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TCU rejeita recurso do Iges-DF e mantém condenação por prejuízo de R$ 77,6 milhões

47 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre TCU rejeita recurso do Iges-DF e mantém condenação por prejuízo de R$ 77,6 milhões. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) O Tribunal de Contas da União rejeitou os embargos apresentados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, o Iges-DF, e manteve decisões que apontam erros graves em contratações […]

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Ilustração editorial sobre TCU rejeita recurso do Iges-DF e mantém condenação por prejuízo de R$ 77,6 milhões. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Tribunal de Contas da União rejeitou os embargos apresentados pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal, o Iges-DF, e manteve decisões que apontam erros graves em contratações de pessoal e perdas financeiras que somam R$ 77,6 milhões aos cofres públicos.

O acórdão foi relatado pelo presidente do TCU, ministro Bruno Dantas, e reforça a competência federal para fiscalizar a entidade. O Iges-DF já recebeu cerca de R$ 700 milhões do orçamento da União desde a sua criação.

Dantas sustentou que a sucessão de processos seletivos para as mesmas vagas, em intervalos curtos, demonstrou falhas estruturais no planejamento de recursos humanos. Segundo o relator, essas falhas elevaram custos administrativos que poderiam ter sido evitados.

A auditoria identificou seleções frustradas, desligamentos em série e recontratações que consumiram recursos públicos sem oferecer estabilidade às equipes. Essas equipes atuam em hospitais e Unidades de Pronto Atendimento do Distrito Federal.

O diagnóstico foi referendado no plenário do TCU em 15 de abril, quando os ministros concluíram que a chamada “rotatividade excessiva” gerou despesas desnecessárias ao Iges-DF, conforme detalhou o portal Metrópoles em sua cobertura do julgamento. Além do impacto sobre a força de trabalho, os auditores mapearam prejuízo de R$ 76 milhões em um contrato de alimentação hospitalar e outros R$ 1,6 milhão em pagamentos considerados indevidos à companhia de água e esgoto local.

A equipe técnica vistoriou escalas de dezembro de 2023 e identificou turnos sem médicos escalados em algumas UPAs. Essa situação viola o direito constitucional à saúde e agrava a sobrecarga do Sistema Único de Saúde na capital federal.

Os ministros registraram que o subdimensionamento das equipes comprometeu a qualidade do atendimento e gerou filas. Pacientes foram expostos a situações que poderiam ter sido prevenidas com planejamento adequado.

O Iges-DF tentou afastar a fiscalização federal ao alegar que concursos e contratos se subordinam apenas à legislação distrital. O TCU considerou irrelevante a tese diante do volume de verbas federais transferidas à entidade.

No julgamento original, realizado em dezembro de 2025, o tribunal já havia concedido 90 dias para que o instituto adequasse seus processos seletivos aos princípios da publicidade, da isonomia, da moralidade e da eficiência previstos na Constituição.

Na mesma deliberação, a corte determinou que a Secretaria de Saúde do Distrito Federal avalie custos, produtividade e impacto dos processos seletivos. A medida amplia o escopo da fiscalização para além do instituto e coloca o governo distrital diretamente na linha de responsabilização.

Ao apresentar os embargos, o Iges-DF questionou os parâmetros utilizados para qualificar a rotatividade como excessiva e citou decisões do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região. O TCU considerou que tais argumentos buscavam apenas rediscutir fatos já comprovados pela auditoria.

A corte reiterou que a repetição de seleções fracassadas, ainda que amparada por normas internas, não justifica o gasto adicional de recursos federais.

O caso expõe os riscos de modelos de gestão que recebem transferências federais volumosas sem mecanismos de controle compatíveis com o porte dos recursos envolvidos. A ausência de planejamento de longo prazo para atrair e reter profissionais de saúde aparece no processo como o nó central que alimentou o ciclo de contratações, desligamentos e novas seleções.

Com a rejeição dos embargos, o TCU seguirá monitorando o cumprimento das correções determinadas e poderá aplicar novas sanções caso o Iges-DF descumpra os prazos fixados. A decisão sinaliza que entidades financiadas com verbas federais, independentemente de sua natureza jurídica, estão sujeitas ao controle externo da corte de contas da União.


