A agressão militar conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica do Irã abriu fissuras profundas entre os dois principais aliados árabes de Washington no Golfo. Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, que durante anos tentaram projetar uma imagem de coordenação estratégica, passaram a adotar leituras divergentes sobre o conflito e sobre o futuro da arquitetura de segurança regional.
Segundo análise publicada pelo portal RT em espanhol, a guerra contra Teerã catalisou um acúmulo de tensões que vinham se desenvolvendo há anos entre Riad e Abu Dhabi. As divergências envolvem disputas sobre o Iêmen, o Sudão, a questão palestina e a competição direta por influência econômica e diplomática no Oriente Médio.
O presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohammed bin Zayed Al Nahyan, e o príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, mantêm uma rivalidade pessoal que se intensificou diante das escolhas estratégicas feitas durante a ofensiva contra o Irã. Bin Zayed tentou inicialmente conter a escalada e chegou a interceder junto ao presidente dos EUA, Donald Trump, mas, deflagrada a guerra, passou a defender sua continuidade como instrumento para impedir qualquer fortalecimento da República Islâmica.
Bin Salman, por sua vez, apoiou a ofensiva nos primeiros momentos, mas recuou ao perceber o impacto negativo sobre a economia saudita, fortemente dependente da estabilidade dos preços do petróleo. A disparidade entre as leituras estratégicas de Abu Dhabi e Riad reabriu desconfianças antigas e desfez parte da imagem de unidade que ambos tentavam projetar diante de Washington.
Enquanto os Emirados aprofundam a lógica dos chamados Acordos de Abraão, reforçando a aproximação com Tel Aviv e incorporando tecnologias antimísseis israelenses, a Arábia Saudita passou a se articular mais intensamente com Turquia e Paquistão. A reconfiguração de blocos é vista como sintoma da fragilidade do sistema de alianças que os EUA construíram no Golfo ao longo de décadas.
A postura de Washington diante da crise tampouco atenuou os atritos. A avaliação que circula entre observadores regionais é a de que a Casa Branca optou por não interferir abertamente na disputa, preocupada em não gerar fricções com nenhum dos lados num momento em que o conflito com o Irã elevou o risco de instabilidade energética global.
Essa cautela é considerada arriscada por analistas do Oriente Médio, já que a ausência de mediação americana tende a aprofundar o distanciamento entre Riad e Abu Dhabi. A hipocrisia do discurso de Washington fica ainda mais evidente quando os EUA, que se apresentam como guardiões da ordem regional, demonstram incapacidade de coordenar até mesmo seus aliados mais próximos.
Apesar do distanciamento, os dois países continuam sendo pilares da política de segurança norte-americana no Golfo e controlam reservas substanciais de petróleo e capital financeiro. Alguns analistas situam a crise como um choque conjuntural provocado pela guerra contra o Irã, destacando que os interesses econômicos estruturantes permanecem elevados em ambas as capitais.
Para os governos do Golfo, a pressão militar e diplomática dos EUA e de Israel sobre Teerã produziu efeitos contraditórios ao estimular políticas externas mais autônomas. A busca por parcerias alternativas, maior diversificação econômica e o fortalecimento de sistemas de defesa independentes são transformações em curso que dificilmente serão revertidas, mesmo se o conflito arrefecer.
O fato de dois dos principais aliados árabes de Washington terem deixado de coordenar suas agendas com a regularidade anterior introduz incerteza adicional sobre o equilíbrio de forças na região. Também sugere que a arquitetura energética global tende a se fragmentar ainda mais num momento em que guerras, sanções e disputas tecnológicas corroem a previsibilidade das cadeias de abastecimento.
No curto prazo, a posição dos EUA diante dessa fratura será decisiva, já que o país depende da cooperação do Golfo para mitigar impactos globais da guerra e conter a reação iraniana. No médio e longo prazos, a reorganização das alianças pode abrir espaço para novos arranjos de poder, especialmente em um cenário internacional que favorece a multipolaridade.
As tensões em torno da República Islâmica funcionaram como catalisador de divergências que já estavam em curso e que agora se tornaram impossíveis de ignorar. O Oriente Médio segue sendo o palco onde a hegemonia norte-americana é testada, e o desgaste entre Riad e Abu Dhabi é mais um indicador de que o velho desenho de blocos sólidos perdeu sua sustentação.
Com informações de ACTUALIDAD.
Leia também: Emirados Árabes Unidos alertam EUA que podem recorrer ao yuan chinês por causa da guerra com o Irã
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Marcos Andrade Niterói
04/05/2026
Tiago Mendes, concordo com você sobre o pacifismo, mas discordo que isso seja só uma questão de fé. Enquanto a esquerda brasileira fica refém de pautas morais e o governo estadual do Rio abandona a população, Niterói mostra que é possível ter gestão séria. O Rodrigo Neves entregou o túnel Charitas-Cafubá e briga pelo metrô sob a Baía, enquanto esses sheiks brigam por petróleo e os EUA brincam de guerra. Quem paga o pato é sempre o povo, mas aqui a gente ao menos tem prefeito que pensa em mobilidade.
Tiago Mendes
04/05/2026
Cecília Silva, você tocou no ponto mais importante: quem sempre sofre são os povos da região e os mais vulneráveis aqui. Como cristão, não consigo ver essa escalada militar sem lembrar que Jesus nos chamou para ser pacificadores. Enquanto essas potências brigam por petróleo e influência, o Evangelho nos convida a denunciar a ganância que alimenta guerras e a defender a vida onde ela está mais ameaçada.
Pedro
04/05/2026
João Carlos Silva, falou tudo. Enquanto esses sheik brigam por poder, eu tô aqui vendo o litro da gasolina subir e pensando se vou ter que desligar o ar do carro pra economizar. Essa guerra é dos outros, mas quem paga a conta é o povo no posto.
Cecília Silva
04/05/2026
Fernando O., pois é, a gente da favela sabe bem como essa briga de gente grande bate aqui embaixo. Enquanto esses sheiks e os EUA fazem joguinho de poder, quem morre são os povos da região e quem paga o pato aqui é o povo preto e pobre que já vive no aperto. No fim das contas, a guerra tem cheiro de sangue e de lucro, e o trabalhador só sente o gosto amargo do aumento.
Fernando O.
04/05/2026
João Carlos Silva, é impressionante como a gente paga o pato de uma geopolítica que não nos representa. Enquanto os sheiks brigam por influência e os EUA tentam apagar incêndio com gasolina, o brasileiro médio só quer saber se o diesel vai subir de novo. Se ao menos nossos governantes tivessem metade da competência desses regimes em defender os próprios interesses…
João Pereira
04/05/2026
João Carlos Silva, é exatamente por isso que a gente deveria prestar mais atenção. Se os “aliados” dos EUA já estão se estranhando, imagina o tamanho do rolo que vem por aí. E o preço do gás de cozinha que o senhor mencionou é só a ponta do iceberg de uma crise que pode explodir o bolso de todo mundo.
João Carlos Silva
04/05/2026
Pois é, lá fora os aliados dos EUA já tão se estranhando e a gente aqui preocupado com o preço da gasolina e do gás de cozinha. Essa briga toda no Oriente Médio só mexe com o bolso do trabalhador, que não tem nada a ver com isso.
