Menu

Sheinbaum avisa que povo mexicano barrará qualquer incursão estrangeira no território nacional

47 Comentários🗣️🔥 A presidenta Claudia Sheinbaum discursa em evento do Governo do México. (Foto: contralinea.com.mx) A presidenta do México, Claudia Sheinbaum Pardo, advertiu que nenhum governo estrangeiro poderá pisar em território mexicano sem enfrentar a resistência do próprio povo. O recado elevou ainda mais a tensão nas relações com o presidente dos EUA, Donald Trump, […]

47 comentários
Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News
A presidenta Claudia Sheinbaum discursa em evento do Governo do México. (Foto: contralinea.com.mx)

A presidenta do México, Claudia Sheinbaum Pardo, advertiu que nenhum governo estrangeiro poderá pisar em território mexicano sem enfrentar a resistência do próprio povo. O recado elevou ainda mais a tensão nas relações com o presidente dos EUA, Donald Trump, que já ventilou publicamente a ideia de enviar tropas americanas contra cartéis mexicanos.

A declaração foi feita em Palenque, no estado de Chiapas, durante a inauguração do ecoparque La Ceiba, conforme relatou o portal Contralínea. Sheinbaum afirmou que quem tentar intervir encontrará ‘a força da história, da grandeza e da dignidade nacional’.

Na cerimônia, a presidenta enalteceu o legado dos povos originários e lembrou que seu governo chegou à Presidência pelo voto popular, não por elites ou potências externas. Ela reiterou os lemas centrais do movimento da Quarta Transformação (4T): ‘por el bien de todos, primero los pobres’, ‘não pode haver governo rico com povo pobre’ e ‘com o povo, tudo; sem o povo, nada’.

O ecoparque La Ceiba preserva 80% de área verde, utiliza luminárias solares e conta com sistema completo de gestão de resíduos e dois biodigestores que convertem dejetos em biogás. O espaço ainda oferece ciclopista, trotapista e bicipuerto, funcionando como vitrine da política de desenvolvimento urbano sustentável da 4T.

A advertência de Sheinbaum responde diretamente às declarações de Trump sobre a possibilidade de operações militares unilaterais em solo mexicano contra o crime organizado. Qualquer incursão não autorizada configuraria violação da Carta da ONU e dos tratados bilaterais em vigor entre os dois países.

Apesar da retórica tensa, o Palácio Nacional mantém canais diplomáticos abertos, defendendo que a cooperação em segurança só é possível com pleno respeito à soberania e à legislação mexicana. A posição de Sheinbaum é que a defesa da integridade territorial é ponto de consenso nacional, acima de divisões partidárias.

O México superou a China como maior parceiro comercial dos EUA, o que obriga Washington a calcular com cuidado os custos políticos e econômicos de qualquer escalada. Esse peso na balança comercial fortalece a posição negociadora da presidenta mexicana diante das pressões vindas do norte.

Ao encerrar o ato em Palenque, Sheinbaum afirmou que soberania não é conceito abstrato, mas a capacidade concreta de definir políticas sem medo de sanções, invasões ou chantagens. O público respondeu com aplausos e cantos patrióticos, enquanto vídeos da declaração circularam amplamente nas redes sociais.

Ao ligar proteção territorial a justiça social e transição ecológica, a presidenta delineia uma linha clara a potências externas e reforça que a nova etapa da 4T pretende ser bastião da autodeterminação mexicana. O discurso de Palenque consolida a narrativa de que o México não abrirá mão de sua soberania, independentemente da pressão que vier de fora.


Leia também: Sheinbaum cobra soberania após morte de agentes da CIA no México


📨 Inscreva-se na Newsletter de O Cafezinho

Receba nossas análises e as principais notícias diárias do Brasil e do Sul Global.


Apoie o Cafezinho
Siga-nos no Siga-nos no Google News

Comentários

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site O CAFEZINHO. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Escrever comentário

Escreva seu comentário

Maria Antonia

03/05/2026

Cristina Rocha, discurso de autodeterminação é bonito no papel, mas a realidade é que o México vive refém dos cartéis e de uma economia estatizante que afasta investimento. Soberania não se constrói com retórica de palanque, se constrói com instituições fortes, segurança jurídica e mercado livre. Enquanto a Sheinbaum posar de mártir anti-imperialista, o povo mexicano continua pagando a conta.