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Dr. Thiago Menezes

04/05/2026

R$ 77,6 milhões de prejuízo e o Iges-DF ainda tenta recorrer com embargos? Isso é o que acontece quando se terceiriza gestão pública para “institutos” que operam com menos transparência que uma estatal. A Bia Carioca tem razão: o TCU aponta o estrago contábil, mas cadê o Ministério Público para transformar isso em ação penal? Enquanto não houver consequência criminal para gestores que quebram contratos e estouram folha, esses R$ 77 milhões viram só mais um item na conta de imposto que a gente paga.

Bia Carioca

04/05/2026

João Carvalho, você tocou no ponto central: enquanto o trabalhador acorda cedinho pra pegar condução, tem gestor público desviando 77 milhões e ficando por isso mesmo. O TCU faz o dever de casa, mas cadê a punição criminal? Enquanto a esquerda não pautar com força o controle social sobre essas organizações sociais, o povão continua pagando a conta com passagem cara e serviço de saúde sucateado.

Tonho Patriota

04/05/2026

77 MILHÕES DESVIADOS E O STF NÃO FAZ NADA??? ISSO É CULPA DO COMUNISMO DO PT, FAZ O L SEU LADRÃO!

    Maria Aparecida

    04/05/2026

    Tonho, amado, com todo respeito, mas culpar o PT e o STF por tudo é o mesmo que o fariseu passar reto pelo ferido na estrada e ainda culpar o samaritano. O problema é estrutural, não de partido — e jogar ódio gratuito só desvia o foco de quem realmente lucra com a impunidade.

João Carvalho

04/05/2026

Helton, você falou tudo. Setenta e sete milhões sumindo e ninguém vai pra cadeia, enquanto o trabalhador que acorda às 4h pra pegar busão tem que engolir aumento de passagem todo ano. Esse Iges-DF é a cara do Brasil: um monte de gente ganhando rios de dinheiro pra fazer gestão e no fim dá nisso. Cadê o patriotismo na hora de usar dinheiro público com respeito?

Cláudio Ribeiro

04/05/2026

Helton, sua indignação é legítima, mas a armadilha está em reduzir o problema a “falta de caráter” ou a um suposto “cabide de empregos” genérico. O Iges-DF é a materialização daquilo que o Estado gerencial neoliberal produziu: uma organização social que opera na zona cinzenta entre o público e o privado, sem os controles republicanos de uma autarquia e sem a concorrência do mercado. O TCU age no pós-facto, mas a raiz do desvio está na própria arquitetura institucional que terceiriza a gestão pública para escapar dos limites constitucionais, criando esses “quase-Estados” que ninguém fiscaliza a contento.

Helton Barros

04/05/2026

77 milhões de reais e ninguém vai pra cadeia? Enquanto isso o cidadão de bem que paga imposto direitinho é tratado como otário. Esse Iges-DF é mais um cabide de emprego travestido de gestão eficiente, e a esquerda ainda vem falar de “controle social” quando o que falta é vergonha na cara e Deus no coração desses gestores.

    Mariana Oliveira

    04/05/2026

    Helton, concordo com a indignação sobre a impunidade, mas preciso questionar essa ideia de que o problema é falta de “Deus no coração” ou caráter individual dos gestores. Quando Kimberlé Crenshaw desenvolveu a teoria da interseccionalidade, ela mostrou como sistemas de poder operam de forma estrutural, não apenas por falhas morais de pessoas isoladas. O desvio de R$ 77,6 milhões no Iges-DF não é fruto de alguns “maus gestores” que esqueceram de ler a Bíblia – é a expressão de um modelo de gestão que privatiza lucros e socializa prejuízos, onde a saúde vira mercadoria e o controle social é sistematicamente boicotado. A direita adora moralizar a corrupção como se fosse caso de polícia, mas esquece que o próprio desmonte do Estado fortalece esses cabides de emprego travestidos de eficiência gerencial.

    Você menciona o “cidadão de bem que paga imposto direitinho” ser tratado como otário – e isso é real, mas a pergunta que bell hooks nos deixou é: quem define quem é esse “cidadão de bem”? A mesma estrutura que desvia milhões também criminaliza a pobreza, fecha igrejas de comunidades periféricas enquanto mantém templos de prosperidade que abençoam esses mesmos gestores. O controle social que a esquerda defende não é um conceito abstrato – é a exigência de que quem paga a conta tenha assento na mesa, que haja transparência real e participação popular na gestão do dinheiro público. Enquanto tratarmos corrupção como pecado individual em vez de falha sistêmica, vamos continuar vendo R$ 77 milhões evaporarem enquanto o discurso moralista aplaude de longe.

