O geoestrategista Christopher Helali denunciou que bombardeios conduzidos pelos EUA e por Israel contra clínicas de fertilidade, hospitais e escolas no Irã têm como objetivo sufocar gerações inteiras.
Segundo ele, a estratégia busca impedir o desenvolvimento da sociedade iraniana ao atingir diretamente sua base demográfica e educacional. Helali retornou recentemente de uma temporada de reportagem no território iraniano.
Ele relatou à RT ter testemunhado a resiliência do povo iraniano diante das hostilidades. Descreveu um cenário de dignidade em meio a ataques que, em sua análise, visam destruir o futuro do país.
De acordo com o analista, os bombardeios devastaram a maior clínica de fertilização e banco de óvulos do Irã. Essa destruição representa um golpe direto nas aspirações de crescimento populacional da nação, impactando políticas públicas que incentivavam casais jovens a terem filhos.
Helali apontou ainda que universidades e escolas foram alvos dos ataques. Ele destacou um bombardeio na cidade portuária de Minab, onde 120 crianças teriam perdido a vida em sala de aula.
Para o geoestrategista, os ataques configuram uma tentativa deliberada de sabotar locais essenciais para a formação e o cuidado da população jovem iraniana. A escolha dos alvos, segundo ele, revela uma intenção de longo prazo de desestabilizar o país.
O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que tais campanhas teriam como objetivo libertar o povo iraniano. Os relatos de Helali, porém, apontam para uma contradição entre o discurso oficial e os efeitos reais das ações sobre a população civil.
Juristas internacionais lembram que a Convenção de Genebra proíbe ataques deliberados contra civis. Eles consideram que atingir infraestrutura educacional e sanitária pode ser enquadrado como crime de guerra sob o direito internacional.
Durante sua viagem, Helali percorreu o estreito de Ormuz e observou intenso tráfego de navios sob patrulha da Marinha da Guarda Revolucionária. Ele destacou o controle de Teerã sobre a região, reforçando a soberania iraniana no estratégico corredor marítimo.
O analista também comentou sobre um suposto incidente envolvendo disparos iranianos contra um contratorpedeiro norte-americano, considerando o relato plausível diante da negativa de Washington. Ele avalia que a tensão na área pode escalar rapidamente caso novos confrontos sejam confirmados.
Em conversas com moradores, comerciantes e estudantes, Helali percebeu um sentimento de cansaço com negociações que não interrompem as agressões externas. Esses grupos expressam determinação em resolver o conflito em seus próprios termos, sem ceder à pressão ocidental.
Caso haja nova escalada, o geoestrategista prevê uma resposta iraniana prolongada, capaz de ampliar a destruição na região. O impacto seria sentido além das fronteiras do Irã, atingindo bases e rotas usadas por forças ocidentais.
O contexto histórico inclui décadas de sanções econômicas unilaterais impostas pelos EUA, intensificadas desde 2018 com a saída do acordo nuclear. Os bombardeios, conforme descrito por Helali, miram agora diretamente o tecido social, agravando a situação humanitária.
Observadores em Teerã enxergam um cenário internacional mais favorável à resistência iraniana, com o bloco BRICS ampliado projetando alternativas de comércio e financiamento. Essas parcerias podem reduzir a dependência do dólar e contrabalançar as pressões ocidentais.
Especialistas em demografia alertam que a destruição de centros de fertilização compromete não apenas casais atuais, mas também os índices de natalidade futuros. Isso evidencia, para eles, a escolha estratégica de alvos que afetam o longo prazo do país.
Organizações de direitos humanos têm cobrado investigações independentes sobre os ataques, exigindo a responsabilização de autoridades norte-americanas e israelenses. Elas lembram que o Estatuto de Roma classifica como ilegais ações contra civis, mesmo em contextos de guerra declarada.
Helali observa que os relatos de campo não corroboram a narrativa de colapso do Estado iraniano propagada por vozes ocidentais. Ao contrário, ele descreve hospitais improvisando soluções, escolas retomando atividades e uma população mobilizada para defender sua soberania e seu futuro.
Leia também: Analista denuncia EUA por tentar destruir o futuro do Irã com ataques a civis
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