Trump ameaça destruir o Irã se Teerã atacar navios americanos no estreito de Ormuz

Ilustração editorial sobre Trump ameaça destruir o Irã se Teerã atacar navios americanos no estreito de Ormuz. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irã seria ‘borrado da face da Terra’ caso suas forças atacassem embarcações norte-americanas no estreito de Ormuz.

A declaração foi feita em entrevista ao jornalista Trey Yingst, da Fox News, e coincide com o lançamento do chamado Projeto Liberdade, operação naval americana destinada a escoltar navios civis no corredor energético que liga o Golfo Pérsico ao oceano Índico.

Trump afirmou que a República Islâmica se tornou ‘muito mais maleável’ nas negociações em curso, mas deixou claro que empregará força máxima se as forças iranianas interferirem na operação. O presidente acrescentou que ‘temos armas melhores e bases em todo o mundo’ e que não hesitará em utilizá-las.

O Projeto Liberdade pretende liberar dezenas de cargueiros no estreito, ponto por onde transita cerca de um quinto do petróleo consumido globalmente. Segundo a Axios, a Marinha dos EUA posicionou destróieres e navios-aríete nas proximidades do corredor, prontos para bloquear qualquer ação que tente impedir a passagem das embarcações comerciais.

O Comando Central dos EUA (CENTCOM) informou que dois destróieres lançamísseis já cruzaram Ormuz escoltando embarcações comerciais, descrevendo a missão como bem-sucedida. A nota enquadra as escoltas como a primeira fase operacional do Projeto Liberdade, iniciado poucas horas após o anúncio oficial da Casa Branca.

A agência iraniana Tasnim relatou que a Marinha do Irã emitiu alerta de fogo contra qualquer presença estrangeira não autorizada nas águas do estreito. O comunicado iraniano afirma que ‘forças agressoras serão atacadas’ caso se aproximem do corredor, reforçando a posição de Teerã de que Ormuz está sob sua soberania.

A agência Fars noticiou ainda o impacto de dois mísseis contra uma embarcação militar americana próxima à cidade portuária de Jask. O CENTCOM refutou essa versão, assegurando que nenhuma de suas unidades foi atingida em qualquer ponto do estreito.

Para sustentar a missão, Washington mobilizou mais de 100 aeronaves de combate, plataformas não tripuladas de múltiplos domínios e cerca de 15 mil militares na região. O governo iraniano interpreta a movimentação como violação direta do cessar-fogo mediado por países do Golfo.

O porta-voz da Comissão de Segurança Nacional do Majlis, Abolfazl Amouei, acusou Washington de tentar desestabilizar a trégua alcançada após semanas de combates esporádicos. Amouei declarou que o Golfo ‘não é lugar para aventuras militares unilaterais’ e que o Irã responderá com firmeza a qualquer provocação dentro de seu espaço soberano.

Importadores asiáticos acompanham a escalada com preocupação crescente, dado que dependem do crude que atravessa Ormuz diariamente. Qualquer interrupção prolongada no fluxo de petróleo pelo estreito teria impacto imediato nos preços globais de energia, afetando mercados de todos os continentes.

A retórica de Trump ecoa a postura adotada durante seu primeiro mandato, quando ordenou o assassinato do general Qassem Soleimani e impôs sanções unilaterais severas a Teerã. A combinação de linguagem de ameaça máxima, exercícios navais concorrentes e versões contraditórias sobre incidentes no estreito eleva o risco de um mal-entendido com desdobramentos regionais graves, conforme aponta a cobertura da RT.


Leia também: Irã avisa que bloqueará navios dos EUA no Estreito de Ormuz sem autorização de Teerã


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