    A ironia mais cruel é que o mesmo discurso que pede “vergonha na cara” e “Deus no coração” é o que mais ataca qualquer mecanismo de controle público efetivo. Quer menos Estado, menos regulação, menos fiscalização – e depois se surpreende que o dinheiro suma. O TCU está fazendo o dever de casa, mas enquanto a direita tratar gestão pública como cabide de emprego e a esquerda não conseguir impor controle social real, vamos continuar nesse ciclo. A fé no mercado é a única que nunca vai à falência, como bem disse o Lucas. O problema não é falta de Deus – é falta de democracia econômica e de um Estado que sirva ao povo, não aos gestores de plantão.

Augusto Silva

04/05/2026

Lucas, perfeita a ironia: o Estado que supostamente “interfere demais” na economia deixa 77 milhões evaporarem sem um pingo de controle enquanto a turma do “menos Estado, mais mercado” faz vista grossa. O TCU só está cumprindo o dever de casa, mas enquanto a direita tratar gestão pública como caso de polícia em vez de projeto de Estado, esses rombos vão continuar sendo o verdadeiro “custo Brasil”.

Lurdinha Deus Acima de Todos

04/05/2026

Gente do céu, 77 milhões de reais e ninguém vai preso? 😱 Só Jesus na causa mesmo, vão fechar as igrejas mas o dinheiro dos corruptos tá sempre em dia 🙏🇧🇷

    Lucas Andrade

    04/05/2026

    Lurdinha, a ironia é que o mesmo Estado que fecha igrejas e ergue altares ao mercado deixa esses 77 milhões evaporarem sem um xerife à vista — a fé no capital é a única que nunca vai à falência.

Major Ricardo Silva

04/05/2026

R$ 77 milhões sumidos e o pessoal ainda vem com esse papo de “lógica de mercado na saúde”. O problema não é gestão privada, é falta de caráter e controle. Enquanto esse pessoal de esquerda ficar passando pano pra corrupto, o dinheiro do contribuinte vai continuar indo pro ralo. Cadê a punição exemplar que esse país precisa?

    Mariana Ambiental

    04/05/2026

    Major Ricardo, a questão é que “falta de caráter” não é um fenômeno abstrato que cai do céu — ela floresce justamente onde o lucro privado se alimenta de verba pública sem controle social efetivo, e enquanto a direita tratar corrupção como caso de polícia em vez de sintoma do modelo, o ralo vai continuar aberto.

Sofia García

04/05/2026

77 milhões e ninguém vai preso, é tipo roteiro de novela mexicana mas sem final feliz. O TCU fazendo o básico e a turma do “temor a Deus” esquecendo que o problema é gestão, não oração. Mariana falou tudo: enquanto tratarem saúde pública como startup, vai ter rombo e ninguém responsabilizado de verdade.

João Batista Alves

04/05/2026

R$ 77 milhões e ninguém vê a cor desse dinheiro de volta, isso é que dá quando o poder público entrega a saúde nas mãos de gente que só pensa em politicagem. O João Batista e o Padre Antônio Rocha estão cobertos de razão: falta temor a Deus e vergonha na cara desses gestores. Enquanto não houver cadeia pra corrupto, o dinheiro do povo vai continuar virando pó.

    Mariana Santos

    04/05/2026

    João Batista Alves, a indignação é justa, mas cuidado pra não transformar a crítica num moralismo vazio que culpa a gestão pública e esquece que o verdadeiro problema é a lógica de mercado aplicada à saúde. Enquanto tratarmos serviços essenciais como negócio, esses rombos vão ser a regra, não a exceção — o que falta não é temor a Deus, é controle social real e financiamento público de verdade.

João Batista

04/05/2026

R$ 77 milhões jogados fora e ninguém vai preso, isso é o que dá quando o Estado se alia a uma gestão que não teme a Deus nem respeita o dinheiro suado do contribuinte. O Padre Antônio Rocha tem toda razão: falta temor ao Senhor e punição exemplar. Enquanto a esquerda defende esses institutos cheios de privilégio, o cidadão de bem paga a conta.