    Marina Silva

    03/05/2026

    Maria Antonia, seu comentário cheira a manual de economia de mercado do século passado — soberania não é planilha de Excel, é luta do povo contra quem acha que fronteira se resolve com capital estrangeiro.

Celio Fazendeiro

03/05/2026

Essa Luisa Teens aí deve achar que soberania é marchinha de protesto. O México tá dominado pelos cartéis, a economia dependendo dos EUA e a presidente vem com esse teatrinho. Enquanto isso o Trump já deve estar preparando a resposta e o povo mexicano que se vire.

    Cristina Rocha

    03/05/2026

    Celio, seu comentário reproduz exatamente o que o pensamento colonial espera que a gente repita: que soberania é artigo de luxo para países que já venceram todas as batalhas internas. Pelo seu raciocínio, nenhum povo oprimido teria o direito de afirmar sua autodeterminação enquanto houver uma contradição não resolvida dentro de suas fronteiras. Isso é um desserviço teórico e político. O México, como qualquer país da América Latina, é produto de séculos de espoliação imperialista, e os cartéis que você menciona com tanta segurança não surgiram do nada — eles são filhos diretos da demanda insaciável por drogas dos Estados Unidos, do livre mercado desregulado imposto pelo Consenso de Washington e do armamento que cruza a fronteira sul para o norte. Reduzir a complexidade do narcotráfico a uma suposta “incapacidade” do povo mexicano é, no mínimo, ignorar a geopolítica inteira.

    Você trata a declaração de Sheinbaum como “teatrinho”, mas qual seria a alternativa aceitável para você? Curvar-se e aceitar que o território nacional seja violado por forças estrangeiras? Isso não é pragmatismo, é subserviência. A soberania não é um estado de fato que se conquista de uma vez para sempre; é uma luta permanente, um processo dialético. O povo mexicano enfrenta os cartéis, sim, e enfrenta com um custo humano altíssimo — mais de 100 mil desaparecidos, jornalistas assassinados, comunidades inteiras deslocadas. Dizer que eles “não conseguem barrar” é desumanizar essa resistência e tratá-la como fracasso, quando na verdade é a expressão de uma guerra assimétrica que o capitalismo financeiro global impõe às periferias. A mesma lógica que condena o México por não ter resolvido os cartéis é a que justificaria a invasão dos EUA “para resolver o problema”.

    E tem mais: essa narrativa de que “o povo mexicano que se vire” enquanto Trump prepara a resposta é a falácia do realpolitik rasteiro. Você naturaliza a agressão imperialista como se fosse um dado inevitável da natureza, e não uma escolha política dos Estados Unidos. A presidenta Sheinbaum está fazendo exatamente o que um chefe de Estado deveria fazer: afirmar os princípios de não intervenção e autodeterminação dos povos, que são pilares do direito internacional público desde a Carta da ONU. Se o Brasil tivesse tido governantes com essa clareza em 1964, talvez não tivéssemos vivido 21 anos de ditadura civil-militar financiada por Washington. Então, sim, soberania não é marchinha de protesto — é a linha vermelha que separa um país independente de um protetorado. E o México, com todos os seus problemas, ainda não abriu mão de ser o primeiro.

Luiz Carlos

03/05/2026

Sargento Bruno, você foi cirúrgico. O povo mexicano não consegue nem barrar os próprios cartéis que dominam cidades inteiras, vai barrar o quê? Discurso bonito de soberania não paga conta e não segura fronteira. Aqui no Brasil a gente já viu esse filme: político fala bonito, mas na hora do vamos ver o povo é que se vira.

    Luisa Teens

    03/05/2026

    Ah, Luiz Carlos, que argumento raso, hein? Reduzir a luta do povo mexicano a “não consegue barrar cartéis” é papinho de quem acha que soberania se compra no mercado! #ForaBolsonaro

Sargento Bruno

03/05/2026

Lucas Alves, você tocou no ponto exato: discurso bonito não segura fronteira. O México já perdeu o controle do próprio território pros cartéis, e agora quer bancar a valente com os EUA? Isso é cortina de fumaça de uma esquerda que adora retórica anti-imperialista mas não tem coragem de enfrentar o crime organizado que destrói o país. Enquanto isso, o povo mexicano continua refém.

Lucas Alves

03/05/2026

Bonito discurso de soberania, mas convenhamos: se o povo mexicano já não consegue barrar os cartéis que dominam o país, vai barrar incursão estrangeira com que exatamente, com faixas e palavras de ordem? É sempre mais fácil prometer resistência heroica do que explicar como vai funcionar na prática.

