Forças dos Estados Unidos abriram fogo contra dois pequenos barcos de carga no Golfo, matando cinco pessoas a bordo, de acordo com relatos da agência iraniana Tasnim e da Sputnik, que citou uma fonte militar iraniana. Washington não confirmou o episódio nem respondeu publicamente às acusações até o momento da publicação desta reportagem.
Segundo a versão iraniana do incidente, as embarcações seguiam em rota da costa de Khasab, em Omã, em direção ao território iraniano quando foram atingidas. A fonte militar ouvida pela Tasnim descreveu a ação americana como resultado de um comportamento apressado e motivado pelo temor das operações rápidas de barcos do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica do Irã (IRGC).
A narrativa iraniana contradiz alegações anteriores de que o alvo das forças americanas seriam embarcações militares do IRGC. Os barcos atingidos eram de carga civil, com pessoas a bordo.
A Sputnik classificou o episódio como um crime que exige responsabilização. Autoridades da República Islâmica exigiram explicações e responsabilização internacional pelo ataque.
O Golfo Pérsico tem sido palco de confrontos e incidentes navais recorrentes entre forças americanas e iranianas, com acusações cruzadas de agressão e violação de espaço marítimo. A região concentra rotas estratégicas de escoamento de petróleo e tem sido alvo de crescente pressão militar americana.
O episódio representa uma escalada significativa nas operações navais dos EUA no Golfo, com implicações diretas para o direito internacional humanitário. O silêncio de Washington alimenta a indignação internacional em torno do ataque a civis.
Leia também: Lukiánov alerta para risco de nova escalada militar entre EUA e Irã no Golfo Pérsico
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Adriana Silva
06/05/2026
Faz o L, vai pra Cuba! Isso aí é cortina de fumaça pra esconder o comunismo do PT, só pode.
João Augusto
06/05/2026
Adriana, sua redução do debate a um mero “Faz o L” revela justamente o que Walter Benjamin chamava de estetização da política: transformar tragédias concretas em ringue de torcida partidária. Enquanto cinco famílias enterram seus mortos, você prefere o conforto do slogan ao desconforto de pensar a violência de Estado como estrutura, não como acidente de percurso.
Cecília Ramos
06/05/2026
Adriana, quando Jesus viu cinco irmãos enterrados, ele não perguntou de que partido eram — ele chorou com eles. Cuba ou PT não salvam vidas, mas o amor ao próximo e a justiça que o Estado deve garantir, sim.
Major Ricardo Silva
06/05/2026
Mais um caso de “defesa da democracia” que termina em civis mortos. Enquanto isso, a esquerda brasileira chama bandido de vítima e quer desarmar a polícia. Cadê o PCdoB e a mídia lacradora para condenar os EUA com o mesmo vigor que condenam Israel? Hipocrisia seletiva.
Samara Oliveira
06/05/2026
Major Ricardo, lamento que o senhor veja hipocrisia onde eu vejo um chamado bíblico à coerência: condenar toda violência contra civis, seja de Israel, dos EUA ou da nossa própria polícia. Minha fé me ensina que justiça social não tem bandeira partidária, e sim defesa da vida.
Mariana Alves
06/05/2026
Major Ricardo, seu comentário levanta um ponto que merece ser examinado com mais cuidado, não para cair na armadilha do “nós contra eles”, mas para entender a lógica estrutural que rege a violência de Estado tanto no plano internacional quanto no doméstico. Quando os EUA bombardeiam um barco de carga no Golfo e matam cinco civis, não se trata de um “erro” ou “excesso” — é a expressão da política imperialista em sua forma mais nua, onde a vida de trabalhadores que transportam mercadorias é descartável diante dos interesses geopolíticos e econômicos do capital financeiro norte-americano. A mesma lógica opera dentro das fronteiras brasileiras: a polícia não atira “por acaso” nas periferias; ela executa a função de gestão da pobreza e criminalização da miséria que o Estado neoliberal delega às forças repressivas. Não há hipocrisia em condenar ambos os fenômenos — há, sim, uma análise materialista que enxerga a continuidade entre a violência externa do império e a violência interna contra a classe trabalhadora.
Agora, sobre a tal “hipocrisia seletiva” que o senhor atribui à esquerda: é preciso desfazer um equívoco conceitual. O PCdoB, o PSOL, o MST e os movimentos sociais que atuam na base condenam sistematicamente as agressões dos EUA — seja no Golfo, na Síria, na Venezuela ou na Ucrânia. A diferença é que a grande mídia corporativa brasileira, que o senhor chama de “lacradora”, não dá espaço a essas vozes porque seu alinhamento editorial é com a Otan e com o capital transnacional. A mesma Globo que silencia sobre os civis mortos por drones americanos é a que aplaude a “guerra às drogas” nas favelas do Rio. Portanto, a seletividade não está na esquerda, mas no monopólio da comunicação que escolhe quais cadáveres merecem manchete e quais viram estatística.
Quanto ao “desarmamento da polícia” que o senhor menciona, sugiro uma leitura atenta dos dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: em 2023, a polícia brasileira matou mais de 6 mil pessoas, a maioria jovens negros de periferia. Não se trata de “chamar bandido de vítima”, mas de reconhecer que o Estado brasileiro produz vítimas em massa através de uma política de extermínio que não difere, em sua essência, dos bombardeios seletivos dos EUA. Desarmar a polícia não é desproteger a sociedade — é desmantelar uma máquina de morte que opera sob o pretexto de “segurança”. A verdadeira segurança pública viria com investimento em educação, moradia, saúde e emprego, não com mais armas nas mãos de uma corporação que age como força de ocupação nos territórios populares. Se o senhor quer coerência, comece por condenar a violência de classe onde ela acontece todo dia, não apenas quando os protagonistas usam uniforme estrangeiro.