Nadia Petrova
04/05/2026
Ricardo Menezes, você acertou em cheio: é sempre sobre petróleo e poder regional. Mas o mais irônico é ver esses regimes teocráticos brigando entre si enquanto vendem para o Ocidente a fantasia de que são “aliados estáveis”. Monarquias absolutas que tratam mulheres como cidadãs de segunda classe e decapitam dissidentes não são exatamente pilares da democracia liberal. O que está se desintegrando ali não é uma aliança, é a farsa.
Silvia Ramos
04/05/2026
Ricardo Menezes, você tem razão ao dizer que é briga de interesses, mas falta o essencial: enquanto esses países se digladiam por petróleo e poder, o mundo esquece que o verdadeiro conflito é espiritual. O Salmo 2 já alertava que as nações se amotinam em vão. O que me preocupa é ver o Brasil se alinhando a essa bagunça geopolítica enquanto aqui em casa a família é atacada todos os dias.
Ricardo Menezes
04/05/2026
Augusto Silva, você foi cirúrgico. Enquanto a turma do “Fora Bolsonaro” quer transformar tudo em pauta climática, o que está em jogo é o velho toma-lá-dá-cá do petróleo e do poder regional. Esses sheiks não são santos nem aliados de ninguém, tão lá brigando por market share enquanto o contribuinte americano banca a festa. Livre mercado de verdade resolveria isso sem um centavo de imposto.
Marina Costa
04/05/2026
João Batista, você falou uma verdade que muitos não querem ouvir: o coração do homem é enganoso e essas alianças são baseadas em interesses mundanos, não em princípios. Enquanto esses países muçulmanos se matam por poder, o Ocidente permissivo normaliza o aborto e a destruição da família. O Brasil precisa é de temor a Deus, não de se meter nessa guerra suja.
Mariana Oliveira
04/05/2026
Marina, respeito sua fé e entendo que você busca um fundamento moral para analisar o mundo, mas preciso discordar do enquadramento que você faz. Quando você reduz a disputa entre Arábia Saudita e Emirados a uma questão de “coração enganoso” e contrapõe a isso uma suposta degradação moral do Ocidente, você apaga as estruturas materiais que sustentam essas guerras. Não são os “princípios” ou a falta deles que movem a geopolítica do petróleo, mas sim o capitalismo extrativista e a manutenção de hierarquias globais de poder. A Arábia Saudita, por exemplo, é um Estado que aplica a sharia de forma brutal, executa dissidentes e oprime mulheres, e ao mesmo tempo é aliada histórica dos EUA e de governos conservadores no Ocidente. O “temor a Deus” que você invoca não impediu que os sauditas bombardeassem o Iêmen com bombas americanas, matando milhares de crianças. A moralidade seletiva que condena o aborto no Brasil mas silencia sobre o genocídio no Oriente Médio é, no fundo, uma ferramenta de distração: enquanto debatemos “família” e “costumes”, a burguesia global continua lucrando com a guerra e a destruição.
A sua fala também reproduz um discurso que bell hooks chamaria de “nacionalismo patriarcal” — a ideia de que a nação e a família tradicional são entidades sagradas que precisam ser defendidas contra ameaças externas. Esse discurso sempre serviu para justificar intervenções militares e para desviar a atenção das desigualdades internas. Você menciona a “destruição da família” no Ocidente, mas a família tradicional que você idealiza nunca existiu para a maioria das mulheres negras e pobres, que sempre tiveram seus lares desfeitos pela escravidão, pela violência estatal e pela exploração econômica. Kimberlé Crenshaw nos ensina que as opressões se cruzam: uma mulher pobre na periferia de São Paulo sofre de forma muito diferente de uma mulher rica em Riad ou em Brasília. Falar de “temor a Deus” como solução para a crise geopolítica é ignorar que os próprios regimes teocráticos do Golfo são parte do problema, não a solução.
O que está em jogo nessa fratura entre Arábia Saudita e Emirados não é uma disputa de valores morais, mas a luta por hegemonia regional e por controle das rotas de energia. Os EUA não estão em crise porque o Ocidente é “permissivo”, mas porque o sistema unipolar que sustentou o capitalismo global desde o fim da Guerra Fria está ruindo. O Brasil, ao invés de se recolher em um nacionalismo moralista, deveria estar construindo alianças com base na soberania popular, na justiça social e na solidariedade entre os povos oprimidos — sejam eles palestinos, iemenitas ou brasileiros. O “temor a Deus” que você propõe, se for genuíno, deveria nos levar a questionar por que os mesmos que pregam a família e a moral são os primeiros a aplaudir bombardeios e a apoiar ditaduras que matam em nome do petróleo. Não se trata de abandonar a fé, mas de recusar que ela seja usada como escudo para a hipocrisia e a exploração.
Augusto Silva
04/05/2026
Luisa, você tocou no ponto nevrálgico: enquanto a mídia alardeia “crise entre aliados”, o que temos é o velho jogo do petróleo com fantasia de geopolítica. Arábia Saudita e Emirados brigam por market share e influência na Opep+, não por ideologia — e os EUA, que achavam que controlavam o tabuleiro, agora colhem o que plantaram ao terceirizar a segurança regional para monarquias que se odeiam. O Brasil deveria é aproveitar essa janela para diversificar parcerias comerciais com os Brics, em vez de ficar feito bobo assistindo ao circo pegar fogo.
Luisa Teens
04/05/2026
Enquanto os sheik brigam por petróleo, a Amazônia queima e ninguém faz nada #ForaBolsonaro
João Batista
04/05/2026
Cecília, você tocou no ponto certo: essa aliança sempre foi uma farsa, porque o coração do homem é enganoso e busca apenas os próprios interesses. Enquanto essas nações muçulmanas se digladiam por poder e petróleo, o mundo secular e permissivo que a esquerda defende aplaude essa desordem moral. O Brasil precisa se lembrar de que a verdadeira paz só vem de Cristo, e não de acordos políticos podres entre nações que negam o Evangelho.
Cecília Torres
04/05/2026
Carlos Henrique Silva, você tem razão em querer aprofundar, mas acho que o ponto central é mais imediato: essa “fratura” é a prova de que a aliança ocidental no Oriente Médio sempre foi uma colcha de retalhos de interesses conflitantes. Enquanto a imprensa trata como crise diplomática, o que se vê é cada monarquia tentando salvar a própria pele e o bolso, com o Iêmen sangrando de pano de fundo.
Miriam
04/05/2026
Ah, mas desde quando esses aliados dos EUA são unidos? Sempre foi cada um puxando brasa pro seu assado. Essa tal “crise” é só a máscara caindo de vez, já que o interesse de todos é o mesmo: petróleo e influência na região. O Brasil que fique na dele e não embarque nessa canoa furada.
Carlos Henrique Silva
04/05/2026
A Mariana Lopes tocou num ponto que merece desdobramento, mas acho que precisamos ir ainda mais fundo na raiz do problema. Essa fratura entre Arábia Saudita e Emirados não é apenas uma “rivalidade comercial” ou uma disputa por hegemonia regional, como se fosse um simples jogo de xadrez entre potências equivalentes. Estamos diante de uma crise estrutural do capitalismo dependente e do imperialismo tardio. O que a escalada militar contra o Irã escancara é a falência do projeto de hegemonia dos EUA no Oriente Médio, que sempre se sustentou no velho princípio de “dividir para reinar”. Quando Gramsci analisava a crise de hegemonia, ele mostrava que o bloco histórico se desfaz quando os grupos dirigentes perdem a capacidade de unificar os interesses dos aliados em torno de um projeto comum. É exatamente isso que vemos: sauditas e emiradenses disputam rotas de escoamento de petróleo, portos, contratos de armamento e, principalmente, quem será o interlocutor privilegiado de Washington depois que a poeira baixar.