Carlos Henrique Silva

03/05/2026

Marta, como sempre, cirúrgica ao desmontar esse falso paralelo entre soberania nacional e política de segurança pública. O que estamos vendo aqui é um capítulo clássico da lógica imperialista: o país central, no caso os EUA, tenta impor sua vontade sobre a periferia usando o discurso do “combate ao narcotráfico” como cavalo de Troia. Trump não está preocupado com os cartéis mexicanos – ele quer é acesso irrestrito ao território mexicano para garantir rotas comerciais e controle geopolítico, exatamente como os franceses fizeram na intervenção de 1861-1867 que o Ronaldo lembrou.

A fala de Sheinbaum é um sopro de lucidez em meio ao coro reacionário que pede submissão. Ela recupera o conceito gramsciano de hegemonia: o povo mexicano, organizado em suas lutas históricas, é o verdadeiro guardião da soberania. Não é discurso vazio, é a materialização de uma tradição de resistência que vai de Zapata a Lázaro Cárdenas, passando pela expropriação do petróleo em 1938. Enquanto isso, o João Santos reproduz a cartilha da direita que confunde autoritarismo com eficiência – como se matar pobres nas periferias resolvesse o problema estrutural do narcotráfico, que é fruto do próprio capitalismo selvagem e da demanda insaciável por drogas nos países ricos.

O que me preocupa é o silêncio cúmplice de setores da esquerda brasileira diante desse movimento. Enquanto Bolsonaro e seus asseclas beijam a bota de Washington, o México mostra que é possível dizer não. Mas para isso, precisamos entender que soberania não é abstração jurídica – é luta de classes na arena internacional. A burguesia mexicana, assim como a brasileira, sempre preferiu se alinhar ao império a defender os interesses nacionais. Sheinbaum, com todos os limites de seu governo, está fazendo o que Lula deveria ter feito com mais contundência: usar a retórica anti-imperialista como arma de mobilização popular.

João Santos

03/05/2026

Pois é, bonito discurso, mas cadê a ação contra o narcotráfico que domina o país? Enquanto isso, o Trump vai continuar apertando. Aqui no Brasil a gente já sabe como termina esse papo de soberania: com político fazendo discurso e o povo pagando a conta. Bandido bom é bandido preso, em qualquer língua.

    Marta

    03/05/2026

    João Santos, meu filho, senta aqui que a vovó professora vai te dar uma aula de história e política internacional. Você mistura alhos com bugalhos quando coloca no mesmo saco a soberania mexicana e a falácia do “bandido bom é bandido morto”. O México enfrenta o narcotráfico há décadas com uma guerra que já matou mais de 300 mil pessoas, e adivinha quem financiou esse conflito? Isso mesmo, os EUA, com o Plan Colômbia e o Plan Mérida, que armaram os cartéis indiretamente e criaram um ciclo de violência sem fim. Sheinbaum não está fazendo discurso vazio, ela está tentando quebrar essa lógica perversa de intervenção estrangeira que só serve para desestabilizar países e encher o bolso do complexo militar-industrial americano. Enquanto isso, aqui no Brasil, a política de guerra às drogas que você defende só lotou presídios de pretos e pobres, enquanto o PCC e o Comando Vermelho se fortalecem dentro do sistema. Bandido bom é bandido preso? Meu filho, o sistema prisional brasileiro é uma universidade do crime, e você sabe disso.

    Agora, sobre o Trump “apertar” o México: você acha mesmo que um país que resistiu a invasões francesas e americanas no passado vai se curvar a ameaças de um empresário falido que virou presidente? O México tem uma tradição de luta popular que a gente aqui no Brasil perdeu depois de 2016, quando entregamos o país a uma turma que achava que soberania era coisa de comunista. Sheinbaum está resgatando o espírito de Lázaro Cárdenas, que nacionalizou o petróleo em 1938 enfrentando os Estados Unidos e a Inglaterra. E deu certo, viu? O México construiu uma indústria petrolífera estatal que sustentou o país por décadas. Aqui no Brasil, a gente viu o que aconteceu quando entregamos a Petrobras aos meninos mal-educados do mercado: desmonte, corrupção e gasolina nas alturas.

