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Paquistão planta 10 bilhões de árvores em três anos e vira referência global de reflorestamento em larga escala

82 Comentários🗣️🔥 Pessoas plantam mudas em solo seco, em um esforço de reflorestamento. (Foto: olhardigital.com.br) O programa 10 Billion Tree Tsunami, lançado pelo governo paquistanês entre 2018 e 2023, transformou o país em referência planetária de reflorestamento e demonstrou que uma política climática ambiciosa pode caminhar lado a lado com geração de emprego em regiões […]

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Pessoas plantam mudas em solo seco, em um esforço de reflorestamento. (Foto: olhardigital.com.br)

O programa 10 Billion Tree Tsunami, lançado pelo governo paquistanês entre 2018 e 2023, transformou o país em referência planetária de reflorestamento e demonstrou que uma política climática ambiciosa pode caminhar lado a lado com geração de emprego em regiões historicamente marginalizadas.

A iniciativa descentralizou a produção de mudas para viveiros comunitários e envolveu milhares de trabalhadores rurais na distribuição e na guarda das novas áreas florestadas. Criou-se assim uma rede de responsabilidade local que o governo federal coordenou sem centralizar.

O plano instituiu um sistema de monitoramento por satélite para verificar a sobrevivência de cada muda e reagir rapidamente a pragas ou queimadas. Essa combinação de capilaridade social com rastreamento georreferenciado foi decisiva para que o programa ultrapassasse a marca de 10 bilhões de árvores plantadas dentro do prazo previsto.

O governo contratou jovens como forest guards — guardas florestais remunerados com salários fixos — para patrulhar, coletar dados ambientais e manter as áreas reflorestadas. Esse alistamento ecológico gerou milhares de postos de trabalho formais em brigadas de plantio e monitoramento, convertendo a política climática em motor de desenvolvimento local nas províncias mais pobres do país.

Conforme destaca o Olhar Digital, espécies de crescimento rápido e tolerantes ao estresse hídrico, como o Neem, foram combinadas a árvores frutíferas para garantir sombra, diversidade ecológica e segurança alimentar de forma simultânea. A escolha evitou monoculturas vulneráveis e fortaleceu a resistência dos novos bosques, já que plantas de raízes profundas, copas densas e ciclos distintos de florada multiplicam os serviços prestados pelo ecossistema.

Em um país que convive com ondas de calor fatais, as florestas jovens vêm reduzindo a temperatura ambiente e aliviando a demanda por eletricidade em áreas urbanas superpovoadas. O efeito deve se intensificar à medida que as copas amadurecem, porque o processo de evapotranspiração das folhas devolve umidade à atmosfera e cria microclimas capazes de atenuar picos de 45 °C que se tornaram mais frequentes nas últimas décadas.

Outro ganho estrutural é o reforço da segurança hídrica: as raízes fixam o solo, reduzem a erosão e aumentam a infiltração das chuvas, diminuindo as enchentes que historicamente devastam vilarejos inteiros durante as monções. Solos estáveis e úmidos retêm nutrientes, prolongam a temporada de cultivo e protegem lavouras de secas repentinas que derrubam safras e a renda dos agricultores.

No plano financeiro, a nova cobertura vegetal abre caminho para o comércio de créditos de carbono, ativo que pode valer bilhões de dólares se o Paquistão comprovar a captura de CO₂ nos próximos inventários globais de emissão. O turismo ecológico também desponta como fonte de receita, já que trilhas, parques e reservas recém-criadas atraem visitantes em busca de paisagens antes degradadas pela extração ilegal de madeira.

Autoridades locais afirmam que leis mais duras contra o desmatamento consolidam os resultados obtidos, pois elevam o risco para madeireiros clandestinos e protegem os investimentos feitos nas comunidades reflorestadas. O sucesso do programa desperta interesse em nações que buscam soluções climáticas de baixo custo e grande impacto, provando que engajamento popular, dados georreferenciados e remuneração digna conseguem reverter décadas de degradação ambiental.

Especialistas apontam que adaptar o modelo exigirá vontade política equivalente, já que o diferencial paquistanês não foi apenas tecnológico, mas a decisão de elevar o reflorestamento à condição de prioridade de Estado, acima de disputas partidárias e restrições orçamentárias imediatas. Ao vincular plantio a emprego, o país contornou as objeções fiscais comuns em programas ambientais, demonstrando que a restauração de ecossistemas pode gerar retorno social imediato e mensurável.

O caso reforça o argumento de que políticas climáticas agressivas são compatíveis com crescimento econômico — argumento decisivo nas negociações internacionais sobre financiamento a projetos de adaptação nos fóruns da ONU. Países densamente povoados com alto desemprego juvenil encontram no exemplo paquistanês um roteiro concreto para converter mão de obra ociosa em força de restauração ambiental e, ao mesmo tempo, dinamizar economias locais enfraquecidas.


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Sandra Martins

03/05/2026

Puxa, que notícia linda de se ler. Como cristã, acredito que Deus nos deu a responsabilidade de cuidar da criação, e ver um país fazendo isso em grande escala me enche de esperança. O Tadeu ali em cima reclama de retorno econômico, mas será que preservar o que Deus nos deu não é o maior retorno que podemos ter? Só acho que a gente podia aprender com isso sem transformar tudo em briga política, como já virou moda por aqui.

Tadeu

03/05/2026

Pois é, bonito no papel, mas cadê o impacto disso no PIB per capita ou na dívida pública deles? Plantar árvore é legal, mas se não gerar retorno econômico mensurável, é só foto pra ONG bater palma.

Roberto Lima

03/05/2026

O Márcio Torres tem razão. Enquanto essa turma briga pra saber se plantar árvore é de esquerda ou de direita, o Paquistão, que não é nenhum exemplo de capitalismo, simplesmente fez. Agora, falando sério: 10 bilhões de mudas em três anos é obra de estado grande e pesado, sim. Nada contra reflorestar, mas imagina o custo disso pro contribuinte. Aqui no agro a gente planta, colhe e preserva sem precisar de estado metido a salvador da pátria.

Márcio Torres

03/05/2026

A discussão embaixo desta matéria é um retrato perfeito de como perdemos a capacidade de avaliar políticas públicas pelos seus resultados concretos. Enquanto uns veem conspiração comunista em todo reflorestamento, outros transformam qualquer dado positivo em prova de que o mundo inteiro deveria adotar o mesmo modelo cegamente. O programa paquistanês é interessante justamente por mostrar que é possível conciliar metas ambientais ambiciosas com geração de emprego local, algo que qualquer economista sério reconheceria como um trade-off bem administrado. Mas, claro, aqui nos comentários preferimos reduzi-lo a mais um cabo de guerra ideológico.

O que me chama atenção nos números divulgados é a escala logística envolvida: 10 bilhões de mudas em três anos implica uma cadeia de produção e distribuição que poucos países em desenvolvimento conseguiriam sustentar. O Paquistão tem sérios problemas de governança, corrupção endêmica e instabilidade política, então é legítimo questionar quantas dessas árvores realmente sobreviveram ao primeiro ano. Estudos de caso em reflorestamento mostram que taxas de mortalidade acima de 40% são comuns em projetos mal planejados, especialmente em regiões áridas como as que o programa visava recuperar. Seria bom ver dados de sobrevivência a longo prazo antes de declarar o país como referência global.