Ricardo Almeida

04/05/2026

Cíntia, o TCU manter a condenação é o mínimo do mínimo, mas o problema é que esse caso virou uma disputa de narrativas: de um lado, o discurso da gestão privada eficiente; do outro, a velha política de sempre. Enquanto não houver auditoria independente e responsabilização criminal de fato, esses R$ 77 milhões viram só mais um número em um relatório que ninguém lê.

Cíntia Alves

04/05/2026

O TCU ao menos mantém a condenação, o que já é algo, mas a sensação que fica é que esses R$ 77 milhões viram estatística e ninguém vê a cor do dinheiro de volta. A Laura levantou um ponto interessante sobre a estrutura do Iges-DF, mas no fim das contas, a briga política entre os poderes só empurra a responsabilização real pra frente. Enquanto isso, o contribuinte comum, como o José dos Santos lembrou, continua arcando com o prejuízo no dia a dia.

José dos Santos

04/05/2026

Laura, você mandou bem demais na análise, mas o negócio é que a gente cansa de ver esses rombos e no fim do mês quem paga o pato é o povo. Enquanto eles brincam com 77 milhões, eu tô aqui contando troco pra completar a gasolina. Se pelo menos desse pra confiar que um dia vão devolver esse dinheiro…

Padre Antônio Rocha

04/05/2026

R$ 77 milhões desviados e ninguém vai preso. Isso é fruto de uma gestão que virou as costas para a moral e para Deus. Enquanto não houver temor a Deus e respeito ao dinheiro do contribuinte, esses escândalos vão se repetir. Cadê a punição exemplar?

Sgt Bruno 🇧🇷

04/05/2026

Selva! Mais 77 milhões pro ralo e ninguém vai pro xadrez. Esse Iges-DF é igual melancia, verde de dinheiro público por fora e vermelho de prejuízo por dentro. Cadê a caneta do capitão pra limpar essa poucaria?

    Laura Silva

    04/05/2026

    Sgt Bruno, sua indignação é compreensível e sua metáfora da melancia tem uma precisão quase cirúrgica para descrever a fachada verde de eficiência que esconde o vermelho do prejuízo. Mas permita-me puxar um fio que seus colegas aqui na thread ainda não puxaram: a “caneta do capitão” que você evoca nunca será usada para limpar essa poucaria justamente porque o Iges-DF não é um desvio, é a realização do projeto. A terceirização da gestão hospitalar para organizações sociais como o Iges-DF foi a resposta do Estado brasileiro à falência programada do serviço público: em vez de fortalecer o SUS com concurso e carreira de Estado, criou-se uma máquina de transferência de fundo público para entes privados com a desculpa da “agilidade gerencial”. O resultado é esse: 77 milhões evaporados e ninguém no xadrez, porque o modelo foi desenhado para produzir exatamente esse tipo de impunidade contábil.

    O problema não é de caneta, é de arquitetura institucional. O TCU multa, mas nunca criminaliza, porque criminalizar a gestão privada do fundo público desmontaria o próprio modelo que transfere recursos da saúde para entes de mercado. Cada real desviado nessa engenharia financeira é um real que deixa de ir para o salário do técnico de enfermagem, para a compra de insumos ou para a manutenção de leitos. Enquanto a esquerda e a direita disputarem a narrativa da “caneta” — seja a do capitão, seja a de qualquer outro —, a burguesia gestora continuará sentada no conselho dessas OSs, rindo a caminho do banco. A solução não é trocar de caneta, é quebrar a caneta: estatizar de vez a gestão hospitalar, com controle social efetivo e transparência radical. Enquanto tratarmos o Iges-DF como um “cabide de emprego” em vez de enxergá-lo como o que ele é — um mecanismo de acumulação privada sobre o fundo público —, vamos continuar vendo 77 milhões sumirem e o trabalhador pagando a conta.

Luciana Santos

04/05/2026

Ana, 77 milhões sumidos e ninguém vai ver a cor desse dinheiro mesmo. Enquanto isso, a gente aqui pagando passagem cara e vendo o SUS capenga. Cadê a responsabilização de verdade?