A Bia Carioca lembrou muito bem do Iêmen, e isso é crucial. A guerra no Iêmen nunca foi um conflito local: foi o laboratório onde essas monarquias testaram suas capacidades militares e suas alianças, enquanto o povo iemeniano virava estatística de fome e destruição. O que estamos vendo agora é a continuação da mesma lógica por outros meios. O Irã, ao contrário do que a Maria Silva sugeriu com sua metáfora da “briga de galo”, não está simplesmente esperando a hora certa. O Irã tem um projeto de resistência anti-imperialista que, com todos os seus limites e contradições internas, conseguiu articular uma rede de influência que vai do Líbano ao Iêmen, passando pela Síria e pelo Iraque. Enquanto as monarquias do Golfo se digladiam por migalhas do império, o Irã joga o jogo da longo prazo, baseado em alianças políticas e militares que transcendem a lógica imediata do petrodólar.
E o Brasil nessa história? A Ana Rodrigues tem toda razão ao sentir no bolso o reflexo dessa crise. Mas o problema não é apenas o preço da gasolina. O que me preocupa como professor de Ciências Políticas é ver o Brasil repetindo o mesmo erro histórico de se alinhar automaticamente aos interesses dos EUA no Oriente Médio, como se fôssemos uma mera extensão da OTAN. Desde o governo Bolsonaro, aprofundamos uma subordinação que nos transforma em peça de um tabuleiro que não controlamos. Enquanto isso, países como a China e a própria Rússia constroem relações pragmáticas com todos os atores da região, sem se deixar prender por alianças exclusivas. O Brasil deveria estar articulando uma posição soberana, baseada no direito internacional e na defesa da paz, e não servindo de eco para as aventuras militares de Netanyahu e Biden. Essa fratura entre sauditas e emiradenses é uma oportunidade para repensarmos nosso lugar no mundo, mas duvido que o atual governo tenha a inteligência política para aproveitá-la.
Ana Rodrigues
04/05/2026
Maria Silva, essa sua comparação com briga de galo foi perfeita, kkk. Aqui em Curitiba já tô vendo gasolina subir de novo por causa dessa confusão no Oriente Médio. Enquanto os sheik brigam por poder, quem paga o pato é o povo que precisa trabalhar. O Brasil tinha mesmo é que cuidar dos próprios problemas, não ficar de xerife nessa guerra dos outros.
Maria Silva
04/05/2026
Essa briga de ego entre sheik é igual briga de galo em terreiro seco: muito barulho e ninguém tira proveito. Enquanto eles se estranham, o Irã fica na deles esperando a hora certa. E o Brasil, em vez de ficar de fora dessa confusão, ainda quer dar pitaco. Cada um no seu pasto e a vaca vai pro brejo sozinha.
Bia Carioca
04/05/2026
Mariana Lopes, você foi cirúrgica ao lembrar do Iêmen. Enquanto a imprensa trata essa briga como “geopolítica de alto nível”, o povo iemeniano sangra há anos por causa dessa disputa de egos e interesses econômicos entre as monarquias do Golfo. E o pior é ver o Brasil se aliando a esses regimes enquanto corta investimento em transporte público aqui dentro.
Mariana Lopes
04/05/2026
Samara, você tem razão ao apontar o custo humano dessa disputa, mas acho que precisamos ir além da constatação moral. Essa fratura entre sauditas e emiradenses não é novidade, vem se arrastando desde a guerra do Iêmen e a rivalidade comercial pela hegemonia regional. O que me preocupa é o Brasil ficar assistindo de camarote enquanto esses atores se realinham, sem nenhuma estratégia clara de política externa para aproveitar brechas ou ao menos preservar nossos interesses comerciais.
Samara Oliveira
04/05/2026
Padre Antônio, o senhor tocou num ponto que me inquieta como cristã: o dinheiro do petróleo virou um deus que consome vidas inocentes. Enquanto essas monarquias brigam por influência, quem morre nos bombardeios são famílias como as nossas, que só querem paz e pão. O Brasil precisa parar de aplaudir essa guerra e lembrar que o Evangelho nos chama a ser pacificadores, não cúmplices de impérios.
Rodrigo RedPill
04/05/2026
Caio, viajou legal na maionese como sempre. Enquanto vocês ficam nessa falsa profundidade acadêmica de “desnaturalizar tabuleiro geopolítico”, a real é que essa briga entre Arábia e Emirados é só mais um exemplo de que petroestados fracassados não conseguem nem manter aliança básica. Quem entende de verdade de geração de valor e liberdade econômica sabe que o futuro não está em torcer por ditaduras do deserto, mas sim em inovação e cripto. Brasil que aprenda com quem realmente cresce, não com esses regimes medievais.
Mariana Alves
04/05/2026
Rodrigo, sua intervenção tem o mérito de escancarar sem meias-palavras o que muitos preferem velar em jargão técnico: o espetáculo de fragilidade política que aquelas monarquias do Golfo encenam. Concordo que a disputa entre Riad e Abu Dhabi revela a incapacidade estrutural de petroestados construírem alianças duradouras para além do curto prazo do barril. No entanto, onde você enxerga uma saída na “inovação e cripto” como antídoto ao “fracasso” deles, eu enxergo a repetição do mesmo fetichismo de mercado que nos trouxe até aqui. A crença de que tokens digitais e startups vão magicamente dissolver contradições geopolíticas é tão ingênua quanto achar que o livre mercado por si só distribui justiça — é a mesma ideologia que, nos anos 1990, prometeu que a globalização financeira pacificaria o mundo e, no fim, só aprofundou a assimetria entre centro e periferia.
Você diz que o Brasil deveria aprender com “quem realmente cresce”, mas esquece de mencionar que os países que você provavelmente tem em mente — Singapura, Emirados, Coreia do Sul — não chegaram lá via liberalismo puro e simples. Singapura é uma ditadura de partido único com forte planejamento estatal; os Emirados são uma monarquia absolutista que diversificou sua economia à base de fundos soberanos alimentados justamente pelo petróleo que você despreza; a Coreia do Sul se industrializou sob chaebols protegidos por um Estado desenvolvimentista que violava todas as regras do livre mercado que você prega. O “crescimento” que você admira nunca foi fruto de liberdade econômica abstrata, mas de projetos nacionais autoritários que usaram o Estado como locomotiva. Cripto, nesse contexto, não é um rompimento com o modelo medieval — é a versão digital do mesmo capitalismo rentista que transforma especulação em “geração de valor”.