Dito isso, a crítica mais pertinente que li aqui veio nas entrelinhas do comentário do Carlos Mendes: o problema não é o reflorestamento em si, mas nossa mania de transformar qualquer política pública em torcida organizada. O Paquistão fez algo que merece estudo, sim, mas não porque seja um modelo a ser copiado acriticamente. Cada bioma tem suas especificidades, cada economia tem suas restrições orçamentárias. O que funciona em Punjab pode não funcionar na Amazônia ou no Cerrado. A abordagem científica seria extrair lições sobre engajamento comunitário e logística de plantio, não sair por aí exigindo que o Brasil plante 20 bilhões de árvores amanhã.

E para encerrar: a Karina Libertária tocou num ponto relevante sobre emprego versus assistencialismo, mas acho que ela confunde a direção da causalidade. O programa gerou empregos justamente porque era uma política pública estruturada com financiamento e metas claras. Não foi o “mercado” que decidiu plantar 10 bilhões de árvores; foi o Estado, com dinheiro público e planejamento centralizado. Se isso é “comunismo” ou “bom senso”, cada um que decida. Mas, pelos dados, parece ter funcionado melhor do que a maioria dos projetos ambientais financiados por ONGs internacionais nos últimos 20 anos. Talvez o problema não seja a ideologia, e sim nossa recusa em aprender com o que realmente dá certo, independentemente do rótulo.

Karina Libertária

03/05/2026

10 bilhão de árvores em três anos? E o povo lá deve estar passando fome enquanto plantam mato. Aqui no Brasil a gente fica discutindo ideologia enquanto o Paquistão faz acontecer. Mas claro, pra essa turma que vive de bolsa família qualquer coisa que não seja assistencialismo é “comunismo”. Vão continuar perdendo tempo enquanto o mundo avança, e eu aqui de Miami vendo tudo de longe.

Fernando O.

03/05/2026

O Carlos Mendes resumiu bem. 10 bilhões em três anos é um número impressionante, e o melhor é que gerou emprego local. Fico imaginando se um dia a gente consegue parar de transformar tudo em briga de esquerda vs direita e começar a olhar para o que realmente funciona, como esse programa do Paquistão.

Carlos A. Mendes

03/05/2026

Adalberto, com todo respeito, mas chamar reflorestamento de “comunismo” é forçar a barra. O Paquistão não é nenhum paraíso socialista, é um país com desafios enormes que conseguiu fazer algo concreto. Se a gente ficasse menos tempo discutindo rótulos e mais tempo olhando pro que funciona, talvez o Brasil também tivesse uma política ambiental que gerasse emprego de verdade.

Adriana Silva

03/05/2026

Faz o L, vai plantar árvore em Cuba, comunista!

Adalberto Livre

03/05/2026

10 bilhão de árvore e o Brasil não consegue nem plantar uma ideia na cabeça desse povo. Comunismo é isso, plantar árvore pra inglês ver.

    Rubens O Pescador

    03/05/2026

    Adalberto, comunismo é o quê, rapaz? Lá no meu sítio, na época do Lula, o povo tinha o que comer e a terra produzia. Esse negócio de “plantar pra inglês ver” é conversa de quem nunca viu a fome sumir com política pública de verdade.

Miriam

03/05/2026

Beto Engenheiro, você tem razão em pedir métricas, mas os números da FAO já mostram que a taxa de sobrevivência é bem razoável. O que me impressiona mesmo é a escala: 10 bilhões em três anos, com geração de emprego em áreas pobres. Aqui no Brasil a gente ainda briga pra aprovar licença ambiental de um loteamento.

Carlos Oliveira

03/05/2026

Sofia García, você tocou num ponto crucial. Enquanto o Paquistão, com toda a sua aridez e desafios estruturais, consegue articular uma política pública que une recuperação ambiental e geração de emprego nas regiões mais pobres, aqui no Brasil a bancada ruralista ainda insiste em tratar a floresta como obstáculo ao desenvolvimento. É a velha história: para as elites do agronegócio, progresso é sinônimo de desmatamento e concentração de terra, não de planejamento e justiça social.

Evelyn Olavo

03/05/2026

Sofia García, falou tudo. O Beto Engenheiro tem um pé atrás técnico que até faz sentido, mas o Paquistão já mostrou resultado com acompanhamento da FAO, enquanto aqui a direita briga com agenda climática e a esquerda defende desenvolvimento a qualquer custo. No fim, quem planta árvore de verdade tá anos-luz na frente de quem só sabe criticar.

Sofia García

03/05/2026

gente Beto Engenheiro, aí você tem um ponto técnico, mas o Paquistão já tá com taxa de sobrevivência de 70%+ no programa, tem estudo da FAO sobre isso. enquanto isso o Brasil queimou 22% da Amazônia em 5 anos e a galera discute se canudo de papel funciona. queria ver o capitão plantando muda ao invés de lacrar no twitter.

Beto Engenheiro

03/05/2026

Bonito no papel, mas cadê a engenharia por trás disso? Plantar 10 bilhões de mudas é um feito, mas sem infraestrutura de irrigação, drenagem e monitoramento, metade seca antes de virar árvore de verdade. Quero ver o relatório técnico de sobrevivência das mudas, não só o número bonito pra imprensa.

Marta

03/05/2026

Meus caros, que notícia inspiradora! Enquanto o Capitão Tavares, coitado, ainda está preso na narrativa de que “ordem” se faz com canhão e não com mudas, o Paquistão nos dá uma aula de política pública inteligente. Dez bilhões de árvores em três anos, gerando emprego nas regiões mais pobres. Isso, meus meninos, é o que se chama de desenvolvimento com responsabilidade social. O país deles, que enfrenta crises hídricas e desertificação, entendeu que cuidar do meio ambiente não é “frescura de esquerdista”, é questão de sobrevivência. Enquanto isso, aqui no Brasil, temos gente que acha que desmatar a Amazônia é “progresso” e que plantar árvore é coisa de “eco-chato”. Pois que venham aprender com o Sul Global, que está mostrando serviço.

O Luizinho 16 tocou num ponto crucial: o tal “capitalismo podre” que financia a destruição. O Paquistão, um país com enormes desafios econômicos e sociais, conseguiu aliar reflorestamento com geração de renda. Não foi com discurso vazio de “mercado resolve tudo”, foi com planejamento estatal, parcerias locais e mão na massa. E o mais bonito: as comunidades mais marginalizadas, aquelas que o “mercado” ignora, foram as protagonistas. Isso é política pública de verdade, não o “cada um por si” que alguns meninos mal-educados por aqui insistem em defender.