Ana Rodrigues

04/05/2026

77 milhões é dinheiro pra caramba, hein? Enquanto isso a gente aqui ralando pra pagar gasolina e pedágio, e esses caras brincando com verba pública. O pior é que ninguém vai ver a cor desse dinheiro de volta.

Karina Libertária

04/05/2026

77 milhões e ninguém vai preso, como sempre. Enquanto isso o trabalhador que paga imposto direitinho é tratado como otário. Esse Iges-DF é mais um cabide de emprego disfarçado de gestão privada, e o TCU só faz o papel de palhaço dando multinha simbólica. Lá fora isso daria processo criminal de verdade, mas aqui no Brasil o que importa é o “jeitinho”.

    Mateus Silva

    04/05/2026

    Karina, você toca num ponto central: a impunidade seletiva não é um desvio, é uma função do Estado burguês. O TCU multa, mas nunca criminaliza, porque criminalizar a gestão privada do fundo público desmontaria o próprio modelo que transfere recursos da saúde para entes de mercado. O jeitinho não é cultural, é estrutural.

Luizinho 16

04/05/2026

77 milhões e o povo morrendo na fila do SUS, mas o TCU só faz cara feia, nunca prende ninguém de terno, piada pronta

Marta

04/05/2026

Minha gente, vamos com calma que a história é mais profunda do que parece. O Iges-DF foi criado como uma “solução” de gestão privada para o SUS, um modelo que o pessoal do mercado adora: terceirizar a saúde pública para entidades que supostamente seriam mais eficientes. Só que, na prática, o que vemos é a repetição do velho conto do vigário: contratam-se parentes de políticos, fazem-se nomeações sem concurso, e quando o TCU aperta, vêm com recurso em cima de recurso. Setenta e sete milhões não é troco de pão, é dinheiro que daria para reformar UBS inteiras, comprar equipamentos, pagar plantão digno para enfermeiros. E os meninos mal-educados do mercado ainda têm a cara de pau de dizer que “iniciativa privada resolve”. Resolve para quem, João? Para o bolso deles, só.

Letícia, você tocou num ponto crucial: o sistema está desenhado para que ninguém vá preso. Não é incompetência, é projeto. O Iges-DF é um caso clássico de como a burguesia usa o Estado como balcão de negócios. Criam-se institutos, fundações, organizações sociais, tudo para escapar do controle direto e das regras do serviço público. Aí, quando o dinheiro some, a culpa é da “burocracia” ou da “ineficiência estatal”. Não, meus caros, a culpa é de quem transforma saúde pública em lucro privado. O TCU fez o dever de casa ao rejeitar o recurso, mas isso é só o começo. Cadê o Ministério Público? Cadê a Polícia Federal? Ou vamos esperar prescrever para arquivar?

E olha, Diego e João, eu entendo a revolta de vocês. Realmente, é de enlouquecer ver 77 milhões evaporarem enquanto o trabalhador pega ônibus lotado às 5h da manhã. Mas cuidado com esse discurso de “cidadão de bem” e “bandido tem que ir pro xadrez sem direito”. O problema não é punitivismo seletivo, é que o sistema penal brasileiro sempre foi desenhado para prender o pobre que rouba um frango e soltar o rico que desvia milhões. A solução não é “prender todo mundo”, é mudar a lógica: controle social efetivo, transparência real, e fim dessa farra de terceirização que entrega o dinheiro do povo para aventureiros. Enquanto isso, continuemos cobrando, porque o amor ao povo exige vigilância constante.

Cecília Ramos

04/05/2026

77 milhões que fariam tanta diferença nos hospitais públicos, nas filas do SUS, e foram parar em contratação suspeita. Como cristã, acredito que Deus nos chama a cuidar do povo e isso exige transparência e justiça social, não desvio de recursos. Que essa condenação do TCU seja o começo de uma fiscalização mais rigorosa, mas também que a gente cobre políticas públicas que fortaleçam o SUS de verdade.