Por fim, acho revelador que você reduza a análise geopolítica a uma questão de “torcer” por regimes. Ninguém aqui está torcendo por ditaduras do deserto, Rodrigo. O que Caio e outros tentam fazer é justamente o oposto: desnaturalizar o tabuleiro para entender como essas estruturas de poder se reproduzem. Chamar isso de “falsa profundidade acadêmica” é um atalho retórico que dispensa o trabalho de pensar as mediações concretas entre economia, política e violência. Se o futuro realmente está na inovação, que ela comece por inovar nossa capacidade de criticar as próprias bases do sistema que produz essas fraturas — e não por buscar refúgio em uma blockchain que, no fim das contas, é tão opaca quanto os poços de petróleo que você critica.
Caio Vieira
04/05/2026
Caro Cláudio, João e Paula, permitam-me adentrar esta rica interlocução com algumas considerações que, espero, possam contribuir para a desnaturalização do que estamos testemunhando no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. A fratura entre Riad e Abu Dhabi não é meramente uma crise conjuntural entre aliados estadunidenses; ela representa, em minha leitura, a manifestação concreta de uma contradição intra-hegemônica que o capitalismo dependente e petroleiro engendra. Como nos ensina o mestre Florestan Fernandes, a modernização conservadora das periferias do capitalismo produz elites que internalizam a lógica do centro, mas disputam entre si os espólios da subordinação. O que vemos é a erosão do que poderíamos chamar de “consenso passivo” entre as burguesias do Golfo, outrora unificadas pelo medo do iraniano e pela tutela do Tio Sam.
O Padre Antônio Rocha, com sua veemência teológico-política, toca num ponto nevrálgico ao denunciar o “petróleo como ídolo”. Todavia, discordo da redução da questão a um abandono de Deus. O que está em jogo é a própria materialidade da ideologia dominante: a fetichização da mercadoria-petróleo e a reificação do Estado-nação como entidade supra-histórica. Arábia Saudita e Emirados não são atores com “vontade própria” no sentido weberiano; são expressões de frações de classe que, na ausência de um projeto popular autônomo, disputam a hegemonia regional sob o signo da dependência. A guerra contra o Irã, nesse sentido, funciona como um catalisador que explicita as fissuras que já existiam na estrutura do capitalismo árabe-golfístico.
A Paula Santos, com sua sensibilidade humanitária, lembra-nos que são os corpos dos civis — no Iêmen, no Irã, na Síria — que pagam o preço dessa disputa oligárquica. É aí que reside a tragédia maior: a luta pela hegemonia entre essas frações da classe dominante árabe se dá sobre os escombros de povos que aspiram à autodeterminação. Não podemos esquecer que a resistência popular iraniana, com todas as suas contradições internas, representa um desafio à ordem imperialista que essas monarquias do Golfo ajudam a sustentar. O povo trabalhador, seja em Teerã, seja em Sanaa, seja em Riad, é o sujeito histórico que, em última instância, poderá romper com essa lógica fratricida.
Por fim, permito-me acrescentar que essa crise expõe a falência do modelo de “Estados pivôs” que Cláudio tão bem diagnosticou. Washington, ao armar e financiar esses regimes autocráticos sob o pretexto de conter o “eixo da resistência”, criou Frankensteins geopolíticos que agora se voltam uns contra os outros. É a dialética do senhor e do escravo, caríssimos: os EUA, ao delegarem poder a esses Estados, perderam o controle sobre eles. Resta-nos, como intelectuais orgânicos das classes subalternas, denunciar essa farsa e apontar para a única saída possível: a solidariedade entre os povos oprimidos, para além das fronteiras artificiais traçadas pelo imperialismo.
Padre Antônio Rocha
04/05/2026
Paula, sua piedade é louvável, mas o que estamos vendo é o fruto de décadas de alianças ocidentais que abandonaram Deus e abraçaram o petróleo como ídolo. Enquanto esses xeiques muçulmanos disputam poder terreno, o Ocidente financia a guerra e destrói famílias — e a esquerda ainda chama isso de “libertação”. Orem, sim, mas também abram os olhos para a maçonaria que domina esses acordos.
Paula Santos
04/05/2026
João e Cláudio trouxeram reflexões bem fundamentadas, mas sinto falta de um olhar mais humano nessa discussão. Enquanto esses países disputam hegemonia, são os civis — tanto no Irã quanto no Iêmen — que pagam o preço mais alto com suas vidas e famílias destruídas. Como cristã, acredito que nenhum projeto de poder justifica o sofrimento dos inocentes, e deveríamos orar para que haja bom senso antes que mais sangue seja derramado.
Luan Silva
04/05/2026
Enquanto isso o Brasil paga gasolina a 7 reais e esses caras brigando pra ver quem lambe mais bota americana. Faz o L nunca mais.
João Silva
04/05/2026
Luan, você tem toda razão sobre o preço da gasolina, mas reduzir a geopolítica do Golfo a “lamber bota americana” ignora que a briga entre sauditas e emiradenses é justamente sobre quem vai herdar o posto hegemônico quando os EUA finalmente se retirarem da região — e isso afeta diretamente o preço do barril que a Petrobras indexa.
Cláudio Ribeiro
04/05/2026
Cristina, você tocou num ponto que acho central e que a thread deixou escapar: essa fratura revela o esgotamento do modelo de “Estados pivôs” que Washington sustentou desde a Guerra Fria. Arábia Saudita e Emirados não são meros competidores regionais — são expressões de duas frações distintas da burguesia rentista do Golfo, uma mais atrelada à renda petrolífera clássica (Riad) e outra que tenta se diversificar como hub financeiro-logístico (Abu Dhabi). A guerra contra o Irã só acelerou a contradição que já estava posta na base material desses Estados.
Cristina Rocha
04/05/2026
Clarice, João e Mariana trouxeram pontos importantes, mas acho que estamos subestimando o papel das contradições internas do capitalismo rentista nessa região. Não se trata apenas de “projetos de poder concorrentes” ou de “superestrutura refletindo economia” — é preciso entender que tanto a Arábia Saudita quanto os Emirados são estados que se estruturam em torno da renda petrolífera, e essa renda está em declínio estrutural. A guerra contra o Irã, orquestrada por Washington e Tel Aviv, é a tentativa desesperada de controlar as rotas energéticas remanescentes enquanto o Ocidente tenta desesperadamente manter o dólar como moeda hegemônica do petróleo. O que estamos vendo não é uma “fratura” entre aliados, mas a decomposição de um sistema inteiro.
O MBS, em Riad, tenta fazer um “socialismo de Estado” às avessas — diversificar a economia com fundos soberanos, abrir a sociedade para atrair capital estrangeiro, tudo enquanto mantém a repressão política mais brutal. Já os Emirados, com sua lógica de hub logístico e financeiro, operam como uma espécie de Cingapura do Golfo, mais flexível e menos dependente do petróleo bruto. Esses dois modelos colidem justamente porque a guerra iraniana expõe que não há mais espaço para todo mundo na mesa do império americano. Os EUA já não têm capacidade de garantir a segurança de ambos simultaneamente, e cada um tenta puxar a brasa para sua sardinha.
E eu não posso deixar de notar o silêncio ensurdecedor sobre o papel das mulheres nessa região. Enquanto os sheiks brincam de geopolítica, as mulheres sauditas continuam sob tutela masculina, com um “despertar” que é puramente cosmético — podem dirigir, mas ainda precisam de autorização do marido para viajar. Nos Emirados, a situação é um pouco melhor, mas a mão de obra feminina migrante é explorada de forma quase escravagista. Essa guerra não é apenas sobre petróleo e poder regional; é sobre a manutenção de um patriarcado rentista que se alimenta da miséria alheia. O feminismo precisa olhar para essas realidades com a mesma lupa com que analisa as contradições de classe.