Quanto ao José dos Santos, que reclamou dos buracos em Salvador, entendo a frustração, meu filho. Mas uma coisa não anula a outra. A prefeitura de Salvador que cuide do asfalto, enquanto o governo federal e os estados deveriam estar olhando para exemplos como este. O problema é que, desde 2016, o Brasil virou as costas para o planejamento de longo prazo. O que a gente vê é apagão de políticas ambientais, enquanto o agro negócio desmata e o garimpo ilegal avança. Cadê o “Brasil potência” que prometeram? Virou potência em desmatamento, só.

O John Marshall tem razão em parte: plantar é só o começo, a sobrevivência das mudas é o verdadeiro desafio. Mas o Paquistão já mostrou que, com monitoramento comunitário e envolvimento das populações locais, é possível sim. Não é um projeto de “plantou e esqueceu”. É um programa contínuo, que aprende com os erros. Se a direita brasileira, que tanto adora elogiar exemplos internacionais, tivesse um pingo de humildade, pegava esse case e adaptava para a nossa realidade. Mas não, preferem ficar repetindo que “a culpa é do STF” ou que “a Amazônia é nossa e ninguém mete a colher”. Pois a natureza não está nem aí para discurso político, ela cobra a fatura com secas, enchentes e queimadas. E quem paga a conta é sempre o povo mais pobre. Fica a dica, meninos.

Capitão Tavares 🇧🇷

03/05/2026

Bonito isso, mas enquanto o Paquistão planta árvore, aqui no Brasil o STF solta bandido e o desmatamento na Amazônia vira cortina de fumaça pra desviar atenção da crise que o país tá afundado. Cadê as Forças Armadas tomando conta disso? País precisa de ordem, não de discurso ecochato de ONG estrangeira.

    Luizinho 16

    03/05/2026

    Capitão, soltar bandido e desmatar a Amazônia é o mesmo capitalismo podre que financia sua “ordem” enquanto o povo morre de fome.

José dos Santos

03/05/2026

Pois é, bonito no papel, mas aqui em Salvador eu tô vendo é asfalto esburacado e árvore caindo em cima de carro. Enquanto isso o preço da gasolina não baixa e a inflação come o lucro da corrida. Queria ver esse povo plantando árvore no meio do trânsito da Paralela.

John Marshall

03/05/2026

Um feito admirável, sem dúvida, e que merece ser estudado com seriedade. Mas, como bem observou a Ana Costa, o diabo mora nos detalhes: plantar 10 bilhões de mudas é uma coisa; garantir que elas sobrevivam e se integrem ao ecossistema é outra bem diferente. Lembra-me o debate de Hobbes sobre o contrato social — a promessa inicial é bonita, mas a execução e a manutenção são o verdadeiro teste. Fico curioso para ver os dados de monitoramento daqui a uma década.

Bia Carioca

03/05/2026

Pois então, Sargento Bruno, se o Paquistão conseguiu plantar 10 bilhões de árvores gerando emprego local, talvez o problema não seja o financiamento internacional, mas a falta de vontade política aqui no Brasil. Enquanto isso, a gente vê o desmatamento na Amazônia explodir sob o governo Bolsonaro e os defensores do “Brasil acima de tudo” batendo palma pra boiada passar. Cadê o projeto de reflorestamento em larga escala com geração de emprego pros brasileiros?

João Martins

03/05/2026

Ana Costa tocou num ponto crucial que todo projeto de reflorestamento em escala enfrenta: a diferença entre plantar mudas e efetivamente restaurar uma floresta. Dados da FAO indicam que a taxa de sobrevivência de mudas em projetos de grande porte no sul da Ásia varia entre 30% e 70%, dependendo da espécie, do manejo e do regime de chuvas. O Paquistão divulgou números de auditoria independente do programa Billion Tree Tsunami anterior (o de Khyber Pakhtunkhwa, que serviu de piloto) com sobrevivência acima de 80% após três anos, mas isso foi em áreas monitoradas de perto. O desafio agora é replicar esse índice em escala nacional, com 10 bilhões de mudas espalhadas por um território que vai do nível do mar até os 4.000 metros de altitude nos Himalaias. Seria interessante ver o governo paquistanês publicar os relatórios de monitoramento por satélite e amostragem em campo, algo que o World Resources Institute já recomendou.

Sobre a discussão ideológica que o Sargento Bruno e a Silvia Ramos levantaram, acho que misturam alhos com bugalhos de forma contraproducente. O fato do Paquistão ter um sistema legal baseado na sharia e registrar violações de liberdade religiosa é um problema real que merece crítica, mas não anula os resultados ambientais do programa. Se formos exigir que todo país com políticas climáticas exemplares tenha um histórico impecável de direitos humanos, vamos ficar sem nenhum exemplo no mundo – incluindo o Brasil, que desmatou a Amazônia a taxas recordes enquanto financiava garimpo ilegal em terras indígenas. O que me interessa como dado objetivo é que o programa gerou cerca de 85 mil empregos formais, muitos em áreas rurais pobres, e usou principalmente espécies nativas como acácia, pinheiro de Chilghoza e oliveira selvagem. Isso tem impacto mensurável na captura de carbono, na redução da erosão do solo e no microclima local.

O que me preocupa, e aí concordo com a desconfiança da Ana Costa, é a ausência de métricas de longo prazo. Plantar 10 bilhões de árvores em três anos exige uma logística monstruosa de produção de mudas, transporte e mão de obra. O governo paquistanês usou viveiros comunitários e pagou agricultores locais para produzir as mudas, o que é inteligente do ponto de vista econômico e social. Mas a sobrevivência dessas árvores depende de chuvas regulares – e o Paquistão enfrenta secas severas no Baluchistão e em partes do Sindh. Um estudo da Universidade de Punjab mostrou que áreas plantadas com espécies de crescimento rápido como eucalipto tiveram mortalidade de 40% no segundo ano em regiões semiáridas. Se o governo não tiver um plano de irrigação complementar e replantio, o número de 10 bilhões pode ser mais propaganda do que reflorestamento efetivo.

No fim das contas, o programa merece crédito pelo esforço e pela escala, mas precisa ser avaliado com ceticismo metodológico. O Paquistão tem um histórico de inflar dados – o censo populacional de 2017 foi contestado por demógrafos independentes. Acho que a comunidade científica deveria pressionar por um monitoramento aberto, com imagens de satélite de alta resolução e parcelas de amostragem aleatórias. Se os dados se confirmarem, é um case interessante de política pública que combina emprego verde com mitigação climática – e que poderia inspirar projetos similares no semiárido brasileiro, com a diferença de que aqui a gente precisa lidar com grilagem e desmatamento ilegal, que são problemas estruturais que o Paquistão também enfrenta, mas em escala menor.

Ana Costa

03/05/2026

O número é impressionante e merece reconhecimento, mas fico com um pé atrás: plantio em larga escala sem um plano de monitoramento de sobrevivência das mudas pode inflar os dados. Seria bom ver estudos independentes confirmando quantas dessas árvores realmente vingaram após três anos.

