você menciona não é um fenômeno natural — ela é o resultado de décadas de escolhas políticas que privilegiaram a financeirização da economia em detrimento de investimentos em saúde, educação e proteção territorial. Quando Lavrov aperta a mão de Modi, eles estão consolidando parcerias que envolvem desde venda de armas até exploração de recursos energéticos, e nenhum desses acordos passa por consulta livre, prévia e informada dos povos indígenas que vivem nas áreas onde esses recursos estão. Soberania nacional, para mim, só faz sentido se incluir a soberania dos povos que historicamente foram excluídos da narrativa nacional.

    Você fala em “burocracia globalista” como se ela fosse o grande mal, mas o que o globalismo realmente fez foi criar mecanismos de compensação para os estragos do capitalismo desregulado — acordos climáticos, convenções de direitos humanos, protocolos de proteção ambiental. Não são perfeitos, longe disso, mas são a única linguagem que temos para tentar colocar freios num sistema que, deixado ao “livre mercado”, já mostrou que não tem nenhum compromisso com a vida. A Rússia e a Índia estão se aproximando não por idealismo, mas por pragmatismo econômico e militar, e isso é legítimo. Mas não vamos romantizar esse movimento como se fosse uma vitória da “soberania nacional” contra o “globalismo”. O que está em jogo é uma reconfiguração das elites globais, e os povos indígenas, os quilombolas, as comunidades ribeirinhas continuam sendo peças nesse tabuleiro, não jogadores. Enquanto a esquerda e a direita disputarem quem tem o melhor diagnóstico sobre o Estado e o mercado, sem incluir a perspectiva de quem está na base da pirâmide social e territorial, estaremos apenas trocando seis por meia dúzia.

Padre Antônio Rocha

03/05/2026

Lurdinha, a senhora tem toda razão em vigiar os sinais dos tempos, mas confundir BRICS com “coisa do capeta” é um exagero. O problema não é o bloco em si, é o relativismo moral que essas alianças seculares carregam. Enquanto isso, a Índia e a Rússia se unem para fortalecer seus próprios interesses materiais, e o Ocidente perde cada vez mais a referência cristã que um dia o sustentou. Fiquemos atentos, mas com discernimento, não com pânico.

    João Augusto

    03/05/2026

    Padre Antônio, seu diagnóstico é preciso ao notar que o Ocidente perde referências, mas o erro está em atribuir ao “relativismo moral” o que é, na verdade, a falência do projeto hegemônico liberal — como Gramsci já advertia, quando a crise de autoridade se aprofunda, o que emerge não é o caos, mas a reorganização das forças produtivas em novos blocos históricos.

Maura Santos

03/05/2026

Lurdinha, amiga, se BRICS fosse coisa do capeta a Faria Lima não estaria de olho neles, né? Enquanto isso a extrema-direita daqui quer acabar com transporte público e cultura, daí a gente vê o apagão que eles deixaram em SP nos anos 90. Lavrov e Índia tão é jogando xadrez, enquanto nossos saudosistas da ditadura tão no jogo da velha.

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Amém Jeferson 🙏 mas esse negócio de “alternativa ao dólar” é coisa do capeta pra enganar os incautos… o comunismo quer destruir a família e a igreja e vc ainda defende 😡 fica esperto que a besta tá chegando!!! 🇧🇷✝️🔥

    Paulo Ribeiro

    03/05/2026

    Lurdinha, com todo respeito, sua confusão é compreensível, mas precisa ser desfeita. Associar a construção de uma alternativa ao dólar a “coisa do capeta” ou ao “comunismo destruidor da família” é um equívoco que mistura alhos com bugalhos. O que a Rússia e a Índia estão fazendo no BRICS não é uma conspiração satânica, mas uma tentativa concreta de descolonizar o sistema financeiro global. O dólar não é uma entidade divina; ele é o instrumento pelo qual os Estados Unidos impõem sanções unilaterais e drenam recursos do Sul Global há décadas. Quando o Brasil importa fertilizantes ou petróleo pagando em dólar, parte do nosso suor vira imposto inflacionário para Wall Street. Isso não é comunismo, é realismo geopolítico. Até mesmo economistas liberais sérios, como os da UNCTAD, reconhecem que a multipolaridade monetária é inevitável e desejável para a estabilidade global.