Por fim, acho que a Luciana foi certeira ao lembrar que, enquanto isso, o povo brasileiro paga o pato com o gás a 130 reais. Mas é preciso ir além: essa crise no Oriente Médio é a prova de que o capitalismo financeirizado e imperialista não tem mais como se reproduzir sem guerras e destruição. O Brasil do Lula precisa urgentemente fortalecer os BRICS, criar alternativas ao dólar e, acima de tudo, construir uma política externa que não seja subserviente nem aos EUA nem a essas monarquias do Golfo. A esquerda brasileira precisa entender que não há neutralidade possível quando o imperialismo está em sua fase mais predatória.
Mariana Costa
04/05/2026
Acho que a Clarice tocou num ponto importante: essa história de “superestrutura” ignora que Arábia e Emirados têm projetos de poder bem concretos e concorrentes, independente da guerra. Mas também não dá pra romantizar os EUA como vítimas — eles mesmos criaram essa dependência e agora colhem o resultado. O equilíbrio seria admitir que ambos os lados erraram feio.
Clarice Historiadora
04/05/2026
João Augusto, bonita tentativa de adornar o óbvio com jargão marxista, mas você simplifica demais. Essa fratura não é só “superestrutura refletindo contradições econômicas” — é uma disputa geopolítica concreta entre dois projetos de poder regional que usam a guerra contra o Irã como palco. Enquanto a Arábia Saudita tenta manter a hegemonia via OPEP e dependência militar dos EUA, os Emirados já diversificaram alianças com China e Rússia. Isso não é “contradição do capital”, é realpolitik de manual. Mas claro, falar de classes é mais confortável que admitir que o Oriente Médio não se reduz a uma aula de Economia Política 101.
João Augusto
04/05/2026
Luciana, você capturou a essência materialista da coisa: essa fratura entre Riad e Abu Dhabi é a superestrutura política refletindo contradições econômicas reais. Enquanto a periferia do capital agoniza com o preço do gás, os senhores do petróleo disputam hegemonia regional num momento em que o velho guarda-chuva imperial americano já não protege como antes. Gramsci diria que estamos vendo o interregno — o velho morrendo e o novo tardando a nascer.
Luciana
04/05/2026
Ah, Francisco, você falou tudo. Enquanto esses países milionários tão se estranhando por causa de guerra que nem é deles, a gente aqui tá vendo o botijão de gás a 130 reais e o mercado lotado de carne cara. Essa briga de rico com petróleo não põe comida na mesa de ninguém, só faz o preço do dólar subir e a gente pagar o pato.
Francisco de Assis
04/05/2026
Sandra, você tocou num ponto, mas vou além: isso é o império americano se desmanchando. Os caras acharam que iam bombardear o Irã e todo mundo ia marchar igual soldadinho, mas até os aliados deles tão se estranhando. Enquanto isso, o Brasil do Lula constrói ponte com o mundo inteiro, sem guerra, sem destruição. Quem tá certo a história mostra.
Sandra Martins
04/05/2026
Ana Karine, você trouxe um ponto necessário. Essa briga entre Arábia e Emirados não é só sobre petróleo ou contratos, é sobre o quanto esses governos se deixam usar como peças num tabuleiro de guerra que não é deles. Como cristã, fico pensando onde fica a paz que tanto pregamos quando os líderes mundiais só sabem alimentar divisões.
Marta Souza
04/05/2026
Beto, concordo que contratos parados são um desperdício, mas o problema de fundo é outro: esses países vivem de petróleo estatal e subsídios cruzados. Se houvesse livre mercado de verdade na região, sem a muleta do petrodólar e da intervenção americana, essa briga de sheik não teria nem motivo para existir. Enquanto o Estado for o grande patrão, vamos continuar vendo guerra e obra parada.
Ana Karine Xavante
04/05/2026
Marta, concordo com a sua crítica ao modelo estatal-petroleiro, mas discordo de que o livre mercado resolveria a raiz do problema. A sua análise ainda opera dentro de uma moldura liberal que ignora o colonialismo estrutural que moldou esses Estados do Golfo. Eles não são monarquias do petróleo por acaso; foram desenhados assim pelas potências coloniais europeias e depois pelos EUA para garantir fluxo de petróleo barato e estabilidade para o capital ocidental. A intervenção americana não é uma muleta que distorce um mercado natural — ela é a estrutura que cria e mantém esses regimes. Sem ela, não haveria “livre mercado” na região, mas sim uma disputa violenta por recursos que já foi a norma antes do petróleo, com tribos beduínas e impérios otomanos.
O que você chama de “subsídios cruzados” é, na verdade, a engrenagem de um sistema de apartheid global. Os países do Golfo usam o petróleo estatal para comprar lealdade interna (cidadãos com empregos públicos, gasolina barata, isenção de impostos) e, ao mesmo tempo, sustentar uma mão de obra migrante sem direitos, tratada como mercadoria descartável. O livre mercado que você defende só aprofundaria essa exploração, porque as corporações ocidentais já controlam as cadeias de extração e refino. A briga entre Arábia Saudita e Emirados não é sobre Estado versus mercado — é sobre duas facções da mesma elite compradora brigando por quem fica mais perto do trono americano e das rotas de gás liquefeito.
Para os povos indígenas que eu represento, essa discussão parece abstrata porque a gente nunca foi incluído nesse contrato social do petróleo. Enquanto vocês debatem se o Estado ou o mercado deve gerir o veneno, nós estamos na linha de frente dos poços, com os rios contaminados e o ar irrespirável. A verdadeira ruptura não virá de mais mercado ou menos Estado, mas do fim da dependência de combustíveis fósseis e do reconhecimento de que a terra não é recurso a ser gerido — é território sagrado. Enquanto a esquerda e a direita disputarem quem administra melhor o colapso climático, os sheiks vão continuar rindo, porque o jogo é deles. A nossa saída é outra: descolonizar a energia e devolver a terra a quem nunca a tratou como mercadoria.
Beto Engenheiro
04/05/2026
O que realmente me preocupa nessa história é que, enquanto esses sheiks brigam entre si, os contratos de infraestrutura no Oriente Médio ficam parados. Já vi obra parar por causa de briga política menor que essa. Se os EUA querem estabilidade na região, que comecem garantindo que os projetos de portos e ferrovias não sejam afetados por essa crise de ego entre aliados.
Adalberto Livre
04/05/2026
ISSO AI É BRIGA DE SHEIK PRA VER QUEM LAMBE MAIS BOTA DOS EUA, ENQUANTO O POVO MORRE DE FOME E A GENTE AQUI PAGA GASOLINA MAIS CARA QUE SANGUE. COMUNISTAS ADORAM ESSA DISCORDIA.
Alice T.
04/05/2026
Adalberto, a parte do “comunistas adoram” foi totalmente desnecessária e só mostra que você não leu os comentários anteriores — a Letícia e o Diego já explicaram que isso é briga de capitalista por petróleo, não ideologia. Enquanto isso, o povo morre de fome sim, mas o problema não é “comunista”, é o seu querido livre mercado que transforma gasolina em ouro enquanto sheik compra iate.