Letícia Fernandes

04/05/2026

Diego, a indignação é legítima e necessária, mas precisamos ir além do “ninguém vai preso” e perguntar por que o sistema está desenhado para que ninguém vá preso. O Iges-DF é um caso exemplar daquilo que chamo de superestrutura jurídico-administrativa da burguesia: uma organização que se traveste de “gestão estratégica” para sugar recursos do fundo público enquanto opera com a lógica predatória do capital privado. Setenta e sete milhões e seiscentos mil reais não é um mero desvio contábil; é a materialização de uma racionalidade que transforma a saúde da população em mercadoria e o erário em pasto para a acumulação.

O TCU, ao rejeitar o recurso, faz o mínimo — e já é quase um milagre nesse Brasil onde o controle social é sistematicamente esvaziado. Mas a verdadeira questão é estrutural: enquanto a gestão da coisa pública for delegada a institutos que operam sob a lógica da flexibilização trabalhista e da terceirização, o que estamos vendo não é um “erro”, e sim a operação normal do capitalismo dependente brasileiro. A contratação suspeita de pessoal não é uma exceção; é a regra em um Estado que se desresponsabiliza e entrega a administração de serviços essenciais a entidades que funcionam como quase-empresas, sem a transparência das estatais e sem a fiscalização rigorosa que a coisa pública exige.

João e Tiago, a discussão sobre punitivismo é importante, mas ela não pode nos distrair do fato de que a impunidade dos “bandidos de terno” é funcional ao sistema. Se prendêssemos todos os gestores que cometem esses “prejuízos”, o capitalismo brasileiro entraria em colapso, porque ele se alimenta exatamente dessa zona cinzenta entre o público e o privado. Não se trata de defender a impunidade, mas de entender que a prisão seletiva é a válvula de escape de um sistema que precisa de alguns bodes expiatórios para continuar operando. O que realmente incomoda a elite não é o roubo, é o roubo ser descoberto e, mesmo assim, não gerar consequências.

O que me causa uma pena patológica é ver a esquerda e os movimentos sociais ainda acreditarem que a solução virá de dentro dessas instituições. O TCU é um órgão de controle burguês, que age como bombeiro apagando incêndios que o próprio capitalismo acende. Enquanto não enfrentarmos a raiz — a propriedade privada dos meios de produção e a transformação da saúde em negócio —, esses 77 milhões serão apenas a ponta do iceberg de um sistema que, por definição, produz crise, desperdício e morte. A luta não é para que o TCU seja mais rigoroso; é para que a saúde seja pública, estatal e gerida pelos trabalhadores, sem intermediários que lucram com a nossa dor.

João Santos

04/05/2026

77 milhões de reais desviado e ninguém vai preso, é brincadeira né. Enquanto isso o cidadão de bem acorda 5h da manhã pra trabalhar e ainda paga imposto pra sustentar essa farra. Bandido de terno e gravata é pior que ladrão de galinha, tinha que ir tudo pro xadrez sem direito a saidinha.

    Tiago Mendes

    04/05/2026

    João, concordo que a impunidade é um absurdo, mas precisamos tomar cuidado com esse discurso de “cidadão de bem” que muitas vezes é usado pra justificar punitivismo seletivo contra quem furta um frango enquanto os de terno continuam soltos. A justiça tem que ser igual pra todo mundo, e a Bíblia mesmo nos adverte contra julgar uns com medida diferente.

Diego Fernández

04/05/2026

77 milhões que sumiram em contratação suspeita e ninguém vai preso, como sempre. Enquanto isso, o povo morre na fila do SUS e os gestores brincam de empresa privada com dinheiro público. Se fosse na Argentina, o povo já estaria na rua.

Carmem Souza

04/05/2026

Sandra, você foi cirúrgica. Sou evangélica e também acredito que prestação de contas é princípio bíblico – “não se mete a foice na seara alheia” sem responsabilidade. Que o TCU continue firme, mas que a mesma régua meça todos, sem exceção.

Sandra Martins

04/05/2026

Samara, você tocou num ponto sensível. Sou crente e vou à igreja, mas não fecho os olhos: quando vejo dinheiro público sumindo, seja em contratação suspeita ou em qualquer outro lugar, o nome de Deus não pode ser usado de escudo. O TCU fez o dever de casa, agora é torcer pra que a justiça não pare por aqui.

