Irã contesta EUA e afirma que barcos civis foram atacados perto do Estreito de Ormuz

Ilustração editorial sobre Irã contesta EUA e afirma que barcos civis foram atacados perto do estreito de Ormuz. (Ilustração: Cafezinho / Flux Pro)

O Irã refutou categoricamente a narrativa dos Estados Unidos sobre um suposto ataque a embarcações militares iranianas no estreito de Ormuz.

A Press TV informou que nenhuma lancha do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica foi atingida ou afundada, contrariando as alegações americanas. A versão iraniana aponta para uma operação que vitimou civis, não combatentes.

O chefe do Comando Central dos EUA, almirante Brad Cooper, declarou que forças navais norte-americanas destruíram seis pequenas embarcações iranianas na região estratégica. A afirmação foi amplamente divulgada por veículos ocidentais para sustentar a ideia de que Teerã representa uma ameaça ao tráfego marítimo internacional.

Autoridades portuárias em Bandar Abbas, no Irã, indicam que os disparos americanos atingiram duas embarcações civis. Esses barcos, estruturas de madeira usadas por comerciantes locais, transportavam mercadorias do porto de Jasab, em Omã, e sofreram danos no casco, precisando ser rebocados.

Relatos locais apontam que os marinheiros iranianos apenas prestaram socorro às embarcações atingidas, sem responder aos disparos. Isso reforça a posição de Teerã de que não houve confronto militar direto, desmentindo a versão apresentada por Cooper.

Trump anunciou uma iniciativa para escoltar navios comerciais de terceiros países na região do Golfo, alegando proteger o tráfego marítimo em meio às tensões. A medida foi criticada como pretexto para ampliar a presença militar americana em águas estratégicas.

O presidente da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, declarou que qualquer interferência dos EUA no trânsito pelo estreito de Ormuz será vista como violação de acordos internacionais. Azizi enfatizou que a região não será controlada por decisões unilaterais de Washington.

As tensões no Golfo permanecem elevadas, mesmo após uma trégua que interrompeu hostilidades diretas entre as duas nações. A ausência de um acordo político duradouro mantém o risco de novos incidentes.

Negociações mediadas por países como Catar e Iraque têm enfrentado obstáculos, especialmente devido às exigências americanas por inspeções unilaterais. A República Islâmica rejeita qualquer limitação a seu programa de defesa costeira, o que prolonga o impasse diplomático na região.

O estreito de Ormuz, com apenas 40 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, é passagem para cerca de um quinto do petróleo exportado globalmente. Qualquer interrupção prolongada nesse corredor tem impacto imediato nos preços de energia, afetando economias como Japão e Índia.

Analistas em Teerã sugerem que a narrativa dos EUA sobre o afundamento de lanchas busca justificar uma presença militar contínua no Golfo e pressionar aliados europeus a apoiar suas iniciativas. A versão iraniana, repercutida pelo portal RT, destaca a discrepância entre os relatos e questiona a legitimidade das ações americanas.

Para o governo iraniano, a prioridade é garantir a segurança de suas águas territoriais e do comércio regional, sem ceder a pressões externas. Autoridades em Teerã afirmam que buscarão respostas em fóruns multilaterais caso os EUA continuem com ações que ponham civis em risco.

A escalada de tensões coincide com esforços de blocos como o BRICS para projetar rotas comerciais alternativas e reduzir a dependência de mecanismos controlados por Washington. O desmentido do Irã reforça a necessidade de um olhar crítico sobre a militarização de rotas energéticas vitais para o mundo.

Com informações de ACTUALIDAD.


Leia também: Irã relata ataque a navio dos EUA e petróleo dispara mais de 3% com tensão em Ormuz


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