Silvia Ramos

03/05/2026

É bonito ver um país se preocupar com a criação, mas o que adianta plantar árvores se o coração do homem continua seco e sem Deus? O Paquistão persegue cristãos e impõe a sharia, enquanto o mundo fecha os olhos para isso. Como está em Salmos 127:1: “Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam”. Sem o temor do Senhor, todo esse esforço é apenas vaidade.

Sargento Bruno

03/05/2026

10 bilhões de árvores em três anos? Impressionante, sim, mas cadê o debate sobre quem financiou isso? Fundos climáticos internacionais pingando dinheiro em país islâmico que persegue cristãos e a esquerda brasileira aplaude como se fosse exemplo de gestão. Enquanto isso, aqui no Brasil, o povo morre de calor e a prioridade é desmatar pra plantar boi e ainda culpar o Bolsonaro. Cadê o patriotismo de verdade, plantando árvore e gerando emprego sem entregar a soberania nacional?

    Mariana Santos

    03/05/2026

    Sargento Bruno, você mistura alhos com bugalhos: o Paquistão usou fundos climáticos com transparência e pagou trabalhadores locais para plantar — aqui, o desmatamento ilegal na Amazônia cresceu 60% no governo Bolsonaro enquanto o agronegócio sugava subsídio público sem gerar emprego decente. Patriotismo de verdade é defender o meio ambiente e o povo, não entregar floresta pra boi com desculpa de soberania.

Marcus Almeida

03/05/2026

Bonito discurso, mas cadê a menção de que o Paquistão é um país islâmico que persegue cristãos e prega a sharia? Enquanto isso, a esquerda brasileira aplaude qualquer iniciativa estrangeira que venha com selo de “sustentável”, mas fecha os olhos pra perseguição religiosa. Gênesis 2:15 nos manda cuidar da terra, sim, mas sem abandonar a verdade e a família.

    Caio Vieira

    03/05/2026

    Marcus, seu reducionismo é um clássico exemplo do que Gramsci chamaria de “hegemonia às avessas”: ao invés de disputar a narrativa pela via da universalidade concreta, você a interdita com um moralismo seletivo que ignora a complexidade dialética entre política ambiental e justiça social. O povo paquistanês, em sua luta pela sobrevivência ecológica, merece solidariedade incondicional — e não a chantagem ideológica de quem confunde crítica ao fundamentalismo com desprezo pela vida das maiorias empobrecidas.

João Augusto

03/05/2026

Interessante como a thread rapidamente escorregou para um debate sobre Estado versus mercado, quando o dado mais relevante — e que a Mariana Ambiental tocou com precisão — é que o Paquistão conseguiu articular fundos climáticos internacionais com trabalho local remunerado, algo que Walter Benjamin chamaria de “politização da técnica”: a ecologia deixou de ser um discurso de classe média ilustrada para se tornar política concreta de geração de renda nas periferias do capital. Enquanto isso, por aqui, o debate público ainda oscila entre um liberalismo rasteiro que confunde Estado com ineficiência e um desenvolvimentismo predatório que trata a floresta como obstáculo. Gramsci já advertia: a crise ecológica é, antes de tudo, uma crise de hegemonia — não se resolve sem disputar a direção moral e intelectual da sociedade.

Luisa Teens

03/05/2026

Eduardo, aqui no Brasil a gente prefere desmatar pra boi pastar e depois rezar pra chuva voltar… sem noção total #ForaBolsonaro

Maria Aparecida

03/05/2026

Eduardo, você fala de custo-benefício mas esquece que a Bíblia já diz que a terra foi dada ao homem pra cuidar, não pra explorar até acabar. Gênesis 2:15. Enquanto o Paquistão gera emprego pros pobres plantando árvore, aqui o povo morre de calor na laje e ainda ouve que “não pode gastar com meio ambiente”. Cadê a tal da justiça social que tanto pregam?

Cláudio Ribeiro

03/05/2026

Eduardo, o seu argumento liberal clássico ignora que o Estado paquistanês agiu justamente onde o mercado jamais entraria: regiões áridas e empobrecidas, sem retorno financeiro imediato. O “custo-benefício” que você exige já é pago por todos nós em desastres ambientais e perda de biodiversidade — só que sem gerar um posto de trabalho sequer. Foucault já alertava: a biopolítica moderna não pode terceirizar a vida para a mão invisível do mercado.

Eduardo Teixeira

03/05/2026

Bonito projeto, mas vamos combinar: no Paquistão o Estado manda e o povo obedece. Aqui no Brasil, se o governo resolver “plantar 10 bilhões de árvores”, vai triplicar a dívida pública e a conta chega pra gente via imposto. Cadê o custo-benefício? Quero ver quanto desse reflorestamento foi pago com dinheiro suado do contribuinte paquistanês.

    Mariana Ambiental

    03/05/2026

    Eduardo, você reclama de imposto, mas o custo de enchente, deslizamento e safra perdida por seca já sai do bolso do contribuinte sem gerar um emprego verde sequer. O programa paquistanês foi bancado com fundo climático internacional e mão de obra local remunerada — não é autoritarismo, é planejamento que falta aqui.

Vanessa Silva

03/05/2026

Cecília, você tocou no ponto central que o pessoal do “custo de vida primeiro” insiste em ignorar: política ambiental bem feita não é gasto, é investimento com retorno social direto. O Paquistão gerou emprego em áreas pobres com esse programa, e aqui a gente continua achando que plantar árvore é coisa de “playboy”. Planejamento inteligente é conectar reflorestamento com geração de renda, não ficar escolhendo entre pagar conta e respirar ar limpo.

Cecília Silva

03/05/2026

Marcos Andrade, você falou tudo. O povo acha que cuidar do planeta é pauta de playboy, mas quem vive na favela sente na pele o calor extremo, a enchente, o deslizamento. Enquanto isso, o Paquistão mostrou que dá pra gerar emprego e recuperar terra ao mesmo tempo. Cadê o Brasil ter essa visão de política climática que inclua a periferia?

Marcos Andrade Niterói

03/05/2026

Pedro e João Carlos, entendo a frustração com o custo de vida, mas essa visão de que política ambiental é luxo de rico é o que nos afunda. O Paquistão mostrou que plantar árvore gera emprego e combate crise climática ao mesmo tempo. Aqui em Niterói, o Rodrigo Neves entende isso — o túnel Charitas-Cafubá e a briga pelo metrô sob a Baía são provas de que desenvolvimento e sustentabilidade andam juntos, diferente do descaso que vemos no governo estadual.

João Carlos Silva

03/05/2026

Pedro, é isso aí. Bonito o projeto deles, mas aqui no Brasil a gente mal consegue pagar o aluguel e a gasolina, quem dirá pensar em plantar árvore. Enquanto o custo de vida não baixar, esse tipo de notícia parece piada pra quem vive na correria do dia a dia.

Pedro

03/05/2026

Bonito projeto, mas enquanto isso aqui no Brasil a gasolina não para de subir e o IPVA come meu orçamento. Plantar árvore é lindo, mas quem vai pagar a conta no fim do mês? O Paquistão que se vire, eu quero é saber quando esse povo vai baixar o preço dos combustíveis.