    Quanto ao medo de que o “comunismo queira destruir a família e a igreja”, permita-me citar Antonio Gramsci: a hegemonia cultural da direita nos convenceu de que qualquer projeto de justiça social é automaticamente um ataque à moral cristã. Ora, o próprio Papa Francisco, em sua encíclica Fratelli Tutti, defende uma economia que sirva ao bem comum e critique o fundamentalismo de mercado. A família não é destruída por políticas de distribuição de renda ou por sistemas de pagamento alternativos; ela é destruída pela falta de emprego digno, pelo endividamento e pela ausência de perspectivas para os jovens. O diabo, se existe, não está em uma reunião de chanceleres discutindo moedas digitais; está na fome que assola milhões de brasileiros enquanto o agronegócio exporta grãos para alimentar gado europeu.

    A besta que o senhor teme, Lurdinha, não é o BRICS. A besta é o capitalismo financeirizado que transforma tudo em mercadoria, inclusive a fé e os valores familiares. Enquanto uns gritam “comunismo” para qualquer proposta que ameace o monopólio do dólar, a Índia, um país de maioria hindu profundamente religiosa, senta à mesa com a Rússia para negociar rotas comerciais que não passem pelo FMI. Se isso é coisa do capeta, então o capeta está fazendo um excelente trabalho ao alimentar 1,4 bilhão de indianos com grãos russos. Sugiro uma leitura de Mariátegui, que já nos anos 1920 mostrava como o misticismo pode ser aliado da transformação social, desde que não seja manipulado por interesses imperialistas. No mais, fique em paz e lembre-se: Jesus expulsou os vendilhões do templo, não os diplomatas que buscam um mundo menos desigual.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Jeferson, você pelo menos tentou trazer um argumento racional, diferente do Zé do Povo que só sabe gritar. Mas essa história de “alternativa ao dólar” é conversa de quem nunca viu a burocracia russa e indiana de perto. Enquanto esses caras se reúnem pra criar mais um clube de troca de figurinhas, o empreendedor brasileiro tá aqui sangrando com imposto e tendo que contratar contador pra entender nota fiscal. BRICS pra mim é só mais um cabide de emprego pra estatista viajar de graça.

Jeferson da Silva

03/05/2026

Zé do Povo, acorda pra vida, irmão. Enquanto você grita “comunista ladrão”, a Rússia e a Índia tão montando uma alternativa ao dólar que pode quebrar o monopólio financeiro dos EUA. Isso é jogo de poder, não ideologia. Aqui na fábrica a gente sabe que quem perde com briga de galo geopolítica é o trabalhador que paga a conta do isolamento.

Zé do Povo

03/05/2026

LADRÃO COMUNISTA INDO SE ALIAR A OUTRO LADRÃO! 😡 BRICS É CORTINA DE FUMAÇA PRA DESTRUIR NOSSO PAÍS! VOLTA MILITAR JÁ!

Ana Costa

03/05/2026

Pois é, Alice T., você trouxe um dado importante: a Índia tem uma desigualdade brutal, mas o fato é que eles estão tentando sair dessa com uma estratégia de autonomia energética e monetária, enquanto o Brasil parece patinar entre discursos de soberania e a realidade de importar fertilizante a preço de dólar. Acho que dá pra criticar o modelo indiano sem romantizar, mas também sem fingir que a nossa política externa tem sido mais eficaz para o bolso do brasileiro médio.

Alice T.

03/05/2026

Eduardo, esse papo de “pragmatismo indiano” é bonito até você lembrar que a Índia tem 1,4 bilhão de pessoas e metade vive com menos de 3 dólares por dia. Enquanto eles negociam moeda local com a Rússia pra escapar do dólar, aqui o “empreendedor que sangra” chora imposto mas adora pagar gasolina a preço internacional. O BRICS é a única chance do Sul Global não ser atropelado pelos mesmos que terceirizaram a fome pra gente.

Eduardo Teixeira

03/05/2026

Carlos A. Mendes, é exatamente isso. Enquanto a Índia negocia acordos que reduzem custos de energia e abrem mercados, aqui a gente paga a conta de uma política externa ideológica que só aumenta imposto e burocracia. Se o Brasil tivesse metade do pragmatismo indiano, o custo Brasil já teria caído e o empreendedor não estaria sangrando todo mês com tributo.

    Bia Carioca

    03/05/2026

    Eduardo, esse papo de “pragmatismo indiano” vira discurso de quem nunca pegou um ônibus lotado na Dutra. Enquanto a Índia investe pesado em ferrovia e metrô pra baratear o custo de vida do povo, aqui o “empreendedor que sangra com tributo” é o mesmo que faz lobby contra tarifa zero e transporte público de qualidade.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Pois é, a Índia sempre jogou o jogo geopolítico com pragmatismo, enquanto aqui a gente fica refém de paixão ideológica. Quem paga o pato no fim das contas é o brasileiro que só quer ver o país funcionando, independente de bloco A ou B.

