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Cientista suíço publica descoberta de novo tipo de magnetismo com potencial para transformar a eletrônica

3 Comentários🗣️🔥 Ilustração editorial sobre Cientista suíço publica descoberta de novo tipo de magnetismo com potencial para transformar a eletrônica. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro) Um grupo de pesquisadores liderado por um cientista suíço publicou na revista Nature a confirmação experimental de um novo tipo de magnetismo batizado de altermagnetismo. A descoberta, resultado de anos […]

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Ilustração editorial sobre Cientista suíço publica descoberta de novo tipo de magnetismo com potencial para transformar a eletrônica. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

Um grupo de pesquisadores liderado por um cientista suíço publicou na revista Nature a confirmação experimental de um novo tipo de magnetismo batizado de altermagnetismo.

A descoberta, resultado de anos de pesquisa intensa na Europa com o uso de aceleradores de partículas e equipamentos de alta precisão, abre um campo inédito da física fundamental. O fenômeno pode redefinir o desenvolvimento de dispositivos eletrônicos nas próximas gerações.

O altermagnetismo se distingue das duas categorias magnéticas clássicas — o ferromagnetismo e o antiferromagnetismo — por uma estrutura cristalina singular. Essa estrutura permite manipular o movimento dos elétrons com eficiência muito superior às tecnologias atuais.

A propriedade possibilita o controle do fluxo de dados em velocidades altíssimas e com baixíssima dissipação térmica. Os cientistas apontam essas características como promissoras para a criação de chips mais rápidos e com menor consumo energético.

A equipe utilizou aceleradores de partículas para observar o comportamento dos elétrons em materiais específicos e mapear as propriedades exclusivas do fenômeno. O resultado foi a identificação de padrões de spin — a propriedade quântica dos elétrons — que não se encaixam em nenhuma das categorias magnéticas conhecidas até então.

Essa distinção, segundo os autores do estudo, é o que torna o altermagnetismo uma categoria genuinamente nova dentro da física da matéria condensada. A publicação na Nature representa o primeiro passo formal para que outros laboratórios ao redor do mundo possam replicar e expandir os experimentos.

As implicações práticas mais imediatas dizem respeito à memória de computadores, que poderia ser reformulada para operar de maneira mais eficiente e econômica. A expectativa da equipe é que a indústria comece a testar protótipos de chips baseados no altermagnetismo ao longo da próxima década, conforme detalhado pelo Olhar Digital.

Os cientistas também indicam que a tecnologia pode beneficiar sistemas de inteligência artificial, ampliando a capacidade de armazenamento e processamento de dados. O campo da computação quântica figura igualmente entre os horizontes apontados como potencialmente beneficiados.

A combinação de alta velocidade de processamento com baixa geração de calor é justamente o gargalo que limita a escalabilidade dos sistemas quânticos atuais. Os pesquisadores acreditam que as propriedades do novo fenômeno magnético podem contribuir para superar essa barreira.


Leia também: Cientistas criam matéria inédita com campos magnéticos para estabilizar qubits


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Carlos Mendes

05/05/2026

Mais um avanço científico legítimo vindo da iniciativa privada e de centros de pesquisa sérios, enquanto aqui no Brasil o governo trata inovação como cabide de emprego e estatal ineficiente. O altermagnetismo pode revolucionar a eletrônica, mas duvido que nossos gestores públicos entendam o potencial de uma descoberta dessas sem um “escritório de projetos” e verba de emenda parlamentar no meio.

    Paulo Ribeiro

    05/05/2026

    Caro Carlos, seu comentário carrega uma visão bastante difundida, mas que merece um exame mais cuidadoso à luz da história da ciência e da tecnologia. Você atribui o mérito dessa descoberta a “centros de pesquisa sérios” da iniciativa privada, contrapondo-os a um suposto Estado brasileiro ineficiente. Ora, é preciso lembrar que a pesquisa fundamental que viabiliza avanços como o altermagnetismo — na física do estado sólido, na mecânica quântica — foi historicamente financiada por fundos públicos em universidades e institutos de pesquisa ao redor do mundo, inclusive na Suíça, que possui um dos sistemas públicos de fomento à ciência mais robustos do planeta. O CERN, por exemplo, é um consórcio público. O próprio ETH Zurique, de onde provavelmente saiu esse estudo, é uma universidade pública federal. A narrativa de que a inovação brota espontaneamente do setor privado, sem o solo fértil preparado pelo investimento público em educação e pesquisa básica, é um mito liberal que o próprio Schumpeter, se lesse Gramsci, reconheceria como ideologia.

    Em segundo lugar, sua crítica ao “cabide de emprego” nas estatais ignora o papel histórico do Estado brasileiro na construção de capacitação tecnológica. A Embrapa transformou o Cerrado em terra produtiva, a Petrobras desenvolveu tecnologia de exploração em águas profundas que o mundo inteiro admira, e o ITA formou gerações de engenheiros que hoje estão na vanguarda de empresas privadas. O problema não é a existência de estatais ou de gestão pública, mas o subfinanciamento crônico e a descontinuidade de políticas científicas, agravados por governos que veem a ciência como despesa e não como investimento estratégico. Enquanto países como a Coreia do Sul e a China planejam décadas de desenvolvimento científico com forte presença estatal, aqui cortamos verbas do CNPq e da Capes.

    Por fim, seu ceticismo sobre a capacidade dos gestores públicos brasileiros de entender o potencial do altermagnetismo é, no mínimo, injusto com dezenas de cientistas e técnicos competentes que atuam no Ministério da Ciência e Tecnologia, na Finep e nas fundações estaduais de amparo à pesquisa. O que falta não é inteligência ou visão, mas vontade política e, sobretudo, recursos. Se o senhor quer uma revolução eletrônica baseada nessa descoberta, o caminho não é demonizar o Estado, mas exigir que ele volte a cumprir seu papel indutor do desenvolvimento, como fez em momentos decisivos da nossa história. A ciência não se faz no vácuo do mercado, mas sim no tensionamento dialético entre o público e o privado, e qualquer análise que ignore essa interdependência é, para usar um termo caro a Althusser, puro voluntarismo ideológico.

    João Carlos da Silva

    05/05/2026

    Caro Carlos, sua crítica à gestão pública tem fundamento em casos reais de ineficiência, mas ela ignora que a própria história da ciência mostra descobertas fundamentais saindo de universidades públicas — o altermagnetismo, aliás, foi previsto teoricamente por pesquisadores acadêmicos antes de qualquer aplicação privada. O problema não é a origem do recurso, mas a ausência de um projeto de Estado que articule universidade, empresa e política industrial, algo que países como a Suíça fazem há décadas.


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