Diego Fernández
04/05/2026
Letícia, você foi certeira ao desmontar a fantasia do “mercado livre resolve”. A real é que essa briga entre Arábia e Emirados não é sobre religião ou “eixo do mal”, é sobre quem controla as rotas do petróleo e quem fica mais perto de Washington. Enquanto isso, o Sul Global segue pagando a conta de uma guerra que não é nossa, exatamente como a dívida externa sempre fez com a América Latina.
Eduardo Teixeira
04/05/2026
Carlos Mendes, você tocou no ponto exato: o contribuinte americano financia essa farra geopolítica enquanto aqui a gente paga imposto até pra respirar. Se esses sheiks brigam por causa de petróleo e influência, que paguem do próprio bolso os custos da guerra, sem usar dinheiro de ninguém. Mercado livre resolve isso sem bombas.
Letícia Fernandes
04/05/2026
Eduardo, seu comentário tem o mérito de expor a hipocrisia do financiamento bélico com dinheiro do contribuinte, mas a saída que você propõe — “mercado livre resolve isso sem bombas” — é uma fantasia tão ingênua quanto a crença de que a mão invisível de Adam Smith vai distribuir pão para quem tem fome. O mercado livre não é uma entidade abstrata pairando acima dos conflitos; ele é o próprio motor das guerras que você denuncia. A briga entre Arábia Saudita e Emirados não é uma disfunção do capitalismo, é sua expressão mais pura: disputa por fatias de um mercado petrolífero oligopolizado, onde cada barril extraído custa sangue e cada acordo de paz é mediado por lobistas das armas. Quando você diz “que paguem do próprio bolso”, está pressupondo que existe um “bolso” separado do Estado e da população — mas o capital desses sheiks é acumulado justamente pela exploração de trabalho precário, pela repressão de sindicatos e pela manutenção de monarquias absolutistas que vendem petróleo em dólares americanos. O “mercado livre” que você invoca é o mesmo que transforma a vida humana em externalidade.
O problema não é que o contribuinte americano financia a guerra; o problema é que o contribuinte americano financia a guerra porque o sistema exige que o Estado burguês garanta as condições de acumulação do capital petrolífero. Se amanhã os EUA cortassem o orçamento do Pentágono, a Arábia Saudita e os Emirados não sentariam em uma mesa de paz — eles comprariam armas da Rússia, da China ou da França, e o sangue continuaria correndo. O mercado de armas é um dos setores mais lucrativos do capitalismo global, e a concorrência entre potências não é um desvio, é a regra. Acreditar que a “livre iniciativa” vai resolver conflitos geopolíticos é ignorar que a própria noção de “livre iniciativa” foi construída sobre o colonialismo, o genocídio indígena e a escravidão — todos financiados por Estados que usavam o dinheiro dos contribuintes para expandir mercados.
Você toca em um ponto sensível ao falar dos impostos que pagamos aqui no Brasil enquanto o dinheiro vai para bombas no Oriente Médio. Mas a solução não é privatizar a guerra ou esperar que o mercado a torne “racional”. A solução é entender que a guerra é a continuação dos negócios por outros meios, como diria Clausewitz com uma atualização marxista. Enquanto o petróleo for a commodity que move a economia global, enquanto a exploração de trabalho for a base da riqueza dos sheiks e dos acionistas da Exxon, não haverá “mercado livre” que pare as bombas — porque as bombas são o mercado. O que precisamos é de uma ruptura com essa lógica: estatização do petróleo sob controle popular, fim da propriedade privada dos meios de produção e uma política externa que não submeta o interesse público ao lucro de meia dúzia de famílias reais e conselhos de administração. Até lá, o “mercado livre” continuará sendo o nome bonito que damos à barbárie.
Carlos Mendes
04/05/2026
Capitão Tavares, você foi cirúrgico. Enquanto a esquerda tenta pintar o Irã como vítima, o que temos é uma briga de gigantes do petróleo que sempre usaram o discurso religioso pra esconder interesses econômicos. E o pior: o contribuinte americano financia essa bagunça enquanto aqui no Brasil o Estado nos sufoca com impostos.
Lurdinha Deus Acima de Todos
04/05/2026
Gente, pelo amor de Deus, isso é o fim dos tempos!!! 😱🙏 Até os aliados dos EUA tão brigando, já vi que a guerra contra o Irã vai acabar com tudo! Vão fechar as igrejas e ninguém liga! 🇧🇷🇺🇸
Lucas Gomes
04/05/2026
Lurdinha, o fim dos tempos pra mim é ver a Amazônia queimando pra pasto de gado enquanto petrolíferas financiam guerras no Oriente Médio. Se igreja fechar, que feche, mas o que realmente nos ameaça é o colapso climático que esses mesmos aliados dos EUA aceleram com exploração sem limites.
Capitão Tavares 🇧🇷
04/05/2026
Tonho Patriota, você precisa parar de ver mamadeira de piroca em tudo, irmão. O Irã é um regime islâmico radical, não comunista — isso é papinho de quem nunca abriu um livro de geopolítica. E essa briga entre Arábia e Emirados só mostra que os americanos estão perdendo o controle da bagunça que eles mesmos criaram. Se o Brasil tivesse um presidente que pensasse no país em vez de ficar de joelhos pros gringos, a gente não estaria nessa enrascada.
Jeferson da Silva
04/05/2026
Capitão, falou tudo. Enquanto os sheik briga por poço de petróleo e os EUA perdem o controle, aqui no Brasil o povo tá perdendo direito trabalhista e achando que empreendedorismo é ser CLT sem carteira assinada. Esses conflito no Oriente Médio só mostra que guerra de rico sempre sobra pra pobre, seja em São Bernardo ou em Riad.
Pedro Silva
04/05/2026
Pois é, Mariana, o Tonho aí acha que até briga entre sheik é culpa do PT. O que eu vejo na rua é o seguinte: os caras tão se estapeando por causa de petróleo e influência na região, e quem se ferra é o povo comum de ambos os lados. Bagunça generalizada, e os EUA tentando apagar incêndio que eles mesmos atiçaram.
Tonho Patriota
04/05/2026
ISSO AI É FAKE NEWS DA ESQUERDA! ARÁBIA E EMIRADOS SÃO UNIDOS CONTRA O COMUNISMO IRANIANO, ESSE TAL DE “EIXO DA RESISTÊNCIA” É INVENÇÃO DO PT PRA ENFRAQUECER OS EUA! FAZ O L QUEM ACREDITA NESSA MAMADEIRA GEOPOLÍTICA!
Mariana Ambiental
04/05/2026
Tonho, comunismo iraniano? O Irã é uma teocracia xiita com capitalismo de Estado e a maior parte da economia nas mãos de fundações religiosas e dos Guardas da Revolução. Se isso é comunismo, o Agro é coletivo agrícola do MST.
Major Ricardo Silva
04/05/2026
Marta, com todo respeito, mas discordo. A esquerda brasileira realmente torce pelo caos sim, é só ver como tratam as Forças Armadas e a segurança nacional. Essa briga entre Arábia e Emirados é o preço de décadas de política externa frouxa e de acordos com regimes que não têm os mesmos valores que nós. Enquanto isso, o Irã avança e o Brasil fica nessa lenga-lenga de ideologia de gênero e proteção a bandido. Cadê o patriotismo?