Marta Souza

03/05/2026

Carlos Rocha, você tocou no ponto certo. Enquanto o governo paquistanês torra dinheiro de contribuinte nesse “tsunami” de árvores que ninguém sabe se vingou, a iniciativa privada brasileira já provou que refloresta com eficiência e sem um centavo de imposto. Cadê a transparência dos custos? Se fosse um projeto privado, o mercado já teria cobrado resultado. Estado bom é Estado mínimo.

    Renato Professor

    03/05/2026

    Marta, você repete o mantra do “Estado mínimo” como se a iniciativa privada brasileira tivesse reflorestado um décimo do que o Paquistão fez sem subsídio fiscal ou grilagem de terra. O “mercado” que você defende não plantou árvore nenhuma na Caatinga ou na Amazônia porque floresta em pé não dá lucro trimestral — e o custo que você exige com transparência é o mesmo que some em balanço de empresa de papel e celulose que queima mata nativa.

João Santos

03/05/2026

Pois é, bonito no papel, mas cadê o povo pra fiscalizar se essa árvore vingou ou virou pasto? Enquanto isso, aqui no Brasil o pessoal quer gastar rios de dinheiro em “reflorestamento” que some com verba desviada. Bandido bom é bandido preso, e político corrupto também.

Carlos Rocha

03/05/2026

Bonita foto, mas cadê o custo por árvore? Ninguém pergunta quanto de imposto o povo paquistanês pagou pra isso. Se fosse iniciativa privada, plantava metade com o mesmo dinheiro e ainda gerava lucro. Enquanto isso, no Brasil, o Estado gasta bilhões em “reflorestamento” que vira pasto ilegal em cinco anos.

    Paulo Ribeiro

    03/05/2026

    Carlos, seu comentário é exemplar do pensamento liberal clássico: reduzir qualquer política pública a uma planilha de custo-benefício, como se o valor de uma floresta se medisse em receita gerada por hectare. Você pede o custo por árvore no Paquistão, mas silencia sobre o custo da inação climática que já bate à nossa porta — enchentes em Porto Alegre, secas no Pantanal, queimadas recordes na Amazônia. O 10 Billion Tree Tsunami não é um projeto de “lucro” no sentido empresarial; é uma obra de infraestrutura ecológica, que gera empregos rurais, recupera aquíferos, fixa carbono e mitiga desastres naturais. A pergunta que você deveria fazer não é “quanto custou”, mas “quanto custaria não ter feito”.

    Quanto à sua defesa da iniciativa privada como solução mágica, ela ignora a história concreta do capitalismo no Sul Global. Quem desmatou o Paquistão nas últimas décadas foram justamente as madeireiras privadas e os latifundiários que transformaram florestas em pasto e carvão vegetal para exportação. O Estado paquistanês, com todos os seus defeitos, ao menos reconheceu que o mercado não tem mecanismos intrínsecos para preservar bens comuns — essa é a lição elementar de Garrett Hardin, mas também de Karl Polanyi: o mercado desregulado destrói os próprios fundamentos naturais da produção. A iniciativa privada planta eucalipto e pinus onde deveria haver mata nativa, porque o cálculo do lucro de curto prazo sempre vence a sustentabilidade de longo prazo.

    E sobre a corrupção no Brasil, você tem razão em denunciar — mas erra o alvo. O problema não é o Estado em si, mas o Estado capturado pelo agronegócio e pela bancada ruralista. Os bilhões que você menciona não são gastos em reflorestamento sério; são desviados para projetos fantasmas que benefician fazendeiros aliados, exatamente como o senhor aponta. A solução não é privatizar a política ambiental, mas sim fortalecer o controle social, a transparência e o financiamento público com metas verificáveis — algo que o Paquistão, com todas as suas limitações institucionais, tentou fazer ao vincular o plantio a empregos locais e ao monitoramento comunitário. Enquanto a esquerda brasileira não conseguir articular um projeto de desenvolvimento que combine justiça social, soberania nacional e regeneração ecológica, continuaremos nessa dança das cadeiras: o mercado destrói, o Estado tapa buraco com dinheiro público, e o povo paga a conta duas vezes.

João Pereira

03/05/2026

O pessoal tem razão em pedir métrica de sobrevivência, mas também vale lembrar que o Paquistão fez isso em regiões de conflito e com orçamento apertado. Enquanto isso, o Brasil tem verba e estrutura e ainda patina em projetos sérios de recuperação. No fim, o mérito deles é ter tirado do papel algo que aqui vira eterno estudo de viabilidade.

Diego Fernández

03/05/2026

Pedro, você está certo em pedir métrica, mas o ceticismo seletivo cansa. Enquanto a gente fica aqui discutindo taxa de pegamento de mudas no Paquistão, o Brasil queimou 22% da Amazônia nos últimos anos e o governo atual corta orçamento do Ibama. O 10 Billion Tree Tsunami gerou emprego local, recuperou áreas degradadas e mostrou que um país do Sul Global pode fazer política ambiental sem pedir licença a banqueiro europeu. Se eles erraram na execução, que venham os estudos — mas o mérito político de tentar é gigante.

Paulo Rocha

03/05/2026

Esse pessoal metido a fiscal de métrica de sobrevivência de árvore no Paquistão… Enquanto isso, no Brasil, o governo gasta rios de dinheiro com ONG amiga que planta eucalipto em área de proteção e ainda solta nota fiscal fria. 10 bilhões de árvores em três anos é um feito e tanto, mas cadê o Brasil fazendo algo assim? Ah, é, o Brasil tá ocupado fazendo o L e importando marxismo cultural em vez de plantar uma muda. Vai pra Cuba plantar árvore, vai.

    Pedro Almeida

    03/05/2026

    Paulo, você joga fora a criança junto com a água do balde. Criticar métricas de sobrevivência não é “frescura de fiscal”, é o básico do pensamento científico desde Francis Bacon — sem evidência empírica, o que sobra é autoengano. E sim, o Brasil tem seus próprios escândalos ambientais, mas apontar o dedo para os outros não nos exime de cobrar transparência também aqui.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Fernanda e Cecília estão certíssimas em pedir métrica de sobrevivência. Número bruto de mudas plantadas é métrica de vaidade, não de impacto real. Se o governo paquistanês divulgar a taxa de pegamento acima de 70% e diversidade de espécies nativas, aí sim vira case para o mundo inteiro estudar.

Ana Souza

03/05/2026

Cecília e Fernanda, vocês tocam no ponto exato que me incomoda. Falta um dado básico nessa história: quantas dessas 10 bilhões de mudas estavam vivas dois anos depois? Sem métrica de sobrevivência e sem saber se plantaram espécies nativas ou exóticas de rápido crescimento, esse número vira mais um indicador de esforço do que de resultado ambiental real. O Paquistão merece crédito pela ambição, mas como jornalista, eu queria ver as planilhas de monitoramento antes de bater palmas.

