Relatos da República Islâmica do Irã sobre um ataque a um contratorpedeiro norte-americano no estreito de Ormuz fizeram o mercado de petróleo registrar forte alta.
Os preços do Brent subiram 3,4%, alcançando US$ 111,81 por barril, enquanto o West Texas Intermediate avançou 3,3%, chegando a US$ 105,34. Esses movimentos neutralizaram as perdas observadas no pregão anterior do mercado internacional.
O incidente ocorreu quando o navio dos Estados Unidos teria se aproximado do corredor marítimo sem autorização, recebendo um disparo de advertência das forças iranianas. Washington não confirmou oficialmente o episódio.
O estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e Omã, é um ponto crítico por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente. Qualquer tensão nessa rota estratégica impacta imediatamente cotações, custos de seguro de carga e projeções econômicas mundiais.
Giovanni Staunovo, analista de commodities da UBS, destacou que os riscos para os preços permanecem elevados enquanto a circulação de petroleiros no estreito exigir escoltas armadas e verificações extras. Essas condições encarecem fretes e prolongam os prazos de entrega no setor.
Os contratos de petróleo já estavam pressionados por interrupções de oferta no Golfo e pela redução da produção em campos norte-americanos. Esses fatores criaram um ambiente propício para a disparada de preços após o incidente no estreito.
A Reuters informou que, no pregão anterior, o Brent havia recuado US$ 2,23, influenciado por realizações de lucro e dados fracos de demanda na China. A nova escalada de tensões geopolíticas reverteu o movimento, incentivando ordens de compra no mercado.
O portal iraniano Mehr News afirmou que a ação das forças iranianas foi uma medida de proteção à soberania nacional. Segundo a fonte, o destróier dos EUA teria entrado em águas monitoradas pelo Corpo de Guardiões da Revolução sem aviso prévio a Teerã.
Autoridades iranianas classificam a presença naval dos Estados Unidos no Golfo como uma provocação de longa data. Elas argumentam que tais manobras ameaçam a segurança energética de nações dependentes da rota e violam normas de passagem internacional.
O Comando Central dos EUA posiciona navios e aeronaves na região com o objetivo declarado de assegurar a navegação livre. Incidentes recorrentes demonstram, contudo, que essa estratégia resulta em maior volatilidade e aumento dos prêmios de risco no mercado.
Analistas observam que cada dólar de alta no preço do barril pressiona as finanças de países importadores e reaquece a inflação global. Isso representa um desafio adicional para bancos centrais, especialmente na União Europeia e nos EUA, já às voltas com altas taxas de juros.
Com o estreito de Ormuz novamente no centro das tensões, operadores acompanham de perto possíveis restrições impostas pelo Irã. Uma escalada militar na região poderia levar o Brent a níveis próximos aos picos históricos registrados durante a crise de 2008.
Leia também: Ataques a navios cargueiros elevam tensão no Estreito de Ormuz e expõem disputa entre Irã e EUA
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