Laura Silva
04/05/2026
Major Ricardo, respeito sua trajetória e seu incômodo com a desordem geopolítica, mas preciso discordar com a mesma franqueza. A fratura entre Arábia Saudita e Emirados não é fruto de “política externa frouxa” ou de “acordos sem valores” – é a consequência lógica de um sistema capitalista em crise terminal, onde até mesmo os satélites mais dóceis dos EUA começam a disputar as migalhas do império em declínio. O que estamos vendo não é um desvio moral, mas a materialização das contradições internas do imperialismo: Riad e Abu Dhabi competem por rotas de exportação de petróleo, por contratos de armamento e por influência no Iêmen e no Sudão. Isso não tem nada a ver com “ideologia de gênero” ou “proteção a bandido” – é a lógica do lucro levada ao extremo, onde aliados de ontem viram concorrentes hoje.
O senhor menciona o Irã como se fosse um monstro que avança enquanto o Brasil “fica na lenga-lenga”. Mas vamos aos fatos: o Irã não invadiu nenhum país vizinho nas últimas décadas – quem invadiu o Afeganistão, o Iraque e a Líbia foram justamente os EUA e seus aliados da Otan. O “avanço iraniano” que o senhor teme é, na verdade, a resposta defensiva de um Estado que viu seu vizinho iraquiano ser destruído e seu outro vizinho, o Afeganistão, ocupado por décadas. O Irã se fortaleceu porque o vácuo deixado pela guerra americana no Oriente Médio foi preenchido por quem resistiu – Hezbollah, milícias iraquianas, os houthis. Isso não é comunismo, é realpolitik. O Brasil, preso a essa lógica de “patriotismo” que ignora a análise concreta das relações de força, continua sendo um exportador de commodities que compra armas de quem nos vê como mero quintal.
Quanto à acusação de que a esquerda brasileira “torce pelo caos”, permita-me lembrar que fomos nós que denunciamos a guerra do Iraque em 2003, que alertamos sobre o desastre da Primavera Árabe cooptada pelo Ocidente e que apontamos, desde o início, que a Aliança do Atlântico Norte não traria democracia, mas sim destruição e refugiados. Torcer pelo caos seria desejar que a população civil do Iêmen morresse de fome enquanto sauditas e emiradenses compram mísseis americanos – e isso, meu caro, é exatamente o que acontece sob os “valores” que o senhor defende. O patriotismo que o senhor invoca não pode ser o mesmo que aplaude a intervenção estrangeira e chama de “bandido” o jovem negro da periferia que rouba um celular, enquanto fecha os olhos para os bilhões que o Banco Central brasileiro envia para os paraísos fiscais dos mesmos países que agora se desentendem no Golfo.
Se o senhor quer entender a crise dos aliados dos EUA, sugiro que leia não apenas as manchetes, mas os relatórios do próprio Pentágono sobre a dependência energética e a instabilidade dos regimes do Golfo. Enquanto isso, a esquerda brasileira continuará fazendo o que sempre fez: apontar que a verdadeira segurança nacional não se constrói com armas e discursos ufanistas, mas com soberania alimentar, educação pública e distribuição de renda. O caos que o senhor vê no Oriente Médio é o mesmo caos que o capitalismo produz aqui, nas favelas e nos presídios lotados. A diferença é que lá eles têm petróleo para financiar a guerra; aqui, temos apenas a nossa força de trabalho sendo explorada. Talvez seja esse o patriotismo que falta ao debate: o de olhar para dentro e perceber que o inimigo não está no Irã, mas na lógica que transforma tudo em mercadoria, inclusive a vida dos pobres.
Luiz Augusto
04/05/2026
Paulo, você foi cirúrgico. Essa fratura não é acidental: é o resultado de décadas de uma política externa americana que terceiriza segurança para monarquias instáveis enquanto ignora o fortalecimento iraniano. Enquanto a esquerda brasileira torce pelo caos para culpar o Ocidente, o fato é que falta liderança estratégica em Riad e Abu Dhabi — e sobra dependência de um guarda-chuva que já não cobre todo mundo.
Marta
04/05/2026
Luiz Augusto, meu filho, você é um dos poucos aqui que parece ter lido alguma coisa além da manchete do jornal. Mas me permita corrigir um ponto: essa história de que “a esquerda brasileira torce pelo caos” é conversa de quem nunca sentou num banco de escola pública para explicar para uma turma inteira o que é imperialismo. Ninguém aqui torce por guerra, muito menos por crise humanitária. O que a esquerda faz, e faz há décadas, é apontar o óbvio: o modelo de intervenção americano no Oriente Médio sempre foi um castelo de areia construído em cima de ditaduras e monarquias feudais. Não é torcida, é constatação histórica.
Você falou em falta de liderança estratégica em Riad e Abu Dhabi, e aí você acertou em cheio. Mas falta também mencionar que essas monarquias foram mantidas de pé justamente por esse “guarda-chuva” americano que você citou. Durante a Guerra do Golfo, os EUA defenderam a Arábia Saudita do Iraque. Durante a Primavera Árabe, seguraram o bonde do Bahrein. O problema é que o guarda-chuva está furado porque a política externa americana virou um grande balcão de negócios: vende armas para todo mundo, faz vista grossa para os abusos dos aliados e, de quebra, ainda quer ditar regras para o Irã. O resultado é essa fratura que estamos vendo. Não é acidente, é o fim da linha de um modelo que sempre privilegiou petróleo e bases militares em vez de construir relações diplomáticas sólidas.
Quanto ao Irã, é bom lembrar que o “fortalecimento iraniano” que você menciona não caiu do céu. Ele é fruto, em grande parte, da invasão do Iraque em 2003, que derrubou Saddam Hussein e entregou o país de bandeja para a influência iraniana. Quem fez isso? Os mesmos que agora choram a falta de coesão entre Riad e Abu Dhabi. Então, meu caro, antes de culpar a esquerda brasileira, que está aqui tentando pagar as contas e defender o Lula, dê uma olhada no histórico de quem realmente patrocinou esse caos todo. A história não mente, e eu estou aqui para lembrar disso, mesmo que os meninos mal-educados não gostem.
Paulo Ribeiro
04/05/2026
João Carvalho tocou num ponto central, mas acho que podemos ir um pouco além da constatação de que o “eixo da resistência” desgastou a coesão dos aliados regionais. O que estamos testemunhando não é apenas uma fratura diplomática entre Riad e Abu Dhabi; é a manifestação concreta de uma contradição interna do capitalismo dependente na periferia do sistema-mundo. Arábia Saudita e Emirados são formações sociais que, apesar da aparência de modernização, seguem presas a uma estrutura de acumulação primário-exportadora, com suas burguesias atreladas ao capital financeiro internacional e à indústria bélica estadunidense. Quando o imperialismo entra em crise de hegemonia, como agora com a guerra contra o Irã, essas fraturas se escancaram porque cada fração da burguesia local tenta salvar seus próprios interesses imediatos, mesmo que isso signifique sabotar a unidade do bloco.