Julia Andrade

03/05/2026

Julia (Rio de Janeiro) – É impressionante como a narrativa em torno do “10 Billion Tree Tsunami” mobiliza tanto entusiasmo quanto ceticismo, e acho que ambos os lados têm razão em pontos específicos. O que me chama atenção, como alguém que estuda cultura e políticas públicas, é o que esse programa revela sobre a relação entre Estado, território e comunidades marginalizadas. Diferente do que o Ricardo sugeriu, não vejo aqui um mero “cabide de emprego” estatal, mas sim uma tentativa – imperfeita, claro – de articular emergência climática com justiça social. O Paquistão é um país com profundas desigualdades regionais, e gerar trabalho formal em áreas rurais empobrecidas através do plantio de árvores não é trivial. A pergunta que fica é: quem decidiu o quê, onde e como plantar? Se as comunidades locais foram protagonistas ou apenas mão de obra barata para um projeto top-down, isso muda completamente a avaliação.

A Cecília e a Fernanda tocaram num nervo exposto: a diferença entre reflorestamento quantitativo e recuperação ecológica de fato. Plantar 10 bilhões de mudas em três anos é um feito logístico monumental, mas ecologicamente pode ser um desastre se a diversidade de espécies e a taxa de sobrevivência forem baixas. Estudos sobre programas similares na China e na Índia mostram que plantios massivos com poucas espécies, muitas vezes exóticas, criam florestas “fantasmas” que não sustentam biodiversidade nem serviços ecossistêmicos de longo prazo. O Paquistão precisa urgentemente divulgar dados abertos e auditáveis sobre mortalidade de mudas, composição florística e monitoramento pós-plantio. Sem transparência, o “tsunami verde” corre o risco de virar uma miragem estatística, mais útil para relações públicas do que para o clima.

Outro ponto que acho fundamental e que passou batido nos comentários é a dimensão de gênero e classe desse processo. Quem são as pessoas que efetivamente plantaram essas árvores? Relatos de campo indicam que muitos dos empregos temporários gerados foram ocupados por mulheres em áreas rurais, o que pode representar uma rara fonte de renda e autonomia feminina em regiões extremamente patriarcais. Mas também há denúncias de condições precárias de trabalho e salários abaixo do mínimo. Como feminista, não posso ignorar que políticas “verdes” muitas vezes reproduzem exploração de gênero e raça – vide as castas na Índia ou os quilombolas no Brasil. Seria ingênuo acreditar que o Paquistão escapou disso. O desafio é construir métricas que avaliem não só o carbono sequestrado, mas também o impacto na vida concreta das pessoas mais vulneráveis.

Por fim, acho que o debate precisa sair do maniqueísmo “tudo é marketing” versus “tudo é maravilhoso”. O programa paquistanês é ambicioso e inspirador, mas também carrega contradições típicas de um Estado pós-colonial com frágeis instituições ambientais. A comparação com o Brasil é inevitável: enquanto nosso desmatamento na Amazônia dispara, o Paquistão mostra que é possível reverter a degradação mesmo com recursos limitados. Mas também nos lembra que plantar árvore não substitui proteger florestas nativas maduras – e que o verdadeiro teste de qualquer política climática é a sua sustentabilidade política e ecológica daqui a 10, 20 anos. Se as árvores sobreviverem e as comunidades forem empoderadas, teremos um case global. Se não, será mais um capítulo na longa história de promessas verdes que viram pó.

Fernanda Oliveira

03/05/2026

A Cecília levantou um ponto crucial que ninguém está querendo encarar: plantar bilhões de árvores é uma coisa, mas garantir que elas sobrevivam e sejam nativas é outra completamente diferente. O Paquistão merece crédito pela ambição, mas sem transparência nos dados de mortalidade e composição de espécies, fica difícil separar o feito real do marketing verde. Seria bom ver a imprensa independente cobrando esses números antes de bater palmas.

Cecília Torres

03/05/2026

10 bilhões de árvores em três anos é um número impressionante, mas como jornalista, eu gostaria de ver os dados de sobrevivência dessas mudas e a composição das espécies. Plantar eucalyptus em área de deserto não é reflorestamento, é monocultura verde. O Paquistão merece crédito pela ambição, mas a métrica real é a recuperação ecológica, não o número de covas abertas.

Ricardo Menezes

03/05/2026

Bonito esforço de marketing, mas cadê o custo disso? 10 bilhões de árvores com dinheiro público e estatal, só podia dar emprego pra cabide de emprego. O livre mercado plantaria com muito mais eficiência e sem essa palhaçada de burocracia. Enquanto isso, o brasileiro paga imposto pra ver político se locupletando e a esquerda aplaudindo.

Pedro Silva

03/05/2026

Pois é, bonito no papel, mas aí o mesmo governo que planta árvore financia carvão e explora mina, como o Lucas falou. Aqui no Brasil é a mesma novela: um monte de promessa verde e os políticos de todos os lados só pensando em se locupletar. No fim das contas, a gente fica nessa bagunça enquanto o mundo queima.

Maria Clara Lopes

03/05/2026

Interessante ver um país com tantos desafios estruturais conseguir executar um projeto de reflorestamento nessa escala. Mas fico com a pulga atrás da orelha: plantio em larga escala não é a mesma coisa que recuperação ecológica de qualidade, com espécies nativas e monitoramento de longo prazo. O Lucas levantou um ponto válido sobre as contradições ambientais do Paquistão. No fim, acho que o mérito existe, mas precisamos olhar para os resultados reais daqui a uns 10 ou 20 anos antes de chamar de referência.

Lucas Andrade

03/05/2026

João Batista, bonita a fé, mas o problema é justamente esse: o discurso religioso escamoteia a materialidade da coisa. O Paquistão planta 10 bilhões de árvores enquanto financia carvão e explora minas a céu aberto no Baluchistão — é a mesma lógica do “desenvolvimento sustentável” que maquia o extrativismo com greenwashing estatal. Reflorestar sem questionar a matriz energética e a propriedade privada dos meios de produção é só rearranjar as cadeiras no Titanic.

Pedro Neto

03/05/2026

10 bilhão de árvore plantada e o brasil não consegue nem cuidar da Amazônia, vergonha

    João Batista

    03/05/2026

    Pedro Neto, a vergonha não é só nossa, é de um sistema que prefere lucro a vida. Enquanto o Paquistão planta com fé e trabalho, aqui desmatam em nome do agronegócio, como se a terra fosse só mercadoria e não herança de Deus.

Luciana Costa

03/05/2026

Maria Antonia, entendo seu ponto sobre o setor privado, mas acho que subestima o papel do Estado em projetos que exigem escala e coordenação nacional. O Paquistão mostrou que é possível unir política pública, geração de emprego e recuperação ambiental – algo que nem mercado nem governo sozinhos fariam. O ideal seria um meio-termo: Estado liderando o planejamento, mas com parcerias privadas bem desenhadas para sustentar o projeto no longo prazo.

Maria Antonia

03/05/2026

Ótima iniciativa, mas cadê o mérito do setor privado nessa história? O governo plantou 10 bilhões de árvores com dinheiro de impostos e mão de obra subsidiada. Em vez de gerar dependência estatal, que tal criar incentivos fiscais para empresas e proprietários rurais reflorestarem por conta própria? Responsabilidade individual e mercado funcionam melhor que tsunami burocrático.

