A organização ambiental norte-americana Sierra Club apresentou ao Departamento de Qualidade Ambiental da Louisiana (LDEQ) uma análise técnica que aponta falhas graves no pedido de licença de emissões da Hyundai Steel.
A empresa sul-coreana planeja construir uma usina siderúrgica em Ascension Parish, mas o relatório indica que alternativas mais limpas foram ignoradas no processo.
O documento destaca que a Hyundai Steel não considerou tecnologias elétricas nem o uso de hidrogênio verde, descumprindo o Clean Air Act dos EUA. Isso também contraria o compromisso público da companhia de produzir aço de baixo carbono.
A análise revela que a eletrificação de equipamentos poderia reduzir 39,5% das emissões de gases de efeito estufa, o equivalente a 764 mil toneladas por ano. Além disso, cortaria 33,38% dos óxidos de nitrogênio e 25,2% dos compostos orgânicos voláteis, gerando economia de US$ 2,7 milhões por mês.
O relatório contesta a justificativa da Hyundai de que o hidrogênio verde seria inviável para o projeto. A própria empresa havia destacado essa tecnologia como central quando anunciou o investimento na região.
Esta é a terceira vez que o Sierra Club apresenta críticas ao processo, apontando inconsistências e dados conflitantes no dossiê submetido ao LDEQ. A organização exige que a agência estadual obrigue a Hyundai a avaliar formalmente alternativas elétricas e combustíveis renováveis.
A usina está planejada para o corredor industrial conhecido como Cancer Alley, área com altas taxas de câncer atribuídas à poluição industrial. A própria Hyundai admite que comunidades locais, como Modeste e Donaldsonville, já enfrentam níveis de exposição tóxica no 96º percentil nacional.
A advogada sênior do Sierra Club, Andrea Issod, afirmou que a Hyundai Steel tem a oportunidade de liderar a transição para o aço limpo. No entanto, a empresa desconsiderou tecnologias acessíveis que protegeriam trabalhadores e moradores enquanto reduziriam custos operacionais.
Kelvin Wells, organizador da seção Delta do Sierra Club, criticou a Hyundai por usar um discurso ambiental apenas para ganhar apoio local. Ele defende que a companhia deve respeitar a cultura da região e evitar agravar os problemas de Ascension Parish.
Pela legislação federal e estadual da Louisiana, o LDEQ tem a obrigação de exigir as melhores tecnologias disponíveis quando viáveis técnica e economicamente. Isso aumenta a pressão para que a agência rejeite o pedido atual e solicite ajustes no projeto.
O empreendimento combina um módulo de redução direta de minério e um forno elétrico a arco, que poderiam operar com energia renovável e hidrogênio verde. A empresa chegou a promover o projeto como exemplo de sustentabilidade para atrair investidores preocupados com o clima.
Siderúrgicas de diversos países buscam reduzir emissões com novas tecnologias e combustíveis alternativos. A resistência da Hyundai a essas práticas pode comprometer sua posição em um mercado cada vez mais exigente quanto a metas ambientais.
Comunidades historicamente marginalizadas no sul dos EUA, muitas delas afro-descendentes, têm exigido maior participação no planejamento de grandes obras industriais. Essas demandas conectam justiça ambiental a questões de direitos civis na região.
O LDEQ ainda avaliará os comentários recebidos dentro do prazo regulamentar antes de tomar uma decisão sobre a licença. O Sierra Club promete monitorar de perto cada etapa do processo.
Conforme reportagem do CleanTechnica, a Hyundai Steel não respondeu às críticas até o momento da publicação. A decisão final do órgão ambiental será crucial para o futuro do projeto e para a reputação da empresa.
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