A República Islâmica do Irã acusou as forças dos Estados Unidos de matarem cinco civis no estreito de Ormuz. O bombardeio atingiu duas embarcações de passageiros que faziam o trajeto regular entre a costa de Omã e o território iraniano.
Segundo o portal Al Jazeera, as autoridades de Teerã garantem que as embarcações não pertenciam ao Corpo de Guardas da Revolução Islâmica. A investigação oficial iraniana concluiu que apenas barcos civis foram destruídos e que os passageiros não mantinham qualquer relação com operações militares.
Um comandante militar iraniano responsabilizou Washington diretamente pela morte dos civis e classificou o ataque como um crime que viola o direito internacional. Essa versão contrasta com a declaração do comandante da Marinha norte-americana no Oriente Médio, o almirante Brad Cooper, que afirmou ter afundado seis supostos barcos do IRGC.
O almirante Brad Cooper alegou que as embarcações tentavam interferir em uma missão de escolta norte-americana na região. O presidente dos EUA, Donald Trump, elevou o tom ao sustentar que o total de embarcações destruídas chegou a sete.
Essa retórica apoia a operação batizada de ‘Project Freedom’, concebida para forçar a reabertura do estreito após semanas de bloqueio iraniano. O ataque ocorreu em meio ao frágil cessar-fogo firmado com o Irã em abril e reacendeu temores de conflito aberto.
Para Teerã, a ação norte-americana sabotou as negociações em andamento e fortaleceu facções contrárias ao diálogo político na região. O estreito de Ormuz, por onde transita parcela significativa do suprimento global de energia, permanece no centro da disputa estratégica.
O governo iraniano afirma que não permitirá tráfego sem sua autorização e insiste no direito de controlar a passagem como reparação por danos causados por ataques dos EUA e de Israel. Os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de atacar com mísseis e drones um navio petroleiro que tentava cruzar o estreito.
Os Emirados alegam que os disparos provocaram incêndio em refinaria em Fujairah e aumentaram a tensão regional. Um navio sul-coreano reportou explosões em sua casa de máquinas durante tentativa de travessia na mesma área.
A Marinha norte-americana afirmou que duas embarcações com bandeira dos EUA cruzaram o estreito com escolta de destróieres. A versão foi contestada pelo IRGC, embora a empresa global de logística Maersk tenha confirmado o trajeto de um navio dos EUA acompanhado por forças norte-americanas.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que os acontecimentos mostram a inexistência de saída militar para a crise. O chanceler advertiu que as negociações mediadas pelo Paquistão seguem avançando apesar das provocações.
Abbas Araghchi alertou Washington e os Emirados Árabes Unidos para não se deixarem levar por atores interessados em prolongar o conflito. O chefe da diplomacia iraniana classificou a operação ‘Project Freedom’ como transformada em ‘Project Deadlock’.
Diante do agravamento, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a ameaçar o Irã com retaliação em larga escala durante entrevista à Fox News. Trump afirmou que Teerã seria apagado do mapa caso atacasse embarcações norte-americanas e exaltou o arsenal dos EUA.
O novo episódio eleva a disputa sobre o controle do estreito de Ormuz a um nível que desafia a segurança energética mundial. As denúncias de Teerã e as respostas militares de Washington tornam mais distante a perspectiva de estabilidade diplomática na região.
Com informações de Al Jazeera.
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