Luisa Teens

03/05/2026

Enquanto a Índia constrói pontes, o Brasil tá derrubando florestas e vendendo pra gringo. Vergonha. #ForaBolsonaro

Ronaldo Pereira

03/05/2026

Paula, você tem razão sobre o pragmatismo indiano, mas não podemos esquecer que esse tal “diálogo e prudência” deles também serve pra fortalecer um bloco que enfrenta a hegemonia dos patrões globais. Enquanto a Índia negocia moeda local e energia, aqui no Brasil o trabalhador vê o salário minguar e o patrão lucrar com a dependência externa. O BRICS pode ser a ferramenta que a classe trabalhadora precisa pra quebrar essa corrente, desde que não vire mais um clube de burocratas.

Paula Santos

03/05/2026

Cecília, você tocou num ponto importante. A Índia sempre foi pragmática nas relações exteriores, e o Brasil precisa aprender com isso: não se trata de escolher lados, mas de defender seus interesses nacionais com responsabilidade. Como cristã, acredito que diálogo e prudência são melhores que radicalismos que só nos isolam.

Cecília Torres

03/05/2026

Ronaldo, seu comentário é o retrato de quem enxerga o jogo pelo placar, mas ignora as jogadas de bastidor. A gasolina não baixa justamente porque nossa política externa foi terceirizada para interesses alheios por décadas. Enquanto a Índia senta à mesa para discutir comércio em moeda local e reduzir dependência do dólar, o Brasil ainda age como coadjuvante. A briga ideológica atrapalha, sim, mas o silêncio pragmático também pode ser conivente com a falta de estratégia.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, Miriam, a real é que o povo brasileiro paga a conta dessa briga ideológica enquanto o mundo real faz negócio. Enquanto uns ficam nessa novela de comunismo vs capitalismo, a gasolina aqui não baixa e o imposto só sobe. Queria ver se esses diplomatas pegassem um trânsito de 2 horas pra ir trabalhar igual a gente, viam se o BRICS resolvia alguma coisa prática.

Miriam

03/05/2026

Enquanto todo mundo briga se é comunismo ou não, a Índia está ali tratando de negócio concreto: comércio em moeda local, energia e coordenação diplomática. Pode não ser emocionante, mas é assim que a burocracia internacional funciona.

Márcio Torres

03/05/2026

O que me fascina nessa thread é ver como o espectro ideológico ainda domina a análise geopolítica de quem deveria estar olhando para dados concretos. Luan, seu comentário sobre “comunistas enfraquecendo o Ocidente” é um reflexo quase pavloviano: você ouviu “Rússia” e “BRICS” e o cérebro disparou o alerta vermelho da Guerra Fria. Mas a realidade é mais chata e mais interessante do que esse maniqueísmo. Lavrov não está em Nova Délhi para pregar o Manifesto Comunista; está lá para discutir desdolarização, cadeias de suprimento de energia e mecanismos de pagamento alternativos. Coisas que a Índia, uma democracia de 1,4 bilhão de habitantes com um histórico de não-alinhamento, já pratica há décadas.

O Renato Professor e a Mariana Oliveira já apontaram o óbvio: o BRICS é um bloco de interesses, não de ideologias. A Índia compra petróleo russo com desconto, vende produtos farmacêuticos e tecnologia para a Rússia, e ambos os países compartilham uma preocupação legítima com a hegemonia do dólar como arma de coerção. Isso não é “comunismo” — é realpolitik. Se o Ocidente, especialmente os EUA, está desconfortável com a concorrência, talvez devesse se perguntar por que países como Índia, Brasil e África do Sul estão buscando alternativas, em vez de culpar um suposto complô. A sanção financeira contra a Rússia em 2022 foi um tiro no pé: mostrou ao mundo que suas reservas em dólar e euro podem ser congeladas da noite para o dia. Qualquer país com o mínimo de racionalidade estratégica faria exatamente o que a Índia está fazendo.

O que me irrita, confesso, é a preguiça intelectual de reduzir tudo a “nós contra eles”. A Samara trouxe um ponto interessante ao mencionar soberania, e eu adicionaria: soberania energética e financeira. O Brasil, por exemplo, depende do dólar para exportar commodities, mas paga juros altos justamente por causa dessa dependência cambial. Se o BRICS conseguir criar um sistema de compensação em moedas locais, o ganho não é ideológico — é aritmético. Menos custo de conversão, menos exposição a sanções unilaterais, mais previsibilidade para o agro e a indústria. Isso é matemática, não fé.

