Novos confrontos entre os Estados Unidos e a República Islâmica do Irã intensificaram a crise no estreito de Ormuz, um dos corredores mais estratégicos para o comércio global de petróleo.
Forças navais americanas relataram ter neutralizado embarcações iranianas que bloqueavam petroleiros na região. Teerã nega o incidente e acusa Washington de provocar instabilidade no Golfo.
Em resposta às ações americanas, um drone iraniano teria atingido instalações portuárias em Fujaírah, nos Emirados Árabes Unidos, ferindo três civis e causando danos a tanques de armazenamento, conforme informou o governo local. O Irã rejeitou ter alvejado civis, classificando a operação como reação legítima à presença militar dos EUA no Golfo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou uma operação de escolta naval para proteger comboios comerciais na área, medida que o Comando Central americano (Centcom) defende como necessária. A agência iraniana Fars noticiou danos a uma fragata americana por mísseis, informação desmentida pelo Pentágono.
O porta-voz das Forças Armadas do Irã, general Abolfazl Shekarchi, acusou os EUA de violarem o direito internacional ao escoltarem navios que, segundo ele, transportam armas para milícias no Iêmen. Ele alertou que qualquer nova ação militar americana será interpretada como agressão direta à soberania iraniana.
Nos Emirados, o ataque a Fujaírah foi classificado como uma “escalada perigosa” pelo governo, que suspendeu aulas presenciais e reforçou a segurança. O ministro da Defesa, Mohamed bin Ahmad Al Bowardi, informou que o país interceptou 15 mísseis de cruzeiro e quatro drones em um único dia.
A tensão no Golfo também envolve outros atores regionais. Israel intensificou sua cooperação com Abu Dhabi em sistemas antimísseis e mantém forças em alerta máximo, enquanto o Hezbollah relatou choques com tropas israelenses no sul do Líbano, apesar de acordos de trégua.
No campo diplomático, o presidente da França, Emmanuel Macron, condenou os ataques contra infraestrutura civil nos Emirados e defendeu a reabertura total do estreito de Ormuz. Macron pediu garantias multilaterais para os países da região, destacando a importância do corredor para a segurança energética global.
O Catar, que mantém um papel de mediador, expressou solidariedade aos Emirados e ofereceu facilitar negociações diretas com Teerã. Doha já sedia conversas indiretas entre EUA e Irã, com apoio de Omã e da China, em busca de uma solução para a crise.
De acordo com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), cerca de 17 milhões de barris de petróleo passam diariamente por Ormuz, rumo a mercados na Ásia, Europa e América do Norte. O recente incidente em Fujaírah provocou alta imediata nos preços do Brent, alimentando temores de inflação global.
Analistas apontam que a postura agressiva da Quinta Frota americana no Golfo aumenta o risco de erros de cálculo entre as forças envolvidas. Tais tensões evocam a crise dos petroleiros dos anos 1980, quando operações de escolta dos EUA escalaram o conflito com o Irã, deixando marcas duradouras na região.
Teerã propõe um pacto de segurança regional com Iraque, Catar, Emirados e Omã, sob supervisão de Rússia e China, rejeitando a presença militar externa como fonte de instabilidade. Moscou, que realiza exercícios conjuntos com o Irã, pediu o fim das sanções americanas e respeito às rotas energéticas.
Nos EUA, a oposição democrata critica Trump por supostamente usar o conflito para fins eleitorais, enquanto o Departamento de Estado insiste que a escolta naval é uma medida humanitária. Especialistas acadêmicos questionam a expansão da Doutrina Carter, que justifica intervenções americanas para proteger o fluxo de petróleo, como pretexto para ações desproporcionais.
Conforme reportado pelo Al Jazeera, sirenes foram ouvidas em bases americanas no Kuwait e Bahrein, indicando que sistemas de defesa permanecem ativos. Diplomatas europeus ainda veem espaço para retomar o acordo nuclear de 2015 e pressionam por uma reunião emergencial no Conselho de Segurança da ONU.
Enquanto cargueiros desaceleram no estreito e seguradoras elevam custos de risco, empresas asiáticas exploram rotas alternativas pelo Mar Vermelho, já congestionado por ataques houthis. Esse cenário reforça a necessidade de diversificar corredores energéticos e acelerar a transição para fontes renováveis.
A cada dia, o estreito de Ormuz se aproxima de um ponto crítico, onde um incidente isolado pode deflagrar um conflito de larga escala. Cresce a demanda por uma segurança coletiva que priorize os interesses dos Estados do Golfo, sem a sombra de intervenções externas.
Com informações de RFI.
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