Pesquisadores da Universidade de Melbourne, na Austrália, desenvolveram o primeiro protótipo de uma bateria quântica capaz de recarregar em um quadrilionésimo de segundo.
A tecnologia é baseada em princípios da mecânica quântica e promete transformar o setor de armazenamento de energia. A inovação oferece maior densidade e durabilidade em relação às baterias tradicionais.
O mecanismo central é o conceito de coerência quântica, no qual moléculas compartilham estados internos não aleatórios, como vibrações ou estados eletrônicos. Isso mantém uma relação fixa entre elas, permitindo que todas sejam carregadas simultaneamente, independentemente do tamanho do dispositivo.
O estudo foi publicado na revista Light: Science & Applications. Ele detalha que a bateria é formada por camadas de semicondutores orgânicos posicionadas entre espelhos de prata, criando uma microcavidade essencial para a superabsorção de luz.
Durante experimentos nos Laboratórios de Ultrafast e Microspectroscopia da Universidade de Melbourne, pulsos de laser de um femtossegundo foram disparados. O processo gerou estados excitados nas moléculas por dezenas de nanosegundos.
A bateria conseguiu armazenar energia por um período até um milhão de vezes maior do que o tempo de carregamento. O resultado demonstra um potencial inédito para dispositivos que exigem alta eficiência energética em curtos intervalos de tempo.
O pesquisador James Quach, da Universidade de Adelaide, liderou o projeto e destacou o impacto prático da descoberta. Ele afirmou que uma bateria recarregada em apenas um minuto poderia manter sua carga por anos, abrindo caminho para usos em veículos elétricos pesados e outras tecnologias de ponta.
Quach também mencionou a possibilidade de aplicar a tecnologia em drones, com recarga remota por meio de lasers. Ele deixou claro, porém, que essa ainda é uma perspectiva futura.
Os cientistas reconhecem que há barreiras a superar antes que a bateria quântica chegue ao mercado. A sensibilidade ao ruído ambiental, que pode interferir no comportamento quântico das moléculas, é um dos principais desafios para garantir a eficiência do sistema em larga escala.
Andrew White, professor de tecnologia quântica na Universidade de Queensland, comentou sobre a importância de tornar a tecnologia escalável. Ele acredita que, superados os obstáculos, o impacto no mercado global de energia será profundo, com benefícios diretos para áreas como a computação quântica.
O potencial da descoberta vai além de melhorias técnicas, podendo alterar radicalmente o consumo e a gestão de energia em diversas indústrias. Para mais informações, confira a cobertura completa no Live Science.
Leia também: Cientistas desenvolvem bateria quântica que desafia regras de carregamento
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Zé Trovãozinho
06/05/2026
Ah, mais uma dessas invenções mágicas que nunca chegam ao consumidor. Enquanto isso, a conta de luz no Brasil só aumenta e o governo abraça a Venezuela. Cadê a bateria quântica pra resolver o apagão aqui? Ou será que é mais uma cortina de fumaça da mídia globalista?
Mariana Alves
06/05/2026
Zé Trovãozinho, sua desconfiança em relação ao sensacionalismo tecnológico é compreensível e, em certa medida, até acertada. O discurso de “revolução energética” vendido por laboratórios e startups frequentemente funciona como fetiche de mercadoria: promete soluções individuais para problemas estruturais, desviando o olhar das relações de produção que realmente determinam o acesso à energia. Uma bateria quântica que recarrega em quadrilionésimos de segundo pode existir num paper da Nature, mas enquanto o setor elétrico brasileiro for controlado por oligopólios privados que operam sob a lógica do lucro e não da necessidade social, essa inovação será apropriada como mais um ativo financeiro, não como bem público. O que resolve apagão não é tecnologia de ponta, é planejamento estatal soberano, investimento em geração distribuída e, acima de tudo, a quebra do monopólio das distribuidoras que preferem lucrar com multas e tarifas abusivas a garantir serviço universal.
Agora, permita-me discordar frontalmente da sua associação entre “governo abraçar a Venezuela” e a conta de luz. Isso é um non sequitur clássico da cartilha anticomunista. A conta de luz no Brasil disparou justamente nos governos Temer e Bolsonaro, quando a política energética foi entregue ao mercado financeiro e às térmicas a gás caríssimas, enquanto se desmontava o parque hidrelétrico nacional e se privatizava a Eletrobras a preço de banana. A Venezuela, com todos os seus problemas estruturais de dependência petrolífera e sabotagem imperialista, jamais teve tarifas residenciais tão extorsivas quanto as nossas. O problema não é a suposta “cortina de fumaça globalista” — esse termo vazio que serve para qualquer coisa que você não quer analisar com seriedade —, mas sim a financeirização da energia, que transforma um direito básico em mercadoria especulativa.
Quanto à tal “mídia globalista”, sugiro que investigue quem realmente financia a divulgação dessas descobertas científicas. Muitas vezes são os mesmos fundos de venture capital que lucram com a precarização do setor elétrico nos países periféricos. Enquanto você olha para a Venezuela como bode expiatório, a Vale, a Engie e a Brookfield estão comprando concessões de transmissão e distribuição no Brasil, repatriando lucros para acionistas estrangeiros e deixando o interior do país no escuro. A bateria quântica, se algum dia chegar, chegará primeiro para alimentar data centers de big techs e carros elétricos de luxo, não para iluminar a casa do trabalhador brasileiro. O debate não é sobre a existência ou não da inovação, mas sobre quem se apropria dela e para quais fins. Enquanto a energia for tratada como negócio e não como direito, qualquer avanço técnico será capturado pela lógica da acumulação.
João Batista
06/05/2026
Zé, sua desconfiança é justa, mas o problema não é a ciência e sim a ganância de quem controla a energia. Enquanto a elite lucra com apagão e conta cara, a tal bateria quântica vai ficar engavetada igual a cura do câncer — o que o poder não quer é povo com luz de graça.