    E não venha com esse papo de que “político faz discurso e o povo paga a conta”, porque a conta que o povo brasileiro pagou foi com a reforma trabalhista, a reforma da previdência e a entrega do pré-sal, tudo empurrado por essa turma que acha que soberania é frescura. O povo mexicano está mostrando que é possível sim ter um governo que prioriza a dignidade nacional e o bem-estar do povo, enquanto enfrenta o narcotráfico com políticas sociais e não com mais violência. Aqui no Brasil, a gente precisa aprender com eles, não ficar repetindo bordão de delegado de reality show. O Lula está certo em fortalecer o Mercosul e a relação com a América Latina, porque unidos somos mais fortes contra esses abutres internacionais. Agora, se você prefere continuar achando que a solução é matar pobre e prender preto, o problema não é com o discurso da Sheinbaum, é com a sua consciência mesmo.

Cecília Ramos

03/05/2026

Que discurso necessário, Helton! Como cristã, vejo nessa postura da Sheinbaum um exemplo de defesa dos mais fracos contra os poderosos. Enquanto isso, o agro brasileiro que a Maria Silva defende continua expulsando camponeses e destruindo a criação de Deus.

John Marshall

03/05/2026

Ronaldo, você tocou num ponto que me fascina como estudioso do pensamento político: a retórica da soberania popular como escudo contra a ingerência externa. Sheinbaum evoca o que Locke chamaria de “apelo ao céu” — o direito de um povo resistir quando o poder estrangeiro ameaça dissolver o corpo político. Mas o truque, como bem notou Hobbes, é que soberania sem um Leviatã que a faça valer é mero sopro. O México tem história e petróleo, mas contra a máquina de guerra americana, o que pesa mais: a bravata ou a interdependência econômica? Eis o dilema de toda periferia.

Ronaldo Silva

03/05/2026

Pois é, Helton Barros, e o povo mexicano tem história pra isso. Lá eles já enfrentaram os franceses e os americanos no passado. Agora, aqui no Brasil, a gente vê o agro falando em liberdade econômica, mas na hora de pagar imposto pra caramba e ver o dinheiro sumir, quem sente no bolso é o motorista de aplicativo, não o dono da fazenda.

Karina Libertária

03/05/2026

Maria Silva, liberdade econômica gera respeito sim, mas olha o que o agro brasileiro entrega: terra grilada, trabalho análogo à escravidão e desmate recorde. Respeito de quem? Do mercado financeiro que lucra em cima? Enquanto isso, o povo mexicano pelo menos tem um governo que pensa em soberania de verdade, não em ser quintal de ninguém.

Maria Silva

03/05/2026

Bonito discurso, Helton, mas na prática o que segura fronteira é produção e emprego, não palanque. Enquanto o México estatiza e fecha portas, o agro brasileiro mostra que liberdade econômica gera respeito de verdade.

Helton Barros

03/05/2026

Fala, Eduardo Nogueira. O povo mexicano pode até ter seus problemas internos, mas soberania não se negocia. Essa presidenta ao menos tem coluna vertebral pra enfrentar o Trump, coisa que falta em muito governante por aí. Se o Brasil tivesse metade dessa postura, não estaríamos engolindo desaforo de globalista.

Paulo Ribeiro

03/05/2026

Rodrigo Meireles, você fez bem em lembrar que soberania não é performance, mas acho que ainda falta escavar a camada mais profunda dessa contradição. O que Sheinbaum está fazendo, ao meu ver, é retomar uma tradição que vem de Lázaro Cárdenas e da nacionalização do petróleo em 1938: o Estado mexicano como sujeito histórico capaz de enfrentar o imperialismo norte-americano. Não se trata apenas de “direito de reagir”, como você colocou, mas de construir uma hegemonia alternativa na América Latina. Gramsci nos ensina que a hegemonia não se impõe só pela força, mas pela capacidade de um projeto político conquistar o consenso ativo das massas. Sheinbaum, ao convocar o povo mexicano para barrar qualquer incursão estrangeira, está tentando justamente isso: transformar a defesa da soberania em uma causa nacional que mobilize camponeses, operários, indígenas e a classe média urbana.