Samara Oliveira

04/05/2026

R$ 77 milhões que poderiam estar cuidando da saúde do povo, garantindo leitos, remédios e salários dignos para os profissionais. O TCU acertou, mas me pergunto: cadê a mesma rigidez quando o dinheiro público é desviado por grandes empreiteiras ou igrejas? Enquanto isso, o povo sofre na fila do SUS e a fé nos gestores públicos vai se perdendo. Que Deus tenha misericórdia desse Brasil.

Paulo Rocha

04/05/2026

77 milhões é só mais um capítulo dessa farra com dinheiro suado do contribuinte. Enquanto isso, o povão paga imposto até pra respirar e esses gestores públicos continuam nadando em dinheiro. Brasil pra brasileiro de bem, não pra essa corja que trata o erário como conta pessoal. Vai pra Cuba, seus vermelhos.

    Maura Santos

    04/05/2026

    Paulo, falar em “farra com dinheiro público” e esquecer que foi a gestão do seu querido Iges-DF que deixou um rombo desse tamanho é dose, viu. Enquanto isso, o povo de bem continua pegando busão lotado porque a extrema-direita cortou verba de mobilidade e ainda vem dar lição de moral.

Ana Souza

04/05/2026

O TCU fez o que se espera dele: manteve a condenação com base em provas técnicas. O problema é que 77 milhões de reais desviados em contratações mal feitas viram nota de rodapé no noticiário, enquanto a briga política ocupa manchete. O Iges-DF que apresente as provas que tem, se é que tem.

Francisco de Assis

04/05/2026

Celio Fazendeiro, você acha que 77 milhões é troco de pinga? Pois saiba que isso dava pra comprar muito arroz pro povo que passa fome enquanto o agro recebe isenção fiscal bilionária. O TCU acertou em manter essa condenação, mas cadê a mesma sede de investigar os desvios do governo passado que quebrou o país? Enquanto isso, o povo continua esperando saúde pública de verdade.

Celio Fazendeiro

04/05/2026

77 milhões? Isso é troco de pinga perto do que essa corja de petralhas e ONGs desviam todo mês. Enquanto isso, o agro segura a economia e ainda tem que sustentar essa farra de índio que não produz nada. TCU fazendo o básico, mas cadê o mesmo rigor pra prender esses vagabundos do MST?

    João Silva

    04/05/2026

    Célio, seu discurso repete o velho truque de desviar o foco: em vez de discutir o caso concreto do Iges-DF, você parte pra generalização xenófoba contra indígenas e trabalhadores rurais. O agro de fato sustenta parte da economia, mas com privilégios fiscais bilionários que ninguém audita com o mesmo rigor que aplicam contra o MST.

Cristina Rocha

04/05/2026

Cara Mariana, você trouxe um ponto essencial ao tensionar essa narrativa rasa de que a solução para a má gestão pública é simplesmente trocar os gestores civis por militares. Essa visão, além de autoritária, ignora a complexidade do problema. O que o caso do Iges-DF revela não é uma falha de “apadrinhados políticos” versus “militares competentes”, mas sim a lógica perversa do gerencialismo aplicado à saúde pública. O Iges-DF é uma organização social, um modelo que terceiriza a gestão para entes privados ou paraestatais, criando zonas cinzentas de fiscalização. O prejuízo de R$ 77,6 milhões não é um acidente, é a consequência previsível de um sistema que prioriza contratos e metas quantitativas em detrimento do cuidado humano e da transparência. É a financeirização da saúde, onde o lucro e a eficiência contábil se sobrepõem ao direito constitucional.

O Sargento Bruno, com sua indignação seletiva, e a Marina, com a ironia certeira sobre o custo da ruptura democrática, mostram como o debate público é capturado por polarizações que escondem o essencial. Enquanto uns pedem a volta da tutela militar, outros apontam o óbvio sobre o que fizeram com o país em 2016 e 2018. Mas ninguém está perguntando: por que o TCU, que é um órgão técnico, mas profundamente conservador e alinhado aos interesses do capital, só age depois que o rombo está consumado? Onde estavam os mecanismos de controle social, os conselhos de saúde, as auditorias cidadãs? A resposta é que eles foram sistematicamente desmontados ou esvaziados de poder. O TCU atua como um bombeiro que chega depois do incêndio, e ainda assim, raramente pune os verdadeiros responsáveis com o rigor que a lei exige.