Francisco de Assis

03/05/2026

Celio Fazendeiro, meu amigo, você tá viajando na maionese. Enquanto o Paquistão planta 10 bilhões de árvores e gera emprego pro povo, tem gente aqui querendo voltar pro tempo da exploração sem limite. Isso sim que é soberania de verdade, igual o Lula sempre falou: desenvolvimento com responsabilidade social e ambiental.

João Batista Alves

03/05/2026

Célio, meu filho, com todo respeito, mas esse pensamento de que desmatar tudo é o único caminho é um desserviço à própria terra que Deus nos deu para cuidar. O Paquistão acertou em gerar emprego e restaurar a criação, enquanto aqui a gente insiste em tratar a natureza como inimiga. Que exemplo bonito para nós, que temos tanto potencial e ainda teimamos em andar para trás.

    João Carvalho

    03/05/2026

    João, você tocou num ponto crucial: a dimensão simbólica desse projeto. O Paquistão, com todos os seus problemas estruturais, conseguiu articular política ambiental e geração de trabalho digno, algo que aqui frequentemente tratamos como antagônico. Enquanto insistirmos no falso dilema entre preservação e desenvolvimento, continuaremos a repetir o ciclo do subdesenvolvimento que condena tanto a natureza quanto os trabalhadores rurais à precariedade.

Clarice Historiadora

03/05/2026

Celio Fazendeiro, você está confundindo política ambiental com invasão de propriedade. O Paquistão plantou 10 bilhões de árvores em áreas degradadas e gerou empregos locais — não tem nada a ver com “índio e ONG”. Seu discurso de que desmatar tudo é o único caminho pro agro só mostra que você nunca leu um relatório da Embrapa sobre recuperação de pastagens degradadas. Inclusive, o Cerrado já perdeu 50% da cobertura vegetal justamente por esse tipo de pensamento raso.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Ah, mais um conto da carochinha pra enganar trouxa. 10 bilhões de árvores no Paquistão? E daí? Lá eles não tem que lidar com essa praga de índio e ONG que não deixa derrubar nem um pé de mato. Aqui no Brasil a gente tem é que desmatar tudo pra plantar soja e criar gado, que é o que realmente dá dinheiro. Esse negócio de “referência global” é coisa de ecochato que nunca trabalhou na roça.

    Mateus Silva

    03/05/2026

    Celio, sua visão de que desenvolvimento rural se resume a desmatar tudo para soja e gado é exatamente o tipo de pensamento que condena o Brasil a repetir o ciclo de exploração predatória que já deixou metade do Cerrado destruído e milhões de hectares de terra improdutiva. O problema não são índios ou ONGs, mas um modelo agrário que confunde lucro imediato com riqueza nacional, enquanto o agronegócio brasileiro deve bilhões em subsídios e ainda assim não consegue competir sem queimar florestas.

Mariana Alves

03/05/2026

Nadia Petrova tocou num ponto que merece ser desdobrado com mais cuidado. O programa 10 Billion Tree Tsunami não é apenas um feito ecológico; é uma demonstração prática de que o Estado, quando age com planejamento e visão de longo prazo, pode sim coordenar políticas públicas de grande escala que geram empregos e restauram ecossistemas simultaneamente. O Paquistão, um país com sérios problemas de governança e recursos limitados, conseguiu mobilizar comunidades inteiras em regiões historicamente abandonadas pelo capital, criando uma força de trabalho voltada para a regeneração ambiental. Isso contraria frontalmente a cartilha neoliberal que insiste em reduzir o Estado a um mero espectador, enquanto entrega à iniciativa privada a responsabilidade por bens comuns que, por natureza, não geram lucro imediato.

O que me incomoda, no entanto, é a tendência de alguns comentários em transformar essa notícia numa disputa moralista entre “bons” e “maus” países, como se o Brasil estivesse simplesmente escolhendo não fazer igual. Não se trata de falta de vontade, mas de um projeto de poder. O desmonte ambiental que testemunhamos nos últimos anos não é acidental; ele serve a uma lógica de acumulação predatória que precisa extrair o máximo de valor no menor tempo possível, ignorando os custos sociais e climáticos. O Paquistão plantou árvores porque seu governo, naquele período, entendeu que a crise climática exige ação coordenada e que o desemprego estrutural não se resolve com isenções fiscais para agronegócio exportador. Aqui, ao contrário, o desmatamento é muitas vezes tratado como externalidade aceitável do crescimento do PIB.

A comparação com o Brasil, portanto, não deve ser feita em termos de “eles conseguiram, por que nós não?”, mas sim perguntando: quem ganha com a manutenção do desmatamento e da degradação? Enquanto o discurso dominante insistir em criminalizar o Estado e em tratar o meio ambiente como obstáculo ao desenvolvimento, continuaremos a ver projetos como o do Paquistão como exceções heroicas, e não como o que deveriam ser: política pública básica em qualquer nação que se pretenda minimamente responsável com o futuro. A Nadia está certa: o exemplo paquistanês desmonta o argumento liberal rasteiro de que “governo não resolve nada”. Resolve, sim, quando a correlação de forças permite. O problema é que aqui a correlação de forças ainda favorece quem lucra com a destruição.

Nadia Petrova

03/05/2026

Bonito exemplo, mas a ironia é que enquanto o Paquistão planta 10 bilhões de árvores com planejamento estatal e mão de obra local, nossos liberais de buteco ainda repetem que “governo não resolve nada”. Pois é, Ronaldo, o dinheiro do reflorestamento chega na ponta sim — quando há vontade política de verdade e não só discurso de culpado.

Carlos Menezes

03/05/2026

Ronaldo, entendo a frustração com a gestão ambiental no Brasil, mas acho que o exemplo do Paquistão mostra justamente que reflorestamento em larga escala pode ser viável até em países com menos recursos que o nosso. A questão não é só plantar árvore, mas fazer isso com planejamento e gerando emprego local, o que me parece um bom caminho para sair desse impasse entre desenvolvimento e preservação.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, bonito no papel, mas aqui no Brasil a gente mal consegue manter as árvores que já existem de pé, imagina plantar 10 bilhões. Enquanto isso, o governo só aumenta imposto e a gasolina não para de subir. Cadê esse dinheiro do reflorestamento que nunca chega na ponta?

João Silva

03/05/2026

Renata, bonito ver alguém falando em cuidar da criação sem cair no discurso vazio do “desenvolvimento a qualquer custo”. O Paquistão acertou ao entender que reflorestamento não é pauta de “ecochato”, é política pública que gera emprego e mitiga desastre — coisa que o agronegócio brasileiro insiste em ignorar enquanto desmata o Cerrado.

Renata Oliveira

03/05/2026

Que maravilha ver uma iniciativa assim dando certo! O Paquistão mostrou que com planejamento e boa vontade é possível cuidar da criação de Deus e ainda gerar empregos. Tomara que o Brasil olhe para esse exemplo e pare de ficar nessa briga ideológica sem sentido.