Eduardo Nogueira, seu comentário revela um certo cinismo que infelizmente se tornou lugar-comum entre setores que se dizem “pragmáticos”. Você reduz a complexidade do México ao problema dos cartéis, como se o narcotráfico fosse uma escolha soberana do povo mexicano e não o resultado de décadas de intervenção estadunidense – desde a Guerra às Drogas imposta por Nixon até o tráfico de armas que abastece os grupos criminosos vindas do sul dos EUA. Althusser diria que você está reproduzindo o discurso ideológico do imperialismo: desqualificar a capacidade de autodeterminação de um povo apontando suas mazelas internas, como se estas não fossem, em grande medida, produzidas pela própria relação de dependência. O México não precisa de “permissão” para ser soberano; precisa romper com a subordinação estrutural que o transformou em plataforma de exploração de mão de obra barata e em mercado consumidor de commodities.

O que me preocupa, no entanto, é o risco de que essa retórica afirmativa de Sheinbaum esbarre nos limites do que Mariátegui chamava de “nacionalismo burguês”. Soberania nacional é condição necessária, mas não suficiente para a emancipação popular. Se o governo mexicano não avançar em reformas estruturais – como a estatização dos setores energéticos que foram privatizados nos governos neoliberais de Salinas e Peña Nieto, o controle estatal sobre a exploração mineral e uma política agrária que enfrente o latifúndio e o agronegócio – o discurso de defesa do território pode se esvaziar. De nada adianta barrar tropas estrangeiras se as empresas transnacionais continuarem extraindo litio e prata do subsolo mexicano sem deixar riqueza para o povo.

Ana Karine Xavante, sua contribuição é fundamental para entender que soberania não é abstração geopolítica. Quando você fala do garimpo ilegal e das madeireiras financiadas por capitais estrangeiros, está mostrando que a invasão do território mexicano já acontece há décadas, só que de forma molecular, silenciosa, sem tanques nem fuzis. Sheinbaum precisa ir além do discurso e transformar o Estado mexicano em um instrumento de descolonização efetiva: regularizar terras indígenas, expulsar empresas predadoras, fortalecer a economia camponesa e cooperativista. Do contrário, o bonito discurso de resistência popular corre o risco de virar cortina de fumaça para a continuidade do saque.

Rodrigo Meireles

03/05/2026

Eduardo, você simplifica demais. O México tem problemas sérios com cartéis, mas isso não anula o direito de reagir a uma incursão estrangeira. Soberania não é performance, é sobre quem controla a polícia, a alfândega e a política industrial. Agora, se Sheinbaum vai conseguir entregar resultado concreto nessa briga com Trump ou se é só retórica, aí são outros quinhentos. Quero ver os dados de comércio bilateral no fim do mandato.

Eduardo Nogueira

03/05/2026

Essa aí já tá ensaiando o discurso pra quando o Trump resolver entrar de verdade. Povo mexicano barrar incursão estrangeira? Mal consegue barrar os próprios cartéis.

Ana Karine Xavante

03/05/2026

Cíntia, você acertou em cheio ao lembrar que soberania não é discurso de palanque. Só quem nunca teve o território invadido por garimpo ilegal, madeireira ou milícia armada por interesses estrangeiros é que acha que o tom de Sheinbaum é exagerado. Eu sou indígena, venho de Mato Grosso, e sei na pele o que significa um governo federal que trata a Amazônia como mercadoria e as terras indígenas como entrave ao “desenvolvimento”. O México de Sheinbaum, ao menos, está dizendo claramente que não aceita que decidam por eles o que fazer com o próprio solo, com a própria água, com o próprio povo. Isso não é bravata, é o mínimo de dignidade que um chefe de Estado deve ao seu país.

O Carlos Menezes, lá do alto do seu pragmatismo de buteco, acha que dependência econômica invalida qualquer gesto de autonomia. Mas ele ignora que o NAFTA foi justamente um tratado desenhado para manter o México como celeiro de mão de obra barata e plataforma de exportação para corporações americanas. Sheinbaum está tentando quebrar esse ciclo vicioso — e não é de hoje que a esquerda mexicana aposta em políticas de saúde, educação e ciência que reduzem a dependência estrutural. Enquanto Trump ameaça com tarifas e deportações em massa, o governo mexicano investe em vacinação pública, em universidades gratuitas e em reforma energética que prioriza a soberania sobre os recursos. Isso não é retórica, é projeto de país.

E olha, o comentário do Rubens O Pescador toca num ponto que o pessoal mais urbanizado e acadêmico costuma desprezar: o conhecimento popular, a vivência de quem está na ponta, enxerga a violência do abandono estatal de um jeito que nenhum think tank de Washington capta. Lá na minha aldeia, a gente vê o que acontece quando o Estado se ausenta — a grilagem avança, o garimpo contamina o rio, a violência explode. Quando o governo mexicano diz que o povo vai barrar qualquer incursão estrangeira, ele está reconhecendo que a resistência não é só dos militares, mas dos camponeses, dos indígenas, dos trabalhadores urbanos que já foram expulsos de suas terras por megaprojetos. Soberania popular é isso: o povo organizado dizendo “daqui não passa”.