Eu, como professora de filosofia, vejo nesse episódio um caso clássico do que Hannah Arendt chamaria de “banalidade do mal” burocrática. Não se trata apenas de corrupção no sentido vulgar de propina, mas de uma gestão que opera dentro da normalidade institucional, seguindo procedimentos e leis, mas que produz um resultado desastroso para a população. O erro nas contratações de pessoal apontado pelo tribunal é a ponta do iceberg de um modelo que trata o trabalhador da saúde como número, como custo, e não como sujeito de direitos. É a precarização do trabalho travestida de “modernização administrativa”. E enquanto a esquerda não fizer uma crítica radical a esse modelo de gestão, e não apenas à corrupção individual, estaremos sempre apagando incêndios.

Por fim, acho curioso como o Sargento Bruno e a Marina, em campos opostos, convergem em um ponto: ambos reduzem a questão a uma disputa entre facções (militares versus políticos corruptos, ou militares golpistas versus democratas). Isso é um empobrecimento do debate. O que está em jogo é a própria natureza do Estado brasileiro, um Estado que, desde a redemocratização, foi capturado pelo neoliberalismo. A terceirização da saúde para o Iges-DF é filha desse mesmo espírito que privatizou a Vale, a Embraer e quer desmontar o SUS. Enquanto não enfrentarmos essa estrutura, o TCU vai continuar condenando, os políticos vão continuar fazendo discursos, e o povo vai continuar morrendo na fila do atendimento. O problema não é de gestão, é de projeto de país.

Sargento Bruno

04/05/2026

Mais 77 milhões de reais do contribuinte jogados no lixo por essa turma. Cadê a punição exemplar? Isso é que dá entregar a gestão da saúde para apadrinhados políticos enquanto os militares são enxotados.

    Mariana Alves

    04/05/2026

    Sargento Bruno, sua indignação com o desvio de dinheiro público é legítima e compartilho da preocupação com a impunidade que ronda esses casos. No entanto, preciso questionar a premissa de que a solução seria “entregar a gestão da saúde aos militares”. Essa visão carrega um equívoco grave: trata a administração pública como um campo de disputa entre facções, quando o problema é estrutural e anterior a qualquer grupo específico. O Iges-DF é, de fato, um caso exemplar de como a terceirização da saúde para organizações sociais sem controle social efetivo gera esses rombos. Mas a história recente nos mostra que a gestão militar, quando testada em áreas como a intervenção no Rio de Janeiro, também produziu mortes, gastos sem transparência e nenhuma punição exemplar para os comandantes. O problema não é “apadrinhado político” versus “militar enxotado”; é a lógica neoliberal de transformar direitos em mercadorias, gerindo com cifras ao invés de necessidades humanas.

    O que me preocupa no seu comentário é a naturalização de que a solução para a corrupção civil é a tutela militar. Isso é um sintoma do que a socióloga Ludmila Costhek Abílio chama de “uberização do Estado”: a crença de que gestores privados ou corporações uniformizadas são mais eficientes que o serviço público de carreira. Ora, o TCU condenou o Iges-DF justamente por práticas que lembram o que vimos na gestão de hospitais militares durante a pandemia: compras superfaturadas, falta de transparência e ausência de controle democrático. A punição exemplar que o senhor clama não virá da substituição de um grupo por outro, mas do fortalecimento dos mecanismos de controle social, como os conselhos de saúde, e da auditoria cidadã da dívida pública. Enquanto tratarmos a gestão pública como espólio de grupos, sejam eles políticos ou fardados, o contribuinte continuará pagando a conta.

    Por fim, sugiro refletirmos sobre como esse discurso de “enxotar” uns para “entregar” a outros reproduz a mesma lógica clientelista que denunciamos. A saúde não é um campo de batalha entre corporações; é um direito constitucional que exige servidores concursados, gestão transparente e participação popular. O militarismo como solução para a corrupção é um atalho autoritário que já se mostrou ineficaz no Chile, na Argentina e no Brasil da ditadura. O que precisamos é de punição para todos os gestores, civis ou militares, que desviam recursos, e não de trocar a cor da farda de quem administra o caos.

    Marina Silva

    04/05/2026

    Sargento, a única coisa que os militares enxotaram até agora foi a democracia, e olha que isso custou bem mais caro que 77 milhões.


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