Dr. Thiago Menezes

03/05/2026

Carlos, você pede desoneração fiscal como se o Paquistão tivesse uma receita de país nórdico. O custo de 10 bilhões de mudas é irrisório perto do que o país gasta com enchentes e secas que o desmatamento agravava. Se quer criticar, mostre evidências de que o dinheiro foi desviado ou que as árvores morreram, não um falso dilema contábil.

Carlos Meirelles

03/05/2026

Marina, respirar ar puro é ótimo, mas o custo de 10 bilhões de mudas pagas com dinheiro público poderia ter financiado desoneração fiscal para empresas locais ou infraestrutura hídrica privada. O Paquistão virou referência em reflorestamento, mas continua um dos países mais pobres da Ásia — plantar árvore não substitui reforma econômica de verdade.

    Tiago Mendes

    03/05/2026

    Carlos, você coloca desoneração fiscal como se fosse uma escolha moralmente neutra, mas a Bíblia é clara sobre o dever de cuidar da criação e do pobre. Plantar 10 bilhões de árvores não substitui reforma econômica, mas também não a impede — e, ao contrário do seu falso dilema, um país que degrada seu solo e seu ar para aliviar imposto de empresa não está fazendo reforma alguma, está apenas adiando a conta que a natureza vai cobrar.

Marina Silva

03/05/2026

Rick Ancap, o lucro é ter ar pra respirar e um planeta que não vire um forno, mas sei lá, pra quem acha que tudo se mede em bitcoin, deve ser difícil entender.

Beatriz Lima

03/05/2026

Ah, Tonho, respira fundo. O Paquistão não é uma facção do PT, e plantar árvore não é pauta exclusiva da esquerda brasileira. Mas já que você abriu a porteira, vamos aos fatos.

O programa 10 Billion Tree Tsunami tem auditoria independente da FAO e de universidades internacionais. Não é “comunismo islâmico” — é um país que enfrenta desertificação severa, enchentes cíclicas e uma população que precisa de sombra e água potável. Se o governo deles conseguiu coordenar 10 bilhões de mudas com verificação por satélite e gerou 85 mil empregos temporários em áreas rurais, talvez a gente devesse perguntar como, em vez de partir pro tribalismo barato.

Rick, seu comentário é quase uma obra de arte da ideologia aplicada. Você pede “lucro” de reflorestamento como se floresta fosse uma startup de delivery. O problema é que seu modelo de “custo-benefício privado” ignora que solo degradado não paga imposto, enchente não tem plano de saúde e ar poluído não gera produtividade. Se a única métrica que você aceita é o PIB imediato, então parques nacionais, saneamento básico e vacinação também seriam “gastos públicos sem retorno”. O mundo real não cabe numa planilha de Excel de um curso de economia austríaca.

Cristina, você foi certeira ao expor o paradoxo liberal. Mas eu adicionaria um dado que o artigo menciona de passagem e merece destaque: o programa priorizou espécies nativas e envolveu comunidades locais no plantio. Isso significa que não foi só “jogar muda no chão e torcer”. Houve monitoramento de taxa de sobrevivência, que ficou em torno de 60-70% — longe do ideal, mas impressionante para um país com histórico de desmatamento e pouca infraestrutura.

No fim, o que me deixa cética é ver brasileiros discutindo um projeto paquistanês como se fosse torcida de futebol. Enquanto a gente perde tempo com chiliques ideológicos, o Paquistão — sim, o Paquistão — virou referência global. Talvez o problema não seja a falta de árvores, mas a abundância de certezas sem dados.

Rick Ancap

03/05/2026

10 bilhões de árvores com dinheiro público? Parabéns pelo jardim estatal, agora me mostra o lucro disso e quantos empregos privados de verdade foram destruídos pra bancar essa cortina de fumaça verde.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Rick, seu comentário é um primor de ideologia liberal levada ao paroxismo: a redução de toda e qualquer política pública a uma planilha de custo-benefício privado. Você pede o “lucro” de um programa de reflorestamento como se estivesse avaliando uma franquia de hambúrguer. Isso revela um profundo desconhecimento não só de ecologia, mas da própria filosofia política que você tenta invocar. Desde John Stuart Mill, passando por Amartya Sen, sabemos que o bem-estar humano não se mede exclusivamente pelo PIB ou pela taxa de retorno de capital. O que o Paquistão fez foi um investimento em bens públicos — ar puro, regulação hídrica, contenção de desertificação, sequestro de carbono — que o mercado, por sua própria natureza, jamais precificaria adequadamente. Chamar isso de “jardim estatal” é um reducionismo digno de quem acha que o SUS é um “pronto-socorro gratuito”: ignora que sem essas “cortinas de fumaça verde” (expressão infeliz, diga-se de passagem), a própria atividade econômica que você tanto venera entraria em colapso por falta de recursos naturais.

    A pergunta sobre “quantos empregos privados foram destruídos” é ainda mais reveladora da sua moldura teórica. Você parte do pressuposto dogmático de que todo gasto público é, por definição, um desvio de recursos produtivos — como se o dinheiro dos contribuintes paquistaneses tivesse sido enterrado num buraco. Ora, o reflorestamento em larga escala gerou milhares de empregos diretos, especialmente em áreas rurais empobrecidas, onde o Estado muitas vezes é o único agente capaz de coordenar uma força de trabalho desmobilizada pelo próprio mercado. Isso se chama política anticíclica e distribuição de renda, algo que Keynes, e não Marx, já defendia nos anos 1930. Se o critério for “lucro privado”, então fechemos os parques nacionais, vendamos a Amazônia para madeireiras e transformemos o ar em mercadoria — aí sim teríamos o “verdadeiro” empreendedorismo que você idolatra.

    Por fim, é sintomático que você não tenha questionado a eficácia ecológica do programa — se as árvores são nativas, se a taxa de sobrevivência é alta, se o solo foi recuperado. Seu único parâmetro de crítica foi o financeiro. Isso me lembra a velha máxima de Marx sobre o capitalismo: tudo o que é sólido se desmancha no ar, inclusive a base material que sustenta a vida. O Paquistão, um país do Sul Global que sofre com as mudanças climáticas geradas principalmente pelo Norte industrializado, ousou pensar para além do curto prazo e do lucro imediato. Talvez o problema não seja o “jardim estatal”, mas sim um modelo de pensamento que só consegue enxergar o mundo como um balcão de negócios.

Tonho Patriota

03/05/2026

ISSO É FAKE NEWS! O LULA NEM PLANTOU 1 BILHÃO, QUEM DIRÁ 10! TUDO CORTINA DE FUMAÇA DO COMUNISMO ISLÂMICO! FAZ O L!

    Ricardo Almeida

    03/05/2026

    Tonho, você está confundindo alhos com bugalhos: o Paquistão plantou sim 10 bilhões de árvores, com verificação de órgãos internacionais como a FAO, e isso não tem nada a ver com Lula ou comunismo islâmico. Se for pra criticar, ao menos leia a fonte antes de sair gritando fake news.


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