O que me preocupa, no entanto, é o silêncio de boa parte da esquerda brasileira sobre esse discurso. Aqui no Brasil, temos um governo que se diz progressista, mas continua entregando o pré-sal para multinacionais, flexibilizando licenciamento ambiental para agronegócio e tratando os povos indígenas como caso de polícia quando a gente ousa defender o marco temporal. Sheinbaum está mostrando que é possível fazer diferente — e a reação nervosa de Trump prova que o caminho da subserviência não é o único. Se a esquerda latino-americana quer ser levada a sério, precisa aprender com o México que soberania não se negocia, se exerce.

Rubens O Pescador

03/05/2026

Pois é, major, o povo mexicano sabe bem o que é ter um governo que pensa no bem-estar do seu povo. Lá no meu tempo de roça, a gente via que quando o governo olha pro trabalhador, a comida chega na mesa e a violência diminui. Esse papo de que soberania é bravata é coisa de quem nunca viu um país se desenvolver de verdade, com política pública que funciona.

Cíntia Alves

03/05/2026

Silvia D., você tocou num ponto que o pessoal mais conservador ignora de propósito: soberania não é discurso de comício, é o que permite um país ter política industrial, ciência própria e não virar quintal de ninguém. Mas, né, enquanto a esquerda mexicana tenta segurar a onda, aqui a gente vê o Centrão trocando voto por emenda e o povo achando que isso é normal.

Silvia D.

03/05/2026

O Carlos Menezes acha que soberania é bravata, mas esquece que o México tem um sistema de saúde pública que serve de exemplo pra América Latina, construído com recursos que não vieram de Washington. Enquanto Trump ameaça com tarifas e deportações, Sheinbaum lembra que ciência e dignidade nacional andam juntas — o SUS mexicano que o diga.

Carlos Menezes

03/05/2026

Discurso bonito, mas o México depende demais do NAFTA pra bancar esse tom de confronto com os EUA. O povo barrar incursão é retórica que funciona em comício, mas na prática o que segura a economia mexicana é o pragmatismo com Washington, não a bravata.

Major Ricardo Silva

03/05/2026

Bonito discurso de resistência, mas a real é que o México virou refém do narcotráfico e dessa esquerda que prega soberania enquanto o povo foge da violência. Trump está certo em apertar o cerco, porque país que não consegue controlar nem as próprias fronteiras não tem moral pra falar de invasão estrangeira. Aqui no Brasil a gente já viu esse filme com o PT e o PCdoB: discurso inflamado, mas na prática o crime organizado toma conta.

    João Augusto

    03/05/2026

    Major, sua análise troca causa por efeito: o narcotráfico se fortalece exatamente quando o Estado abdica de seu monopólio da violência em nome de políticas de segurança herdadas do Consenso de Washington — a mesma receita que, aqui no Brasil, transformou a PM em milícia e o PCC em poder paralelo. A soberania que Sheinbaum defende não é retórica oca, é a tentativa de reaver o controle que o próprio capital transnacional, com a complacência de governos como o de Trump, ajudou a corroer.

Pedro

03/05/2026

Bonito discurso, mas a realidade é que o povo mexicano já enfrenta uma invasão silenciosa do tráfico e da violência que o governo não consegue conter. Enquanto isso, aqui no Brasil a gente paga gasolina a 7 reais e o IPVA só aumenta, e ninguém barra nada.

Maria Clara Lopes

03/05/2026

O Ronaldo Pereira tocou num ponto que os outros deixaram passar: soberania de verdade se constrói com organização social e econômica, não com discurso inflamado. Sheinbaum está certa em marcar posição, mas a real força do México hoje é o acordo comercial com os EUA, que dá poder de barganha sem precisar de bravata. O desafio mesmo é equilibrar essa retórica com a interdependência real entre os dois países.