No fim das contas, o que Lavrov está fazendo na Índia é o que qualquer chanceler de uma potência média ou grande faria: alinhar interesses táticos. A Rússia precisa de mercados alternativos depois do isolamento europeu; a Índia precisa de energia barata e de um contrapeso à China dentro do próprio BRICS. Chamar isso de “aliança comunista” é tão preciso quanto chamar a OTAN de “clube de democratas iluminados”. Ambos são arranjos de poder. A diferença é que um deles está tentando diversificar o tabuleiro, enquanto o outro insiste em jogar sempre com as mesmas peças. Se você não consegue ver a jogada, Luan, talvez o problema não seja o tabuleiro.

Luan Silva

03/05/2026

Mais um encontro de comunistas pra enfraquecer o Ocidente. Brasil acima de tudo, mas esse pessoal aí quer nos jogar no buraco junto com eles.

    Luizinho 16

    03/05/2026

    Luan, “Brasil acima de tudo” é o lema de quem quer continuar sendo colônia dos EUA enquanto o BRICS tenta nos tirar do buraco que vocês mesmos cavaram.

    Renato Professor

    03/05/2026

    Luan, meu caro, “comunista” é o novo xingamento pra quem lê jornal? Lavrov está na Índia tratando de comércio em moedas locais e coordenação energética — se isso é “enfraquecer o Ocidente”, talvez o problema seja um Ocidente que não aguenta concorrência leal sem chamar o outro de vilão.

    Samara Oliveira

    03/05/2026

    Luan, meu irmão, chamar o BRICS de encontro de comunistas é desviar o olhar do que realmente importa: um bloco que busca equilibrar o comércio global e tirar o Brasil da dependência do dólar. Como cristã, vejo nessa parceria uma chance de fortalecer nossa soberania e combater a pobreza — não tem nada a ver com ideologia, e sim com justiça econômica.

    Mariana Oliveira

    03/05/2026

    Luan, seu comentário revela um reflexo condicionado que a geopolítica do medo incutiu em parte da nossa sociedade: associar qualquer articulação entre países do Sul Global a um suposto complô comunista. Mas vamos além do rótulo. Quando Lavrov se encontra com a Índia para alinhar a agenda do BRICS, o que está em jogo não é ideologia, é redistribuição de poder econômico. A Índia, vale lembrar, é uma democracia com governo hinduísta de direita, liderada por Modi — dificilmente o arquétipo do comunista que você evoca. O que aproxima Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul é a insatisfação com um sistema financeiro global que concentra poder de emissão de moeda e de decisão em poucos países do Atlântico Norte. Não se trata de enfraquecer o Ocidente como um fim em si mesmo, mas de criar alternativas para que países como o nosso não continuem reféns de flutuações cambiais impostas por terceiros.

    A crítica que você faz ao “Brasil acima de tudo” ecoa um discurso que, na prática, mantém o Brasil exatamente onde está: na periferia do capitalismo global, exportador de commodities e importador de tecnologia cara. A teórica Kimberlé Crenshaw, ao formular a interseccionalidade, nos ensina que as opressões se cruzam e que não dá para separar raça, classe e geopolítica. Da mesma forma, não dá para separar a soberania econômica de um país da sua capacidade de decidir com quem e como negociar. O BRICS não é um bloco homogêneo — há contradições internas profundas, como a disputa territorial entre Índia e China —, mas justamente por isso ele funciona como um espaço de negociação entre potências emergentes que recusam o papel de coadjuvantes. Se isso é “buraco”, como você diz, então o buraco é o mesmo em que o Brasil já está desde 1500, vendendo barato e comprando caro, sempre com a bênção de quem acha que alinhamento automático com Washington é patriotismo.

    bell hooks, em “Ensinando a Transgredir”, nos lembra que a educação para a liberdade exige que a gente desconfie das narrativas únicas. Quando você repete que o BRICS quer nos jogar no buraco junto com eles, está comprando uma versão pasteurizada da história, que trata qualquer tentativa de autonomia como ameaça. O buraco, Luan, é a dependência estrutural que nos faz pagar juros exorbitantes enquanto nossos recursos naturais são drenados. O buraco é a ausência de uma política industrial robusta que nos permita competir de igual para igual. O encontro de Lavrov em Nova Délhi, na prática, discute exatamente como sair desse buraco — usando moedas locais, financiando infraestrutura e coordenando preços de energia. Se você olhar para isso e ver apenas “comunismo”, talvez esteja olhando com os óculos errados. O debate não é entre esquerda e direita; é entre soberania e subordinação. E soberania, meu caro, não tem bandeira partidária.


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