A senhora Clotilde Pátria, com todo respeito, faz uma leitura que mistura anticomunismo primário com uma visão conspiratória que não se sustenta nem nos fatos mais elementares. Não há “comunismo” sendo implantado no Oriente Médio, e o Irã é uma teocracia islâmica com uma burguesia nacionalista que disputa mercados e rotas de gás, não uma revolução proletária. O que está em jogo é a reconfiguração das cadeias de valor do petróleo e do gás, com os sauditas tentando manter o controle da OPEP enquanto os emiradenses já diversificaram seus investimentos em logística portuária e finanças. Isso não é ideologia, é materialismo histórico básico: as infraestruturas determinam as superestruturas políticas.
O mais grave, e que passa batido nos comentários mais ufanistas, é que essa desunião entre os aliados árabes revela a falência do projeto de “ordem liberal internacional” no Oriente Médio. Os Acordos de Abraão, a normalização com Israel, a promessa de um “Novo Oriente Médio” neoliberal – tudo isso era uma cortina de fumaça para esconder a pilhagem dos recursos energéticos. Agora que a guerra contra o Irã escalou, cada peça desse tabuleiro mostra sua verdadeira face: a de Estados que não passam de correias de transmissão dos interesses das multinacionais do petróleo, mas que, ao mesmo tempo, precisam manter uma base de legitimidade interna apoiada em nacionalismos rasteiros e fundamentalismos religiosos. Gramsci diria que o “consenso” hegemônico estadunidense na região está se desfazendo, e o que resta é a coerção pura e simples.
Por fim, acho que o Carlos Oliveira acertou em cheio ao lembrar que quem paga a conta é o povo pobre, tanto aqui no Brasil quanto lá. Mas precisamos radicalizar essa análise: a guerra no Oriente Médio não é um acidente geopolítico, é uma necessidade do capitalismo em crise. Os EUA precisam desesperadamente manter o controle das rotas energéticas para garantir a supremacia do dólar petróleo, e para isso estão dispostos a incendiar toda a região. Nós, da periferia, precisamos entender que a solidariedade com os povos oprimidos do Irã, do Iêmen e da Palestina não é uma questão de “comunismo” ou “terrorismo”, como querem os reacionários, mas de defesa dos nossos próprios interesses de classe. Enquanto a esquerda brasileira não articular uma política externa soberana e anti-imperialista de fato, continuaremos assistindo a esses jogos de xadrez geopolítico como meros espectadores – e pagando a conta com o aumento do preço dos combustíveis e a carestia.
Clotilde Pátria
04/05/2026
Gente, pelo amor de Deus, estão vendo? Os próprios aliados dos EUA já estão se desentendendo, é o caos total! Isso é o que dá fazer acordo com comunista e ficar de brincadeira enquanto o Irã avança. Amanhã mesmo vão querer implantar o comunismo aqui no Brasil, podem anotar! Só Jesus na causa mesmo, porque político não resolve nada.
João Carvalho
04/05/2026
Carlos Oliveira, é exatamente por aí. Essa fratura entre Riad e Abu Dhabi não é um desentendimento qualquer: revela como o “eixo da resistência” iraniano conseguiu, na prática, desgastar a coesão dos aliados regionais dos EUA. Enquanto a direita brasileira repete slogans sobre “valores”, o tabuleiro geopolítico real mostra que a aposta na guerra ilimitada só aprofunda contradições entre os próprios parceiros de Washington.
Zé do Povo
04/05/2026
ISSO É O QUE ACONTECE QUANDO OS AMERICANOS SÓ SABEM FAZER GUERRA! 😡 COMUNISTAS E TERRORISTAS SE DANDO BEM ENQUANTO GENTE DE BEM SOFRE! VOLTA VALORES TRADICIONAIS E ACORDA BRASIL!
Célia Carmo
04/05/2026
Patrão, comunista e terrorista é tudo invenção da sua cabeça, Zé, acorda pra luta de classes e para de repetir discurso de coach!
Márcio Torres
04/05/2026
Zé do Povo, seu comentário mistura tanta coisa que fica difícil saber por onde começar. Vamos por partes, com calma, porque essa crise entre Arábia Saudita e Emirados não tem absolutamente nada a ver com “comunistas” ou “valores tradicionais”. Estamos falando de duas monarquias teocráticas, absolutistas, que decapitam pessoas em praça pública e tratam mulheres como cidadãs de segunda classe. Se “valores tradicionais” incluem decapitação por blasfêmia e a proibição de mulheres dirigirem até 2018, então talvez você esteja no time certo. Mas acho que não é bem isso que você quer dizer.
O que estamos vendo é uma briga entre dois regimes autoritários que até ontem se odiavam secretamente e agora fazem isso às claras. O príncipe herdeiro saudita, MBS, quer centralizar o poder e diversificar a economia antes que o petróleo acabe. Já os Emirados, mais espertos, preferem uma abordagem pragmática: manter canais abertos com Israel, com a China, com todo mundo que pagar bem. Não há ideologia nisso, Zé. É puro cálculo de sobrevivência de regimes que sabem que, sem o dólar do petróleo, viram pó em uma geração. Os EUA, por sua vez, estão perdendo influência exatamente porque seus “aliados” aprenderam que Washington não é confiável — vide a retirada caótica do Afeganistão e a hesitação em proteger os curdos na Síria. Isso não é culpa de “comunistas”, é culpa de décadas de política externa americana incoerente, que ora bombardeia, ora negocia, e sempre deixa os parceiros locais segurando a bomba-relógio.
Quanto ao seu “terroristas se dando bem”, sugiro olhar para o histórico: quem armou, treinou e financiou os grupos jihadistas na Síria para derrubar Assad? Arábia Saudita e Emirados, com bênção americana. Quem espalhou a versão mais radical do islamismo pelo mundo, financiando madrassas wahabitas na África e na Ásia? A Arábia Saudita, novamente, com total conivência ocidental. Terrorismo não é um fenômeno que cai do céu; ele é produzido por Estados que usam o fundamentalismo como ferramenta geopolítica. Agora que esses mesmos Estados estão se estranhando, o que você esperava? Que eles fossem se abraçar e cantar hinos de paz? A guerra contra o Irã que você menciona é, na verdade, uma guerra por procuração que já dura décadas, com sunitas e xiitas se matando em nome de facções teológicas que, para qualquer observador racional, são igualmente irreais.
Por fim, “gente de bem sofrendo” é uma categoria tão vaga que serve para justificar qualquer coisa. Quem é “gente de bem” nesse contexto? Os civis iemenitas que estão sendo bombardeados pela coalizão saudita desde 2015, com munição americana e britânica? As crianças que morrem de fome em um país que já foi o celeiro da região? Ou os trabalhadores imigrantes nos Emirados, tratados como servos sob o sistema kafala? Se você quer “acordar o Brasil”, sugiro começar desconfiando de narrativas que transformam conflitos complexos em novelas de mocinho e bandido. O mundo real é feito de interesses, petróleo, armas e hipocrisia. E, francamente, tanto comunistas quanto terroristas são categorias que não explicam nada do que está acontecendo aqui.
Carlos Oliveira
04/05/2026
Zé, o problema não é americano fazer guerra ou não, é que enquanto eles brigam por petróleo e poder no Oriente Médio, quem paga a conta é o povo pobre aqui e lá também. Essa história de valores tradicionais não enche tanque de carro nem põe comida na mesa de quem trabalha 12 horas por dia de aplicativo. Acorda pra realidade, irmão.