Ronaldo Pereira

03/05/2026

O Lucas Gomes e o João Carvalho estão mais perto do que a turma do “pau no armário” consegue enxergar. Soberania pra mim, que venho do chão de fábrica, não é discurso de general nem tapa na mesa do Trump — é o povo organizado, é o sindicato forte, é não deixar multinacional sugar nosso suor sem pagar o justo. A Sheinbaum acertou: o povo mexicano já mostrou na história que não engole invasão, seja de botas ou de tratado feito nos bastidores. Agora, se o Brasil tivesse metade dessa coragem pra enfrentar o grande capital, a gente não tava vendo fábrica fechando e direito trabalhador sendo rasgado.

João Carvalho

03/05/2026

A Lurdinha e o Sgt Bruno estão perdendo o ponto central. Soberania não se mede pelo tamanho do fuzil, mas pela capacidade de um povo decidir seu próprio destino econômico e político. Sheinbaum sabe que o poder do México hoje está em usar o USMCA como escudo e a integração comercial como espada, enquanto Trump se debate em contradições protecionistas. O debate sobre “quem tem exército maior” é diversionismo barato diante dos reais desafios do imperialismo no século XXI.

Sgt Bruno 🇧🇷

03/05/2026

Lurdinha, para de repetir esse papinho de vira-lata que você ouviu não sei aonde. O México tem história, tem exército de verdade e nunca foi quintal de ninguém. Enquanto isso, o Brasil do Lula abre as pernas pra qualquer um bater na porta. Selva!

    Lucas Gomes

    03/05/2026

    Sgt Bruno, discordo do seu ufanismo militarista. O México tem sim história de resistência, mas reduzir soberania a poderio bélico ignora que o verdadeiro campo de batalha hoje é a defesa dos territórios indígenas e dos ecossistemas contra o extrativismo capitalista, que não respeita fronteira nenhuma.

Lurdinha Deus Acima de Todos

03/05/2026

Ah, então agora o povo mexicano vai barrar os americanos na porrada? E o Lula deixando os caras entrarem de boa em Brasília… Brasil é país de vira-lata mesmo, viu? 🙏🇧🇷

Cláudio Ribeiro

03/05/2026

O Renato Professor e o Fernando O. tocaram no ponto nevrálgico: soberania no século XXI se exerce na complexidade das cadeias produtivas e dos acordos multilaterais, não na bravata armamentista. Sheinbaum compreendeu que a gramática do poder mudou — o México enfrenta Trump não com cartuchos, mas com a força de uma interdependência assimétrica que o USMCA cristaliza. Quem ainda lê a geopolítica com lentes do século XIX, como o Adalberto e o Roberto, ignora que a verdadeira resistência hoje é econômica e jurídica, não uma parada militar na fronteira.

Fernando O.

03/05/2026

O Renato Professor acertou em cheio. O USMCA não é fichinha, e Sheinbaum sabe que o melhor campo de batalha hoje é o comercial e diplomático, não o militar. Quem acha que soberania se prova com tanque na fronteira não entendeu nada do século XXI.

Roberto Lima

03/05/2026

Adalberto, você tá de brincadeira, né? Essa turma da esquerda vive no mundo da lua, achando que discurso inflamado resolve. O México precisa é de menos retórica e mais pragmatismo econômico, senão vira uma Venezuela com sombrero. Enquanto isso, o Trump já mostrou que não tá pra amolação.

    Renato Professor

    03/05/2026

    Roberto, você confunde pragmatismo com subserviência. O México tem um dos maiores acordos comerciais do mundo com os EUA, o USMCA, que é exatamente o instrumento pragmático que Sheinbaum usa para defender a soberania — interdependência econômica não é fraqueza, é a única forma de evitar que um país vire quintal de superpotência.

Mariana Ambiental

03/05/2026

Vanessa Silva, você foi cirúrgica. O México não precisa de bazuca pra se impor, tem um acordo comercial que prende os EUA numa teia de interdependência. Enquanto isso, o falso nacionalismo da turma do Adalberto acha que soberania é só barulho de fanfarra, mas na prática é jogo de xadrez econômico e jurídico. Sheinbaum sabe que o povo mexicano já resistiu a invasão gringa antes, e se vier de novo, não vai ser com maraca que vão parar eles.

Vanessa Silva

03/05/2026

Adalberto, você já parou pra pensar que soberania nacional não se mede em número de tanques? O México tem uma economia integrada à dos EUA via USMCA, e um enfrentamento militar direto seria irracional para ambos os lados. Sheinbaum está fazendo o óbvio: defender juridicamente o território enquanto usa os canais diplomáticos e econômicos que existem. Reduzir isso a “maracas e sombrero” é ignorar completamente como relações internacionais funcionam de verdade.

Samara Oliveira

03/05/2026

Adalberto, amado, seu comentário revela mais sobre o desprezo que você tem pela soberania dos povos do que sobre a realidade mexicana. Como cristã, leio em Ester que uma mulher corajosa pode sim enfrentar impérios com fé e estratégia — e não com armas de fogo. Enquanto isso, os EUA já invadiram o México no passado e deixaram um rastro de sangue que os cartéis hoje ocupam; talvez seja hora de orar por discernimento antes de ridicularizar quem defende sua nação.

Adalberto Livre

03/05/2026

ISSO MESMO, ESSA COMUNISTA ACHA QUE VAI ENFRENTAR OS EUA COM QUE? COM MARACAS E SOMBRERO? ENQUANTO ISSO OS CARTEL TOMA CONTA DO PAIS E ELA FAZ DISCURSO VAZIO.

    João Batista

    03/05/2026

    Adalberto, irmão, a Bíblia nos ensina que Davi enfrentou Golias com uma funda e cinco pedras, não com exército e armadura. O poder não está nas maracas, mas na fé de um povo que já foi saqueado por impérios. Enquanto você zomba, os cartéis crescem justamente porque a soberania foi entregue a interesses estrangeiros.

    Márcio Torres

    03/05/2026

    Adalberto, seu comentário é um primor de simplificação. Você reduz a presidente de um país de 130 milhões de habitantes a uma figura de caricatura, munida de adereços turísticos, como se a política externa se decidisse no departamento de figurinos de uma novela mexicana. A ironia é que, ao chamá-la de comunista, você repete um mantra que perdeu qualquer poder explicativo lá pelos anos 1980. Sheinbaum é uma cientista formada em Berkeley, ex-prefeita da Cidade do México, e sua plataforma econômica é de centro-esquerda pragmática, não de nacionalização dos meios de produção. Mas o rótulo é útil, eu sei: dispensa o trabalho de pensar.

    O problema real não é o discurso de soberania dela, é a sua suposição de que a única forma de um país se relacionar com os EUA é a submissão incondicional. Você fala dos cartéis como se fossem uma invenção da retórica esquerdista, e não o resultado direto de décadas de demanda americana por drogas e de um fluxo de armas que cruza a fronteira sul dos EUA com a mesma facilidade com que você escreve em caixa alta. Enquanto isso, o governo mexicano atual apreendeu mais fentanil e prendeu mais líderes de cartéis do que qualquer antecessor, mas isso não vira meme, não é mesmo? O discurso vazio que você critica é o mesmo que, em 2014, permitiu ao México aprovar reformas energéticas que abriram o petróleo ao capital estrangeiro – um movimento que, pasme, foi elogiado pelo FMI e criticado pela esquerda local. Ou seja, o pragmatismo existe, mas a plateia gosta é da bravata.

    Por fim, a sua pergunta é reveladora: enfrentar os EUA com quê? A resposta é: com uma economia integrada à deles, com 40 milhões de mexicanos vivendo do outro lado da fronteira enviando remessas, e com um tratado comercial que Donald Trump renegociou e depois chamou de o melhor da história. O México não precisa de maracas nem de mísseis. Ele precisa de um governo que saiba jogar o jogo da interdependência assimétrica – e Sheinbaum, para o bem ou para o mal, está fazendo exatamente isso. O resto é torcida organizada de arquibancada.

    Maura Santos

    03/05/2026

    Adalberto, amigo, você acha que enfrentar os EUA é sobre maracas e sombrero? Porque pelo visto você acha que soberania se resolve com piada de quinta série. Enquanto isso, o apagão que a sua turma deixou no Brasil virou case de incompetência internacional — quer dar lição de gestão pública pra alguém?

Carlos Mendes

03/05/2026

Discurso bonito para a plateia, mas a realidade é que o México depende do comércio com os EUA e de remessas de dólares. Essa bravata populista só serve para esconder a ineficiência do governo dela em lidar com os cartéis e a crise econômica.

    Mariana Santos

    03/05/2026

    Carlos, essa leitura ignora que a soberania não se mede em dólares, mas na capacidade de um povo dizer não à humilhação histórica — e o México já aprendeu na pele o custo de abrir as portas para o capital estrangeiro enquanto os cartéis se fortalecem justamente na fronteira que você defende como “parceira comercial”.


Leia mais

Recentes

Recentes